Manchete PolíticaNova lei possibilita criação de hospitais de dia para turistas Andreia Sofia Silva - 20 Mai 202620 Mai 2026 Os deputados aprovaram ontem, na especialidade, a proposta de lei relativa à “actividade das instituições privadas prestadoras de cuidados de saúde” que vem regular, entre outras matérias, a criação de hospitais de dia no território. Vários deputados questionaram de que forma isso se pode coadunar com o sector do turismo e também com os serviços médicos já disponibilizados, tanto a nível público como privado. Ip Sio Kai disse que esta matéria diz respeito a “competências que não têm só a ver com os Serviços de Saúde”, destacando a necessidade de investimento para criar mais hospitais de dia em Macau. A secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, O Lam, declarou que “atrair investimento é um trabalho entre serviços” públicos, sendo que a proposta de lei ontem votada “permite a criação de hospitais de dia, existindo legislação suficiente e adequada”. “Temos recursos em termos de resorts, vantagens e atractivos para o exterior, e em conjugação com esses elementos conseguimos ter um destino adequado para esses tratamentos”, frisou. Por sua vez, o deputado Leong Sun Iok argumentou que “Macau é uma cidade turística com vantagens geográficas” e questionou “como vai o Governo potenciar estas vantagens em conjugação com os recursos de turismo, a fim de criar um ambiente favorável para esta indústria”. Já Song Pek Kei disse que os responsáveis do sector da saúde “estão preocupados quanto ao desenvolvimento do mercado privado”. A deputada entende que há “um desequilíbrio, porque muitas pessoas utilizam o hospital público [Centro Hospitalar Conde de São Januário] e o seu funcionamento enfrenta desafios, causando um conflito entre o sector público e privado”. “Há serviços especializados que podem ser realizados nos hospitais de dia e a população preocupa-se com a concorrência desleal”, disse. Resultados a caminho O Lam declarou que não existem motivos para preocupações, porque haverá “mecanismos estendidos aos hospitais de dia”, incluindo serviços de “telemedicina, terapias avançadas e serviços médicos de proximidade”. “Foi alargada a capacidade para dar mais prioridade ao sector”, adiantou a secretária. “Há uma complementaridade entre os dois sectores. No ano passado, fizemos um estudo sobre a complementaridade entre hospitais público e privado e vamos divulgar os resultados à sociedade e ao sector em causa. No hospital Macau Union, enquanto complexo hospitalar público, a meta é elevar os serviços médicos e curar doenças, e o hospital de dia é para ter determinadas especialidades”, explicou. Relativamente à criação de Macau como destino de turismo de saúde, O Lam adiantou que “temos as nossas vantagens, e com a criação de hospitais de dia, também com o Macau Union, conseguimos ter uma maior plataforma para o sector”. “Entre o Macau Union e os hospitais de dia pode haver uma cooperação e vantagens para os dois”, disse, referindo que o Governo “aproveita da melhor forma as vantagens para incentivar o turismo e medicina, tendo a plataforma com os países lusófonos e da Ásia-Pacífico”, rematou.