PolíticaGoverno quer criar “postos físicos” de saúde mental no próximo ano Andreia Sofia Silva - 31 Jul 2026 O Governo pretende criar, em 2027, o que chama de “postos físicos” de apoio de saúde mental. Em resposta a uma interpelação oral da deputada Ella Lei, O Lam, secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, explicou que “o Governo da RAEM está a planear a criação de postos físicos, cuja entrada em funcionamento está prevista para o segundo trimestre do próximo ano”. A ideia é que as pessoas que sintam necessidade de apoio possam “deslocar-se pessoalmente aos referidos postos ou contactá-los por via telefónica para receber os respectivos serviços”. O objectivo do Executivo, com este novo serviço, é “aperfeiçoar ainda mais a ‘rede de protecção da saúde mental'”. Além disso, a secretária destacou o trabalho que tem sido feito pelo Grupo de Trabalho Interdepartamental para a Saúde Física e Mental, ainda em fase experimental, referindo que há uma equipa multidisciplinar composta por agentes de aconselhamento, assistentes sociais e pessoal médico que acompanham os casos. “Após uma avaliação unificada da equipa interdepartamental, são providenciados à população os serviços médicos apropriados, apoio emocional e assistência social, assegurando assim a afectação razoável de recursos e a coordenação perfeita na prestação de serviços.” O Lam alertou ainda para o facto de muitas pessoas terem receio de expor os problemas de saúde mental que enfrentam, nomeadamente “muitos estudantes que não querem contactar directamente os agentes de aconselhamento porque não querem que as escolas saibam do seu caso”. Para este tipo de situações foram criadas “mais linhas de comunicação, com resultados positivos”. Enquanto isso, Kong Chi Meng, director dos Serviços de Educação e Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ), disse que “os directores de turma e outros responsáveis têm formação nesta matéria”, enquanto “os agentes de aconselhamento têm 15 horas de formação por ano”. “Em relação ao aumento de recursos, esperamos trabalhar melhor nesta matéria no futuro”, frisou ainda. Silêncio dos mais velhos Durante o debate, o deputado Lam Lon Wai alertou para o facto de “os problemas dos alunos serem complexos e diversificados”, sendo necessárias “muitas pessoas para acompanhar os problemas”. Já Chan Lai Kei questionou se na futura cidade universitária, em Hengqin, será feito um investimento “em mais recursos para formar talentos” na área da saúde mental. Se os alunos parecem ter problemas em pedir ajuda, também os idosos têm essa dificuldade, segundo destacou o deputado Che Sai Wang. “Estou preocupado com os idosos, sobretudo na identificação dos casos de depressão. Os idosos não procuram apoio por sua iniciativa, e ao pedirem ajuda médica é difícil ver as razões e motivos da doença. Se essa rede só depender dos próprios idosos para pedir ajuda, isso não vai resolver o problema, e há que criar mecanismos activos para a identificação dos problemas.” Neste sentido, o deputado questionou “se além dos serviços comunitários, como podem ser reforçados os serviços no centro de saúde e a capacidade do pessoal da linha da frente”.