Manchete PolíticaCasinos | Transacções suspeitas sobem 11,8 por cento Hoje Macau - 14 Abr 2026 O sector do jogo está a relatar cada vez mais transacções suspeitas de branqueamento de capitais, o que de acordo com os dados do Gabinete de Informação Financeira explica a tendência de subida O número de transacções suspeitas registadas nos casinos de Macau subiu 11,8 por cento no primeiro trimestre, em comparação com o mesmo período de 2025, de acordo com dados oficiais. O Gabinete de Informação Financeira (GIF) referiu que as seis operadoras de casinos submeteram, no total, 997 participações de transacções suspeitas de branqueamento de capitais ou de financiamento do terrorismo. Segundo estatísticas divulgadas na sexta-feira, o GIF apontou “o aumento do número de participações de transacções suspeitas reportadas pelo sector do jogo” como a principal razão para a subida do número total, de 10,2 por cento. Entre Janeiro e Março, o gabinete recebeu 1.356 participações, sendo que 73,5 por cento vieram das concessionárias de casinos, enquanto 18,1 por cento vieram de bancos e seguradoras e 8,4 por cento de outras instituições e entidades. Os sectores referenciados, incluindo lojas de penhores, joalharias, imobiliárias e casas de leilões, são obrigados a comunicar às autoridades qualquer transacção igual ou superior a 500 mil patacas. Em 2025, o GIF recebeu 4.925 participações, menos 6,1 por cento do que no ano anterior, quando a região semiautónoma chinesa tinha fixado um recorde no número de transacções suspeitas. Casos recentes No final de Março, o Ministério Público de Taiwan acusou 10 pessoas de usarem casinos de Macau para branquear 33 mil milhões de dólares taiwaneses, provenientes de jogo ilegal na Internet. Apesar de ter sido questionado sobre o incidente, o GIF nunca se pronunciou sobre o caso. No início de Abril, especialistas em crime organizado indicaram à Lusa que Macau continua a ser um “nó fundamental para a lavagem de dinheiro” por organizações criminosas, apesar do desmantelamento do sistema de ‘junkets’. “Embora grandes sindicatos criminosos chineses tenham deslocado operações pelo Sudeste Asiático em resposta a medidas repressivas, Macau continua a ser um ponto operacional e de encontro para estas redes profundamente enraizadas”, disse Martin Pubrick, antigo membro da Polícia Real de Hong Kong e especialista em corrupção e crime organizado. “Casas de câmbio, lojas de penhores e movimentos através de cartões de crédito absorveram essa procura, o que pode significar que a lavagem de dinheiro em Macau é hoje menos centralizada e menos visível”, sublinhou John Wojcik, investigador sénior da Infoblox Threat Intelligence e ex-analista do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime.