Manchete PolíticaCoutinho pede que análise de preços inclua Zhuhai Andreia Sofia Silva - 30 Set 2026 O deputado Pereira Coutinho interpelou o Governo quanto à necessidade de alterar o modelo de análise e comparação de preços porque a maioria das famílias faz compras em Zhuhai, aproveitando os preços mais baixos do outro lado da fronteira. Na interpelação escrita, intitulada “Alargamento geográfico do leque de fiscalização dos preços dos bens essenciais”, Coutinho pede ao Conselho de Consumidores (CC) que a plataforma online de comparação do custo de mais de 600 produtos em 100 supermercados locais, inclua também Zhuhai. “Com o aprofundamento da integração entre Macau e a Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau, e com a constante melhoria contínua das condições de travessia fronteiriça, é hoje uma prática comum para milhares de famílias – desde as que se deslocam a pé às que, de classe média, utilizam viatura própria – que adquirem bens alimentares e produtos em Zhuhai.” Coutinho recorda a “inauguração de enormes centros comerciais com vasto e moderno parque de estacionamento situados no posto fronteiriço de Gongbei”, bem perto de Macau, e que disponibilizam “uma vasta gama de produtos a preços significativamente mais baixos, frequentemente 30 a 50 por cento inferiores aos praticados em Macau”. Uma questão de utilidade O deputado entende, tendo em conta a mudança no consumo, que o formato levado a cabo pelo CC para analisar os preços se tornou “anacrónico e desprovido de utilidade prática para o cidadão comum”. “Impõe-se, assim, que o Governo de Macau reflicta sobre o verdadeiro papel do CC nesta era de mobilidade rumo ao [conceito] de ‘sem fronteiras’, questionando se o esforço público não deveria ser redirecionado para uma comparação de preços que seja do interesse dos consumidores de Macau, ou seja, a comparação directa entre os preços praticados em Macau e os praticados em Zhuhai (e em Hengqin)”, lê-se na interpelação. Pereira Coutinho questiona ainda se o Executivo pondera “reavaliar a continuidade da actual investigação de preços”, que é “meramente local e bastante restritiva”. O deputado sugere mesmo “a suspensão ou reformulação desse serviço para afectar recursos humanos e orçamentais a áreas de fiscalização que protejam o consumidor face à concorrência directa com a oferta do exterior da RAEM”.