Ética e responsabilidade parental (I)

Uma reportagem que passou recentemente no programa da TVB de Hong Kong “Scoop” (東張西望) revelou uma disputa familiar que tem captado a atenção do público. O caso, com a sua trama complexa e detalhes provocadores, expõe uma série de problemas familiares e sociais decorrentes de falhas morais, turbulência emocional e escolhas precipitadas, merecendo uma reflexão social séria.

Grace, a protagonista, uma mulher de Hong Kong, era casada com o Sr. Kim, um homem sul-coreano, com quem teve um filho. No entanto, Grace teve um caso extra-conjugal com o Sr. Law, um professor de educação física de Hong Kong e dessa relação nasceu uma menina. Grace viajava frequentemente para Hong Kong com os filhos e gravava o seu dia a dia para enviar ao marido. No entanto, as conversas carinhosas do Sr. Law com a menina foram ouvidas por diversas vezes nos vídeos, o que levantou as suspeitas do sr. Kim e o caso acabou por ser exposto bem como a identidade do verdadeiro pai da menina.

Segundo detalhes revelados no programa, o sr. Law soube que a criança era sua durante a gravidez de Grace e enviou-lhe mensagens a prometer que se divorciaria da mulher e casaria com ela depois de a criança nascer. Grace acreditou nele e teve a bebé. No entanto, o sr. Law não cumpriu o prometido.

Quando o Sr. Kim descobriu o caso, contactou a Srª. Law para expor a infidelidade do marido, e ela sugeriu que Grace ficasse na Coreia do Sul e nunca mais regressasse a Hong Kong.

Destroçado, o sr. Kim divorciou-se de Grace. Actualmente, Grace vive em Hong Kong com a mãe e os filhos sob a protecção de uma avó idosa.

Além disso, o sr. Law e Grace chegaram a um acordo em relação à pensão de alimentos da menina. O sr, Law comprometeu-se inicialmente a dar à mãe de Grace 13.000 HKD por mês para cobrir as despesas da filha. No entanto, nos documentos oficiais assinados por ambas as partes o valor mencionado era de apenas 8.000 HKD. Esta discrepância deveu-se ao facto de o sr. Law não querer que a mulher tivesse conhecimento do verdadeiro montante da pensão de alimentos, por isso no documento ficou registado um valor mais baixo e prometeu em privado juntar mais 5.000 HKD mensais. Inesperadamente, depois do caso ter sido exposto, o sr. Law, temendo vir a perder o emprego devido ao escândalo, deixou de pagar qualquer quantia e Grace confirmou que nunca recebeu nada dele.

Tendo em conta todos os aspectos deste caso, verificamos que ambas as partes cometeram graves transgressões éticas. Os casos extra-conjugais violam o princípio básico da fidelidade conjugal e são normalmente considerados pela sociedade como imorais. Tanto Grace como o Sr. Law são culpados. Como professor, o Sr. Law tem a responsabilidade de educar e de cuidar dos alunos, e a sociedade sempre impôs aos educadores requisitos mais rigorosos e padrões de conduta moral mais elevados. Embora este caso não esteja relacionado com o trabalho do Sr. Law, a condenação pública e o seu receio de perder o emprego não são surpreendentes.

A Sra. Law sugeriu ao Sr.Kim que Grace ficasse na Coreia do Sul com a filha e nunca mais regressasse a Hong Kong, o que era praticamente impossível. O rapazinho tem dois anos e a menina tem seis meses. Como é que uma mãe divorciada poderia cuidar sozinha de crianças tão pequenas? Deixar Grace sozinha na Coreia do Sul, só para impedir que o caso escalasse em Hong Kong, seria a solução apropriada?

Enquanto esposa, Grace deveria ter defendido as fronteiras do seu casamento. Sabendo que é errado ter um caso extra-conjugal, persistiu no erro e deu à luz uma criança ilegítima, ignorando as responsabilidades conjugais e a ética familiar. Actualmente, com as tecnologias ao nosso dispor, os testes de paternidade, as comparações faciais e as análises de sangue, é fácil expor as mentiras. É insustentável esconder a paternidade biológica. A sua imprudência acabou por levar a uma situação irreparável.

Na próxima semana, continuaremos a analisar esta situação e a explorar possibilidades para a resolver.

(Aviso: A história deste artigo baseia-se no programa televisivo “Scoop.” Este artigo apenas comenta o acontecido e não visa atacar qualquer indivíduo, nem constitui qualquer difamação maliciosa.)

Consultor Jurídico da Associação para a Promoção do Jazz em Macau
Professor Associado da Faculdade de Ciências de Gestão da Universidade Politécnica de Macau
cbchan@mpu.edu.mo

Subscrever
Notifique-me de
guest
0 Comentários
Mais Antigo
Mais Recente Mais Votado