Manchete SociedadeCrime | Ataque de aluno contra professora motivado por críticas anteriores João Santos Filipe - 3 Set 2026 A agressão com um líquido corrosivo causou queimaduras de terceiro grau em 18 por cento do corpo da docente, que corre o risco de perder a visão de um olho O aluno da Escola São João de Brito que atacou uma professora com um líquido corrosivo terá sido motivado por críticas anteriores. A revelação foi feita ontem pela Polícia Judiciária (PJ), durante uma conferência de imprensa em que o caso foi abordado. O estudante e a professora conheciam-se há pelo menos quatro anos. A relação entre os dois remonta ao 2.º ano do ensino secundário complementar do detido (equivalente ao 8.º ano de escolaridade), quando teve a vítima como directora de turma. No âmbito da relação escolar, a docente terá feito críticas ao aluno que nunca foram esquecidas. Os anos avançaram, mas no final do ano lectivo passado o detido começou a preparar o ataque, após ficar a saber que a docente ia voltar a ser a sua directora de turma. A informação terá sido divulgada na cerimónia de conclusão do ano lectivo anterior. De acordo com a PJ, o aluno de 18 anos terá ficado nervoso com a perspectiva de ser alvo de perseguição por parte da docente, e planeou o ataque para impedir que a professora desempenhasse as funções de directora de turma, ou, em alternativa, ser suspenso e não ter de lidar com a docente. Na manhã de terça-feira, no primeiro dia de aulas, o aluno dirigiu-se a um supermercado e comprou um produto corrosivo para desentupir canos. Já na escola, aguardou pela professora junto à porta da sala de aulas, e quando a docente surgiu atirou a solução contra o rosto e o corpo da vítima. A professora pediu imediatamente socorro, e o aluno foi retirado do local por outros professores. A docente, que tem mais de 60 anos, sofreu queimaduras químicas de terceiro grau na cara e noutras partes do corpo e corre o risco de ficar cega do olho esquerdo. Segundo o relatório médico, as queimaduras abrangeram 18 por cento do seu corpo, embora seja necessária uma nova avaliação médica para determinar a gravidade de todas as lesões e o período de recuperação. Por sua vez, o atacante ficou ferido nas mãos, e vai precisar de cerca de 15 dias para recuperar. Ofensa grave O detido está indiciado pela prática do crime de ofensa grave à integridade física, que é punido com pena de prisão entre dois e 10 anos. No entanto, se for considerado pelo tribunal que a ofensa aconteceu “em circunstâncias que revelem especial censurabilidade ou perversidade do agente”, a pena pode ser agravada em um terço. O caso foi encaminhado para o Ministério Público, e as autoridades revelaram que o detido não tem registo criminal. Na conferência de imprensa de ontem, a PJ apelou aos jovens que “mantenham a calma e a contenção perante conflitos” e que evitem “resolver os problemas com recurso à violência”. As autoridades aconselharam ainda os alunos a procurarem sempre apoio junto de pessoas em quem confiem. Também foi pedido aos pais que acompanhem mais de perto as crianças. Acto condenado O presidente e o vice-presidente da Associação de Educação de Macau, Cheang Hong Kuong e Vong Kuoc Ieng, dizem sentir-se chocados com o episódio da professora atacada com ácido por um aluno da Escola São João de Brito esta terça-feira, dia de arranque do ano lectivo. Segundo o jornal Ou Mun, os dirigentes associativos destacam que nenhuma razão justifica este acto, tendo Cheang Hong Kuong dito que este é um exemplo de como os professores enfrentam cada vez mais pressões no emprego, e também riscos para a sua segurança. Este defendeu que o Governo deve tratar o assunto com seriedade e pedir responsabilizações conforme a lei. Já Vong Kuoc Ieng disse que quaisquer actos ofensivos não podem ser tolerados em ambiente escolar, acrescentando que as escolas e famílias devem ter um método de comunicação mais estreita com os alunos. No que diz respeito aos encarregados de educação, devem ter mais atenção às mudanças emocionais e actos dos filhos, sobretudo em períodos de férias, mantendo contacto com as escolas para a prevenção de casos semelhantes no futuro, sugeriu.