Manchete SociedadeANIMA | Admitidas dificuldades com dívida de 1,4 milhões João Santos Filipe - 9 Set 2026 A presidente da ANIMA reconhece que gostaria de ajudar a controlar o número de animais vadios nas ruas de Macau, mas que o campo de acção da associação está cada vez mais limitado, pela falta de recursos A Sociedade Protectora dos Animais de Macau (ANIMA) admite que a sua capacidade de intervenção face aos recentes ataques de cães vadios na Taipa está limitada, devido ao acumular de uma dívida de 1,4 milhões de patacas. O cenário foi traçado pela presidente da associação, Zoe Tang, em declarações ao jornal Exmoo. Na semana passada, a questão dos cães vadios no território voltou a ganhar relevância face à ocorrência de ataques contra transeuntes na Taipa. Ao contrário de outros tempos, a ANIMA revelou que a sua capacidade para intervir e resgatar os animais está mais limitada, devido à dívida acumulada e ao facto de os seus abrigos estarem sobrelotados. Tang apontou que as despesas mensais fixas da associação rondam as 600 mil patacas e que apesar de as campanhas de angariação de fundos terem uma boa participação, o ritmo de recolha de dinheiro não acompanha o aumento das despesas. Para fazer face aos custos de operação, a associação teve de demitir cerca de cinco funcionários, e Tang reconheceu que houve períodos em que os salários foram pagos com atrasos. Tang indicou também que a associação teve de adoptar um sistema de triagem face ao resgate de novos animais, uma vez que tem a seu cargo mais de 700 cães e gatos. A nova estratégia passa, assim, por resgatar os animais vadios que apresentem ferimentos ou outros problemas de saúde. Por isso, a responsável defendeu que o Governo deve lidar com este problema através de uma política de captura, esterilização e devolução (TNR, na sigla em inglês), para evitar que os animais se reproduzam nas ruas. Zoe Tang apontou que a zona mais afectada por animais vadios é Coloane, e que a equipa da ANIMA realiza diariamente esterilizações, com prioridade para os animais do sexo feminino. Contudo, a responsável avisou que a legislação em vigor dificulta a intervenção das associações, porque a captura apenas pode ser feita em espaços privados e não em públicos. Multas mais pesadas Em relação às políticas de controlo dos animais, a presidente da ANIMA defendeu um agravamento das multas por abandono e a obrigação de colocar chips tanto em gatos como em cães. No âmbito da necessidade de adaptar as leis, Tang apontou que a Lei de Protecção dos Animais entrou em vigor há quase 10 anos e que a multa por abandono está fixada em 1.000 patacas. A responsável defende uma subida para pelo menos 5.000 patacas, mas admite que o valor até possa ser superior. O objectivo é combater os abandonos. Em relação à colocação de chips, que permite sempre identificar a quem pertenciam os animais abandonados, Tang considera que a obrigação deve passar a abranger igualmente os gatos.