Macau Pass | Pai de vítima de falha exige pedido de desculpas

O progenitor da criança quer que a Macau Pass venha a público explicar as falhas de segurança. Além disso, argumenta que as dúvidas sobre a segurança da plataforma Mpay são demasiado sérias para serem levadas de ânimo leve

O pai da alegada vítima de uma falha de segurança da MPay, que resultou na perda de 2 mil patacas, quer que a Macau Pass venha a público assumir os erros. A posição foi tomada através de uma publicação nas redes sociais, com o progenitor do lesado a pedir à empresa do grupo Alibaba medidas necessárias para garantir a confiança dos clientes.

A polémica que envolve a plataforma MPay surgiu nas redes sociais, quando um internauta denunciou que a titularidade da carteira electrónica do seu filho de 10 anos tinha sido transferida para outra pessoa.

Segundo a mesma queixa, o facto de o número de telemóvel do filho ter sido reciclado, ou seja, ter pertencido anteriormente a outra pessoa, foi suficiente para convencer a Macau Pass a entregar-lhe a conta associada a esse número, sem verificações de segurança. Como resultado, o filho, que actualmente está na posse do número de telemóvel associado à conta, ficou sem acesso à sua carteira digital e às 2 mil patacas que tinha guardadas.

Agora, numa nova publicação, o pai do lesado insiste que a empresa ligada à Alibaba tem de assumir os erros e falhas para justificar merecer a confiança dos residentes. “Como uma das plataformas de pagamentos com maior taxa de utilização em Macau, os residentes depositam capital na MPay por terem confiança [na empresa]. A MPay tem a obrigação de garantir a segurança de cada cêntimo”, afirmou.

O autor também considerou que a falha não pode ser tratada de “ânimo leve” porque resultou de erro humano, em conjunto com falhas sistémicas. Quando fez a denúncia do caso pela primeira vez, o progenitor do lesado revelou que o antigo proprietário do número conseguiu ficar com a carteira do filho, sem nunca ter de confirmar através de um código SMS que estava na posse do número de telefone associado à conta da MPay. A transferência terá resultado de uma conversa com o serviço ao cliente.

Maior segurança

Ao longo da publicação foram ainda expostas outras falhas de segurança, como a ausência de um mecanismo de alerta interno: “Quando registamos uma conta na plataforma MPay, o sistema não nos alerta que o número de telefone já tinha sido registado anteriormente. Isto significa que o sistema do back-office não tem um mecanismo para associar e remover os números de telefone aos bilhetes de identidade, o que faz com que possa haver confusão nos registos da empresa sobre a identidade do real proprietário das carteiras electrónicas”, indicou.

O progenitor também alertou para os riscos de os proprietários de números reciclados poderem ficar sem carteiras electrónicas, dado que é possível recuperar carteiras digitais associadas a números, sem a verificação de segurança por código enviado por SMS.

No texto mais recente, o autor vincou ainda que não está disponível para negociar com a empresa uma compensação de forma privada, e que o assunto exige vários esclarecimentos públicos, assim como um pedido de desculpas.

Anteriormente, na primeira reacção a este caso, a Macau Pass, citada pelo canal chinês da Rádio Macau, prometeu total cooperação com a investigação em curso das autoridades e defendeu que “os seus mecanismos de segurança estão a funcionar normalmente, não tendo sido detectada qualquer anomalia ao nível da segurança do sistema”.

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