A Harmonia da Dança da Saia de Arco-íris, Capa de Penas

Li Longji (685-762), o imperador Xuanzong da dinastia Tang estava no Palácio Lianchang em Luoyang, a sua capital Oriental depois de ter subido à estação postal de Sanxiang, um lugar que ligava as duas capitais e habitual ponto de encontro de poetas e viajantes que não se inibiam de escrever poemas nas suas paredes, para contemplar o templo de Nu’er, a «jovem donzela».

Quando foi dormir, teve um sonho límpido e consolador. Percebendo que numa jornada ascendente se encontrava no Guanghan gong, o «Palácio do frio ilimitado», situado na lua, observou um cenário fascinante onde raparigas se moviam graciosas numa dança, tão leves que pareciam deslizar no ar ao som de uma melodia celestial.

Quando despertou e sendo um amador de música, tentou reproduzir o sonho mas faltavam-lhe tons na melodia. No caminho horizontal de regresso a Chang’an, a capital Oriental, foi com a ajuda de Yang Jinshu, o governador militar de Xiliang, que juntou notas estrangeiras das planícies centrais e da região Oeste da Ásia e a Canção bramâne da Índia. E com a sua favorita, a famosa Yang Guifei (719-756), recriou a dança que libertava pessoas do seu peso. Deu-lhes o nome Nichang yuyi wu, a «Dança da saia de arco-íris e capa de plumas», um título que ressoaria em inúmeros poemas da dinastia Tang, espelhando o seu esplendor capaz de integrar as mais díspares expressões das artes exóticas e se estendeu para além do tempo e das fronteiras.

No século XVI no Japão o pintor Kano Naganobu (1577-1654) imaginou o imperador Xuanzong de pé mirando com volúpia Yang Guifei sobre um tapete circular dançando huxuanwu, a «dança rodopiante dos bárbaros» inspirada em tradições longínquas, da Ásia central como Samarcanda ou Sogdian (biombo de seis painéis, tinta, cor e folha de ouro sobre papel, 156,2 x 356,8 cm, no Instituto de Artes de Minneapolis). Tudo na pintura evoca harmonia. Na tradição popular duas figuras corporizavam essa conciliação de coisas distintas.

Wang Wen (1497-1576) um pintor de Jiangsu retratou Hanshan e Shide, os dois esquivos monges da montanha Tiantai, com humor e a pincelada solta, diante de um surpreendente sapo de três patas (rolo vertical, tinta e cor sobre papel, no Museu Britânico). Os dois dados a conhecer na dinastia Tang por Lu Qiuyin no livro dos Poemas de Hanshan, a «Montanha fria», em que se lê o acordo e a espontânea harmonia de diferentes: «O luar na Montanha fria é luminoso, Em silêncio percebo o meu espírito claro».

Um acordo diferente da dança de Xuanzong que se realiza no movimento. Como diz um lema da arte marcial Taiji quan: yiyi yinqi «usando o espírito para guiar o corpo, o corpo para mostrar o espírito». No Liyuan, o «Jardim das pereiras» criado por Xuanzong, quando se dançava o yuanchang, os «passos em círculo», as dançarinas pareciam deslizar com se estivessem na lua.

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