Ai Portugal Vozes25 anos é muito tempo André Namora - 14 Set 2026 Apresento ao público o meu blogue há muitos anos. Sei perfeitamente quanto é difícil manter diariamente notícias que interessem ao público leitor. A dificuldade na procura de informação credível e séria é uma luta que qualquer escrevinhador mantém consigo próprio. Possuir inspiração para titular, escrever e escolher fotografias resulta numa produção final que nunca pode agradar a gregos e troianos. Uma vez, aqui na Guarda, onde resido, recebi um convite para escrever artigos para uma nova revista que iria ser criada no Fundão. Torci o nariz. No Fundão? Terra onde existe um dos melhores e mais históricos jornais portugueses? Logo pensei que essa revista não iria ter muito tempo de vida. E acertei em cheio. Escrevi três artigos para que ficassem a aguardar publicação. O proprietário da futura revista iniciou uma laboração com um ou outro jornalista, um gráfico, uma revisora e uma senhora que devia atender as chamadas para a redacção e gerir a publicidade que fosse contratada com a administração da publicação. Bem, meus amigos, o que vos posso dizer é que na preparação do primeiro número, todos os que estavam empenhados na funcionalidade para produzir algo que informasse o público, começaram a ficar frustrados e impotentes por sentirem a dificuldade que seria apresentar um produto jornalístico apelativo. A revista nem teve o seu início… Vem isto a propósito, de ter ficado surpreendido com a história do diário Hoje Macau. Perguntei a mim mesmo como é que o Carlos Morais José e a sua equipa conseguiam manter diariamente um jornal com tanta diversidade de informação, com tanta divulgação da cultura chinesa, com tanta história da realidade que foi patenteada durante 500 anos em Macau, com a defesa de uma comunidade macaense que a administração portuguesa nunca soube acarinhar, com raríssimas contestações do que era publicado e com tanta qualidade gráfica, com notícias de grande interesse, com editoriais fulminantes, com colaboradores de um nível excelente, com páginas cheias de publicidade e com capas que estavam ao nível do meu jornal preferido, o Libération. Bendita a hora em que fui surpreendido. O director do Hoje Macau leu na net o que escrevia no meu blogue e convidou-me para colaborador do seu jornal. Que honra, que satisfação, que desafio, que responsabilidade por ir pertencer a uma equipa de excelência no mundo do jornalismo em terras do Oriente. Obviamente que há cerca de cinco anos aceitei de imediato. A referida responsabilidade que senti fez com que interiorizasse algo que nunca tinha pensado: estar atento ao que se passava semanalmente em Portugal e poder saber escrever para os leitores de um jornal tão prestigiado. Este mês, o Hoje Macau festejou os seus 25 anos de inserção no mundo do jornalismo com qualidade. 25 anos é muito tempo. Um quarto de século a apresentar novidades de Macau, da China, de Portugal e de todo o mundo. Que trabalho árduo de uma equipa que tem forçosamente de ser de enorme qualidade. Para essa equipa que produz o Hoje Macau sou obrigado, por consciência, a enviar-lhe os maiores encómios, especialmente ao Carlos Morais José, que decidiu encerrar um ciclo e passar a pasta da direcção do diário ao jornalista experiente e grande profissional, o João Luz. Pela minha parte, se o novo responsável pelo jornal assim o decidir, será com muita dedicação que continuarei a colaborar nestas páginas. Mas acima de tudo, desejo sincera e solidariamente muitas felicidades aos seus mentores e muitos votos de que o Hoje Macau prossiga por mais um quarto de século. Macau, os macaenses, os chineses e todo o público leitor de língua portuguesa merecem e, certamente, desejam que o Hoje Macau possa continuar na senda do êxito. Bem hajam. P. S. – Enviei ao director João Luz a fotografia que pudesse decorar esta crónica, porque foi a capa do jornal que mais me tocou e agradou. A manchete ‘Dá-me lume’ foi para mim ‘Dá-me força’, ‘Dá-me inspiração’, ‘Dá-me saúde’, ‘Dá-me amor pelos leitores de Macau’.