China / ÁsiaJapão | Deputados viajam para Pequim após aumento de tensões Hoje Macau - 25 Ago 2026 Um grupo de deputados japoneses viajou ontem para Pequim para se reunir com responsáveis chineses, pela primeira vez desde que as relações bilaterais se deterioraram, após comentários da primeira-ministra Sanae Takaichi sobre Taiwan. A delegação vai reunir-se com responsáveis do Partido Comunista Chinês durante a visita, que se estende até quinta-feira. O grupo inclui Gaku Hashimoto, deputado do Partido Liberal Democrático (PLD), actualmente no poder, e antigo vice-ministro da Saúde e Bem-Estar, e um deputado de cada um dos partidos da oposição Komeito e Aliança Centrista Reformista (CRA, na sigla em inglês). “A comunicação foi interrompida em todas as áreas e estamos a começar a ver o impacto disto em muitos sectores”, disse Shinichi Isa, um dos porta-vozes do partido CRA. “Espero que possamos encontrar de alguma forma uma pista para reiniciar o diálogo”, acrescentou o dirigente, aos jornalistas antes de deixar o aeroporto de Haneda, em Tóquio. Isa, que serviu como diplomata na Embaixada do Japão na China, escreveu na rede social X, no início de Agosto, que os laços bilaterais atingiram o seu pior nível desde a normalização das relações em 1972. O deputado escreveu que as autoridades sempre mantiveram a comunicação, mesmo durante os momentos mais difíceis anteriores: “Agora, todos os canais entre as autoridades e os ministérios foram cortados.” A situação não é do interesse nacional de nenhum dos lados, disse Isa na altura, e o lado chinês aceitou um pedido dos deputados japoneses para uma “janela para o diálogo”. Palavras e acções As tensões entre a China e o Japão intensificaram-se no final de 2025, quando Sanae Takaichi sugeriu que as forças japonesas poderiam intervir no caso de um conflito em Taiwan. Em 15 de Agosto, o Governo da China apresentou uma queixa formal ao Japão, após a visita de vários ministros, incluindo o titular da Defesa, Shinjiro Koizumi, ao santuário Yasukuni, considerado um símbolo do passado militarista do país. Koizumi costuma visitar o santuário, em Tóquio, anualmente para assinalar o aniversário do fim da Segunda Guerra Mundial (1939-1945) no Japão, a 15 de Agosto, e noutras ocasiões. O ministro de Estado para Okinawa e Territórios do Norte, Hitoshi Kikawada, visitou também Yasukuni, enquanto a primeira-ministra Sanae Takaichi, conhecida por ter visões revisionistas sobre o passado militarista do Japão, enviou uma oferenda. O santuário xintoísta em Tóquio presta homenagem aos cerca de 2,5 milhões de soldados que morreram em conflitos travados pelo Japão, mas também honra a memória de 14 oficiais e políticos japoneses condenados por crimes de guerra por um tribunal internacional após a Segunda Guerra Mundial. Em comunicado, um porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China realçou que Yasukuni é, na realidade, um local dedicado a “criminosos de guerra”.