Vender o filho de seis anos

Ao fim de 290 semanas de estar em contacto com os amigos leitores do ‘Hoje Macau’ escrevendo sobre este Portugal, nunca esperei que chegasse um dia em que algo de imensamente chocante viesse a lume como um episódio verdadeiro e exclusivo nas páginas de um jornal. Aviso prévio: que todos os pais que tenham filhos menores não lhe caiam as lágrimas pela face, tal como nos aconteceu, ao lerem o que vos vou divulgar.

Passei uma semana em Lisboa, em casa de um casal de sobrinhos e ao ir tomar café com um vizinho de longa data, a dado momento, ele disse-me: “Você que tem um blogue e que divulga o que se passa no nosso país e no mundo, vou-lhe contar um caso do mais chocante que tive conhecimento na vida”. Fiquei ansioso e aguardei por ouvir o que me tinha para contar.

Aconteceu que um filho de um amigo do meu interlocutor, um jovem de 30 anos, que é acompanhante de luxo profissional e tem anúncio dos seus préstimos num site de gays, um dia, recebeu uma mensagem de uma criatura perguntando-lhe se estava interessado em ganhar 150 euros por hora, para se deslocar a sua casa a fim de ter sexo anal com o seu filho de seis anos de idade. O jovem ficou chocado e respondeu que apenas fazia serviços com maiores de 18 anos. Nunca imaginou tal desplante.

A partir desse momento, começou a trocar mensagens com a criatura deplorável na tentativa de obter o maior número de informação para poder tomar uma posição sobre o que para ele era um crime infame. Numa mensagem, o pai da criança afirmou que não havia problema nenhum porque o seu filho “já estava acostumado” a ter sexo anal e oral com ele (pai) e inacreditavelmente com outros homens que já lá tinham ido a casa para o efeito e que não se importavam de abusar sexualmente do filho porque eram bem pagos.

O acompanhante de luxo insistiu na recolha de mais informação e conseguiu que o pai da criança escrevesse o seu nome, a morada e até o andar do prédio onde residia. Mensagens escritas e de voz, fotografias do pai e da criança, ficaram totalmente registadas no telemóvel do acompanhante de luxo, o qual durante dois dias nem conseguiu dormir só de pensar que um pai vendia assiduamente o corpo de um filho com apenas seis anos.

Agora, que os amigos leitores ficaram certamente chocados e perplexos, adiantamos algo de ainda mais surpreendente. O acompanhante de luxo ligou para a esquadra da PSP do seu bairro e contou ao agente que o atendeu, tudo o que tinha acontecido. O agente policial perguntou se tinha provas do que acabara de afirmar. O acompanhante de luxo salientou que estava na disposição de se deslocar à esquadra policial a fim de se identificar pessoalmente, de mostrar todas as mensagens, gravações e fotos trocadas com o pai criminoso. O agente limitou-se a responder que iriam averiguar o assunto.

Como o acompanhante de luxo, entretanto, tinha fornecido o nome do pai criminoso e a morada, o agente policial acrescentou que mais tarde se se confirmasse o descrito que contactavam o acompanhante de luxo para se deslocar à esquadra e abrir-se um processo para que o pai criminoso fosse presente à Polícia Judiciária.

Passaram seis meses e o acompanhante de luxo estranhou que não tivesse sido contactado pelas autoridades policiais. Ligou para a esquadra e ao abordar novamente o assunto gravíssimo do que se tratava, responderam-lhe que seria melhor contactar com a Polícia Judiciária, sem que tivesse sido informado das diligências que a PSP tinha realizado.

O acompanhe de luxo salientou ao meu interlocutor, quando descreveu o que tinha acontecido, ter ficado com a sensação que na esquadra policial não teriam dado muita importância ao caso por, talvez, ser já habitual receberem queixas semelhantes e que o facto de não o terem contactado poderia estar ligado à investigação que se teria deparado com alguma personalidade “importante”.

Não, meus amigos, isto não pode acontecer. Violação sexual contínua de um menor de seis anos, incluindo pelo tarado do próprio pai. Uma autoridade policial que não notifica o denunciante para que se abra um processo criminal. Não se saber se o pai criminoso foi detido e presente ao tribunal. Se a criança continua a sofrer os abusos de crápulas que por 150 euros à hora se deslocam a casa do menor e o violam. Se na realidade, existirão tantos casos semelhantes. Estamos perante uma panóplia de interrogações, todas de cariz gravíssimo e que acontece na capital do nosso país.

A depravação sexual direccionada para o abuso de menores tem sido divulgada na comunicação social. Mas, nunca houve conhecimento público de que um pai, certamente com perturbação mental, vendesse o corpo do seu filho com seis anos. Chocante, perturbador e surpreendente quando um denunciante ainda não conseguiu que um bandido fosse incriminado.

P. S. – Contactámos uma associação de defesa de menores que nos prometeu ir entrar em ligação com o meu interlocutor, a fim de obter um depoimento do acompanhante de luxo.

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