Armazém do Boi | Três artistas apresentam visões de Macau em exposição

“Land and Sea” é a nova exposição acolhida pelo Armazém do Boi e que abre ao público amanhã. Com trabalhos de David Fank, esta exposição resulta de experiências pessoais do artista na região da Grande Baía, incluindo cidades com Macau, Zhuhai e Guangzhou. Destaque ainda para as exposições de Yuan Zeqiang e Fan Xianxin

É inaugurada amanhã uma nova exposição no Armazém do Boi. Trata-se de “Land and Sea” [Terra e Mar], da autoria de David Fank, e que pode ser vista até Fevereiro. Segundo uma nota do Armazém do Boi, a mostra divide-se em duas instalações principais, com as temáticas da “Terra” e “Mar”, revelando um “espaço expositivo construído como uma sala onde o azul e o verde se encontram, servindo como a versão do artista de um ‘mapa'”

É nesta espécie de mapa que se mostram as “experiências pessoais de viagem” do artista pela região da Grande Baía, nomeadamente em locais como Macau, Zhuhai e Guangzhou, sem esquecer Pequim. O público pode ver “uma interpretação dessas diversas perspectivas geográficas”, em que David Fank cria “acções como caminhadas, fotografia e objectos que ancoram e geram este mapa”.

“Estas cristalizam-se na sua compreensão dos significados por trás destes espaços e, naturalmente, na mudança desses significados – o olhar e as associações do artista, em certo sentido como um ‘outsider’, tornam-se assim manifestos”, é ainda explicado.

Amanhã cabe a Wang Jing fazer uma introdução à exposição, com início às 16h, sendo “Land and Sea” resultado de uma residência artística realizada por David Fank no Armazém do Boi, nomeadamente com o “Programa de Residência Artística 3+0/1+1 (Macau / Projecto 2025)”.

David Fank nasceu em 1984, tem licenciatura e mestrado pela Escola Superior de Belas Artes de Paris e também um doutoramento atribuído pela Academia Central de Belas Artes de Pequim, China. Trabalha essencialmente com fotografia, instalação e escultura.

A pedra como origem

Outra mostra que também pode ser vista no Armazém do Boi a partir de amanhã, é “Seak Kam Tong”, de Yuan Zeqiang, com curadoria de Hu Bin. Esta mostra é ainda resultado do mesmo programa de residência artística que acolheu o trabalho de David Fank.

Aqui, Yuan Zeqiang estabelece uma relação da arte com a pedra, e por sua vez com o próprio território. “A relação com a pedra começa no momento em que se entra em Macau: sob os pés, temos o piso de pedra em mosaico”, onde se inclui a calçada portuguesa, além de que “o Templo de A-Má foi erguido sobre uma colina rochosa, tendo-se tornado num local onde moradores e visitantes recorrem na qualidade de apoio espiritual”.

Apresentam-se, nesta mostra, “colagens tridimensionais que revelam as dualidades e verdades da vida moderna”, onde Yuan Zeqiang explora as diferentes dimensões, perspectivas e significados das pedras num território como Macau.

“A calçada portuguesa, de pedra fragmentada, em Macau é um legado da história colonial portuguesa, e este meio material homogéneo parece reflectir o choque e a fusão de múltiplas culturas na cidade. No quotidiano, a pedra surge como um elemento paisagístico onipresente, sendo algo particularmente evidente em Macau”, indicou Yuan Zeqiang, citado na mesma nota.

Relação com o mar

Ainda no Armazém do Boi, o público pode ver “Standing Wave Manifold”, de Fan Xianxin, com curadoria de Sun Xiaoyu, que explora a relação de Macau com a água e a forma como o território se foi construíndo com permanentes mutações.

“‘Mar-Espelho’ é um dos muito nomes que Macau foi tendo ao longo da sua história. Essa imagem remete para um estado de imobilização situado num tempo e espaço específicos. Nesta cidade cercada por água, a fronteira entre água e terra tem sido continuamente reconstruída desde o século XIX até aos dias de hoje, sendo que a evolução das denominações tem ocorrido juntamente com as trajectórias mutáveis dos sistemas, do poder e da identidade”, do próprio território, explica uma nota sobre a exposição.

A artista, que também realizou um período de residência artística no Armazém do Boi, analisa Macau “a partir de observações e deslocações”, tentando “compreender como sistemas, paisagens e o Feng Shui actuam de forma conjunta na conformação do nosso quotidiano concreto e minucioso”.

Nesta exposição apresentam-se conceitos como “ondas estacionárias” e “variedades” que não são apenas físicos, mas revelam “estruturas de um equilíbrio dinâmico que se formam com a interferência de duas ondas que vão em direcções opostas, mas que constituem um método para interpretar o processo de modernização de Macau”.

Tenta-se, assim, compreender “a complexa totalidade que é tecida por incontáveis fragmentos, todos eles interligados”. Assim, “Standing Wave Manifold” centra-se na procura pela investigação “de uma estrutura de ‘mobilidade’ construída a partir do ‘movimento'”, descreve-se.

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