Via do MeioA Pintura da Gruta de Jade Atribuída a Zhao Yong Paulo Maia e Carmo - 29 Set 2026 Du Daojian (1237-1318), um preclaro erudito daoísta, recebeu de Jiang Zongying (?-1281), o trigésimo oitavo patriarca da linhagem de Maoshan, o texto Dadongjing, a «Escritura da grande gruta», composto na sua versão mais comum por trinta e nove capítulos a partir de revelações de Yang Xi, um místico do século IV, que explicitam a cosmologia da escola Shangqing, referindo simultaneamente os mais altos paraísos celestiais e as câmaras interiores do corpo humano. Uma duplicidade que oferecia a perspectiva de um refúgio interior, especialmente apelativa para os altos funcionários que aceitaram fazer a transição do fim da dinastia Song para a dinastia Yuan. Desde1260 Du Daojian tornar-se-ia mestre espiritual de um desses funcionários, o influente pintor Zhao Mengfu (1254-1322) descendente da deposta família imperial e consciente do dever de actualizar os valores da cultura recebida. A noção de um refúgio interior espelhado em formas da natureza tornou-se comum durante a dinastia Song (960-1279) através da expressão dongtian, «grutas do paraíso», em que a palavra dong designa uma gruta mas também comunicar, penetrar ou discernir, servindo portanto como um portal de comunicação com a mais alta espiritualidade. Na pintura de Zhao Mengfu Paisagem espiritual de Xie Youyu (Xie Youyu qiuhe, «outeiros e regos», rolo horizontal, tinta e cor sobre seda, 27,4 x 117 cm, no Museu de Arte da Universidade de Princeton) vê-se uma figura sentada em pose de meditação, que também poderá ser Du Daojian, no meio de uma paisagem como se esta fora gerada pela sua concentração. Xie Youyu (280-322) o «ermita na corte», ficaria conhecido pela resposta que deu ao imperador Ming de Jin que o comparou a um dócil e metódico funcionário: «Quanto ao cumprimento dos deveres oficiais da corte não posso ser comparado, mas tratando-se de um único outeiro ou rego (qiuhe) imaginando-me longe da corte, encontrando repouso na natureza, nisso sou único.» O segundo filho de Zhao Mengfu, também funcionário imperial, interrogou-se em várias pinturas sobre a sua situação única. Zhao Yong (1289-c.1360) era igualmente filho da pintora e poeta Guan Daosheng e é possível que essa filiação num casal formado já na maturidade esteja referida no rolo vertical Um passeio na Primavera (Chunjiao youqi, tinta e cor sobre seda, 88 x 51,1 cm, no Museu do Palácio Nacional em Taipé) onde se vê um caçador com arco a cavalo detendo-se e voltando a cabeça para trás, olha perplexo para dois troncos de árvores que ao crescer se foram entrelaçando. Uma outra pintura que a certa altura lhe foi atribuída, mostra uma Convocação de imortais numa gruta de jade (rolo horizontal, tinta e cor sobre seda, 28,9 x 301,3 cm, no Smithonian). As propriedades tácteis do jade faziam uma ponte, reforçando a ligação com a natureza e os espíritos que dela emanavam.