Manchete SociedadeSaúde | Residentes evitam procurar apoio psiquiátrico Hoje Macau - 24 Mar 2026 O director dos Serviços de Saúde de Macau (SSM) apontou ontem que um dos maiores problemas no tratamento de saúde mental do território é o próprio estigma dos residentes em pedir apoio psiquiátrico. O número de mortes por suicídio tem vindo a crescer nos últimos anos em Macau, com a melhoria dos serviços de apoio à saúde mental da população a ganhar maior destaque na discussão de saúde pública. Em 2025, foram registados 91 casos de suicídio no território com apenas 689 mil habitantes, segundo dados da direção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC), um dos números mais elevados de sempre na cidade. Segundo Alvis Lo, os SSM disponibilizam actualmente 10 especialistas de saúde mental no Serviço de Psiquiatria do hospital público Conde de São Januário, com 160 médicos de diferentes especialistas a terem recebido treino para providenciarem serviços de saúde mental. “Temos também um mecanismo de saúde mental comunitário, e de encaminhamento para o hospital público. Nós queremos que os cidadãos possam receber atendimento o mais cedo possível”, apontou o diretor dos SSM. No entanto, Lo alertou que um “problema essencial” reside na resistência dos próprios residentes em procurar apoio quando confrontados com problemas de foro psicológico. “Pensam que serão considerados fracos mentalmente ou serem descritos como alguém com problemas mentais. Nós queremos encorajar as pessoas a procurar apoio e temos serviços disponíveis”, indicou Lo. Dados essenciais As autoridades de saúde da cidade chinesa semi-autónoma anunciaram ontem um novo inquérito sobre a saúde, para questionar cerca de 3.000 residentes com mais de 18 anos sobre vários indicadores de saúde. Numa conferência de imprensa ontem, a chefe do Centro de Prevenção e Controlo de Doenças dos SSM, Leong Iek Hou, indicou que o inquérito pretende articular os trabalhos de saúde publica com informação do estado de saúde dos residentes e aumentar a consciência dos mesmos sobre a prevenção. Além de testes médicos para os voluntários, o inquérito terá também pela primeira vez uma componente de avaliação de saúde mental. “Desta vez teremos alguns itens para saber algumas coisas sobre saúde mental, como ansiedade, insatisfação ou a qualidade do sono. Perguntamos se o residente está a utilizar o nosso serviço de assistência e se conhece esses serviços. Com estes dados vamos tomar como referência para as nossas políticas de futuro”, apontou Leong. Como prevenir Numa resposta a perguntas da Lusa sobre as estratégias planeadas para prevenir o aumento de casos de suicídio, os SSM apontaram que as causas “são complexas e envolvem frequentemente doenças mentais, factores psicológicos, socioeconómicos, familiares, de relações interpessoais e biogenéticos”. Apesar da complexidade do assunto, os SSM sublinharam que “o suicídio pode ser prevenido” e que a prevenção eficaz exige “a atenção e participação activa de todos”. Para reduzir a ocorrência de casos, os responsáveis da saúde pediram aos residentes que “no seu dia-a-dia, mantenham um contacto próximo, comuniquem mais e prestem atenção às pessoas à sua volta”, incentivando aqueles que enfrentam perturbações emocionais a procurar apoio profissional. Segundo os SSM, actualmente, os nove centros de saúde da cidade disponibilizam serviços de saúde mental, complementados por psicoterapia financiada pelo Executivo e prestada pela União Geral das Associações dos Moradores de Macau e pela Associação das Mulheres de Macau. Foi também criada a uma linha aberta de apoio emocional disponível 24 horas por dia e uma aplicação de “Autoverificação Emocional”, que permite aos residentes avaliar o seu estado psicológico. Todos aqueles que estejam emocionalmente angustiados ou considerem que se encontram numa situação de desespero devem ligar para a Linha Aberta “Esperança de vida da Caritas” através do telefone n.º 28525222 de forma a obter serviços de aconselhamento emocional.