Manchete PolíticaCotai | Wong Ka Lon quer melhores condições contra incêndios João Santos Filipe - 15 Mai 2026 O deputado alerta o Executivo para a falta de segurança no Cotai, em particular em dias com grandes multidões, como a passagem de ano. Wong teme a falta de recursos para lidar com emergências e acha que Hong Kong é exemplo a seguir no que diz respeito a incêndios O deputado Wong Ka Lon defende que o Executivo tem de adoptar mais medidas de segurança para a possibilidade de se verificarem incidentes no Cotai, um local com grande concentração de pessoas. O assunto foi abordado pelo deputado eleito pela via indirecta, através de uma interpelação escrita, em que indica que os recursos de emergência não estão preparados para situações de grandes emergências. No documento, Wong traça uma situação preocupante no Cotai, onde indica viverem mais de 30 mil pessoas, às quais se juntam 37 mil quartos de hotéis, com uma taxa de ocupação que por vezes é superior a 90 por cento. Além destas, o legislador aponta que também é comum que durante certos eventos, como a passagem de ano, haja grandes multidões no local. “Quanto à distribuição dos recursos contra incêndios na zona do COTAI, o número de estações do Corpo de Bombeiros é limitado. Perante uma área urbana extensa, edifícios de grande dimensão e um fluxo enorme de pessoas em curtos períodos, a capacidade de resposta a emergências e a uma evacuação em larga escala enfrenta pressões estruturais”, alertou o legislador. Por isso, o deputado quer saber se o Governo vai “proceder a uma investigação específica sobre os riscos de segurança” e criar “mecanismos dinâmicos de avaliação desses riscos” para reforçar “a distribuição dos recursos de combate a incêndios”. Pessoas paradas Wong Ka Lon pede também ao Executivo que aprenda com o exemplo de Hong Kong, onde em Novembro do ano passado as chamas no complexo habitacional Wang Fuk Court causaram 168 pessoas, segundo os números oficiais. “O grave incêndio no Wang Fuk Court, em Hong Kong, onde as chamas deflagraram por um longo período, causou numerosas vítimas, bem como expôs perigos fatais, como materiais de construção inflamáveis, distância reduzida entre edifícios, instalações de combate a incêndios obsoletas e dificuldades na evacuação e resgate”, apontou. “Em Macau, após os grandes eventos, registam-se frequentemente aglomerações e permanência prolongada de multidões, e isso também poderá desencadear facilmente acidentes graves de debandada, resultando em esmagamento de pessoas caso ocorresse repentinamente um incêndio, portanto, os riscos para a segurança não podem ser ignorados”, avisou. “Face ao risco de aglomeração de pessoas quando existem grandes eventos e aos ensinamentos que devemos ter aprendido dos acidentes graves na sequência de incêndios ocorridos noutros locais, o Governo deve aperfeiçoar o mecanismo interdepartamental de inspecção e execução da lei, optimizando os planos de contingência para a evacuação dos fluxos de pessoas”, considerou.