China | Novas medidas para impulsionar consumo interno no segundo semestre

A China está a planear introduzir um novo pacote de políticas e medidas para incentivar o consumo interno na segunda metade deste ano, revelou sexta-feira o vice-ministro das Finanças do país, Liao Min.

Segundo a agência Xinhua, durante em conferência de imprensa em Pequim, Liao anunciou que o Ministério das Finanças chinês irá formular e aplicar “medidas práticas e eficazes” em função da evolução macroeconómica na segunda metade do ano, com as políticas fiscais do país a continuar a centrar-se na aceleração da utilização de fundos e na expansão da procura interna.

Liao considerou que expandir a procura interna tornouse cada vez mais importante para a China sustentar o crescimento e reforçar a resiliência da economia perante incertezas externas, com o país a ser actualmente o segundo maior mercado mundial de consumo de bens e o maior mercado de retalho online.

Este ano, o Ministério das Finanças chinês já destacou 187,5 mil milhões de yuan para apoiar programas de incentivo ao consumo, que geraram 178 milhões de compras e vendas combinadas de aproximadamente 1,32 biliões de yuan.

Foram também introduzidos subsídios de juros para empréstimos de consumo pessoal e para empresas do sector dos serviços, além de medidas de apoio ao emprego e ao empreendedorismo em grupos prioritários.

Segundo o ministério, desde 01 de Agosto todas as compras em prestações com cartão de crédito, incluindo automóveis e renovação de habitações, passaram a estar incluídas no quadro de apoio, com consumidores chineses a poder beneficiar de subsídios de juros sempre que utilizem este mecanismo.

O número de instituições financeiras autorizadas a tratar de subsídios de juros para empréstimos a micro, pequenas e médias empresas e ao sector dos serviços, por exemplo, aumentou de cerca de 100 para 400, indicou a agência Xinhua.

Ao mesmo tempo, os limites de empréstimo ao abrigo da política de subsídios de juros foram elevados de 50 milhões de yuan para 75 milhões de yuan para micro, pequenas e médias empresas, e de 10 milhões de yuan para 20 milhões de yuan para negócios do sector dos serviços. O tecto para empréstimos de consumo pessoal subiu também de 3.000 yuan para 5.000 yuan.

Foco na população

Em comentários ao jornal Global times, o académico Hu Qimu, da Universidade Huaqiao, indicou que as novas medidas demonstram que o Governo chinês está a dar maior ênfase ao uso de fundos fiscais como alavanca para mobilizar recursos financeiros adicionais para a economia real.

A procura de consumo está a tornarse cada vez mais um motor central do crescimento económico da China. O país tem uma população de 1,4 mil milhões e um grupo de rendimento médio superior a 400 milhões de pessoas, segundo o Ministério das Finanças.

Em 2025, as vendas a retalho a atingiram 50 biliões de yuan e o consumo final contribuiu com 52 por cento para o crescimento económico.

No primeiro semestre de 2026, o crescimento económico e o consumo interno da China enfrentaram uma desaceleração, devido a factores como incertezas económicas e dificuldades persistentes no sector imobiliário.

O crescimento do PIB da China desacelerou no segundo trimestre deste ano para 4,3 por cento em relação ao mesmo período do ano anterior, o valor mais baixo em três anos.

Actualmente, o Fundo Monetário Internacional (FMI) projecta um crescimento de 4,6 por cento para a economia chinesa em 2026, graças principalmente a investimentos em infraestrutura pública, indústria de alta tecnologia, e exportações nas áreas da inteligência artificial e energia verde.

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