Ai Portugal VozesEscândalo generalizado na arbitragem portuguesa André Namora - 21 Set 2026 Agora é outra fruta. Jorge Nuno Pinto da Costa já nos deixou. O apito dourado nos dias de hoje é prateado. A arbitragem no futebol português voltou à ribalta pelas piores razões. Bateu no fundo. Na semana passada a média não falou noutra coisa. Há muita gente ligada ao futebol sob investigação judicial. Árbitros, presidentes de clubes, dirigentes do Conselho de Arbitragem, empresários e os intermediários mafiosos. A movimentação de milhões de euros de carteiras para bolsos de intervenientes num jogo, parece que constitui o último escândalo no mundo sombrio do futebol português. Vieram à baila uma panóplia de suspeitas. Árbitros nomeados para determinados jogos com duas semanas de antecedência. Presidente de um clube, o Estrela da Amadora, que alegadamente teria gasto muito dinheiro para que o clube não baixasse de divisão na época passada. Corrupção coordenada por um cartel que só a Polícia Judiciária (PJ) nos poderá esclarecer. As investigações já começaram e foram ouvidas dezenas de pessoas ligadas ao futebol. O antigo e um dos melhores ex-árbitro, Duarte Gomes, demitiu-se das funções superiores que exercia e terá denunciado às autoridades policiais o que teve conhecimento de ilegal no exercício das suas funções. A PJ está a investigar mensagens e áudios que podem provar manipulações na arbitragem. A demissão de Duarte Gomes do cargo de Director Técnico de Arbitragem da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) aconteceu no final de Junho e caiu como uma bomba no seio do futebol português. Ainda assim, talvez por ser Verão, talvez por estar a decorrer o Campeonato do Mundo, talvez por não terem existido mais consequências práticas evidentes, o caso desvaneceu. Até agora. O assunto veio a público com pormenores graves, como o áudio que demonstra o conhecimento que certos árbitros tinham das suas nomeações com muita antecedência para determinados jogos. Está em causa, além das nomeações combinadas de árbitros, um milhão de euros que teria sido prometido pelo presidente do Estrela da Amadora, Paulo Lopo, caso o clube não baixasse de divisão. A FPF limitou-se, quando teve conhecimento da demissão de Duarte Gomes, a emitir um comunicado no qual anunciava que iria encaminhar o caso para o Ministério Público. A procissão ainda vai no adro. E é curioso que os três maiores clubes, Benfica, Sporting e FC Porto têm-se queixado das arbitragens e dos VAR e que os clubes eventualmente prejudicados estejam caladinhos… Oh, os VAR! Essa é outra grande história. É estranho… é difícil de entender como um árbitro decide erradamente, mas mais difícil é entender por que o VAR não interfere num lance óbvio. Quando um árbitro está mal, o VAR deve ajudar e porque é que será que temos assistido a uma ajuda nula por parte do VAR em certos lances de vários jogos, especialmente penaltis? Neste sentido, também as investigações judiciais podem incluir árbitros VAR por suspeita de corrupção. Nesta altura, há um árbitro que está fundamentalmente na berlinda, Hélder Malheiro, o tal árbitro que soube duas semanas antes que iria arbitrar um jogo do Estrela da Amadora, sem ter conhecimento que encontro iria arbitrar no fim-de-semana mais próximo. E por incrível que possa parecer, este árbitro, que já devia estar suspenso da actividade, foi nomeado VAR para o jogo Sporting-Arouca, uma decisão que recebeu as maiores críticas nos jornais e nas televisões. Mas há outros árbitros que têm a cabeleira ou a careca a arder, como Fábio Veríssimo. Este árbitro terá sido informado de que iria arbitrar o Estrela da Amadora-Famalicão, da 33ª jornada da época passada 2025/26, imaginem, 20 dias antes da data do jogo. Esta é uma prova de que as suspeitas de agora são muito antigas e graves. Na investigação da PJ, nos telemóveis analisados, já terão sido encontrados indícios de quem pode ter oferecido prémios na ordem de mais de um milhão de euros a dirigentes da arbitragem a troco do benefício no resultado dos jogos de certos clubes. Adicionalmente, existem exemplos concretos de que terão existido condicionalismos. De acordo com as conversas que agora estão na posse da PJ, o FC Porto tentou evitar que Fábio Veríssimo fosse o árbitro nomeado para os quartos de final da Taça de Portugal, contra o Benfica, sendo que a estrutura da FPF estaria disponível para satisfazer a exigência, como se o FC Porto fosse o dono disto tudo… Na verdade, a PJ recebeu uma participação com suspeitas de corrupção e tráfico de influências na nomeação de árbitros para jogos da Primeira Liga por parte do Conselho de Arbitragem da FPF. As queixas incluem um documento com 20 páginas que reúne mensagens de WhatsApp, capturas de ecrã, chamadas telefónicas, áudios, vídeos e relatos de reuniões na Cidade do Futebol. Os acontecimentos retratados terão acontecido entre Abril e Junho, na recta final da temporada 2025/26. Ao longo das 20 páginas, o autor da queixa ainda sublinha várias vezes que não pretende substituir-se às autoridades, mas defende que o conjunto de elementos que recolheu justifica a abertura de uma investigação criminal. Ai, futebol, futebol, que tens andado por caminhos cheios de pedras, grutas e contas bancárias em offshores. É verdadeiramente escandaloso que existam suspeitas de resultados combinados, dinheiros por baixo da mesa, clubes prejudicados como foi o Tondela ao baixar de divisão em detrimento do Estrela da Amadora e que, essencialmente, não tenhamos árbitros sérios. A verdade desportiva tem sido alegadamente deturpada devido à ganância pelo dinheiro. Os adeptos dos clubes pagam para ver um espectáculo desportivo. Nunca lhes passa pela cabeça que vão assistir a uma mentira combinada…