Brasil | Centro sino-lusófono abre gabinete em Junho

Um novo centro de serviços económicos entre a China e os países lusófonos e hispânicos vai abrir em Junho um gabinete no Brasil, com outra delegação planeada para Portugal, disse ontem à Lusa uma dirigente. A vice-coordenadora do Centro de Serviços Económicos e Comerciais entre a China e os Países de Língua Portuguesa/Espanhola, conhecido como CECP, anunciou que o gabinete no Brasil já foi registado.

Ng In Cheong acrescentou que outra delegação deverá abrir no México “no Outono”, enquanto os trabalhos para abrir um gabinete em Portugal – que também cubra a vizinha Espanha – “estão a progredir”. A dirigente falava à margem de uma visita de jornalistas de Macau ao CECP, que foi criado em Dezembro, na vizinha zona económica especial de Hengqin (ilha de Montanha), no município de Zhuhai.

Nesse mesmo mês, o líder do Governo de Macau, Sam Hou Fai, revelou que o novo centro já estava a operar, disponibilizando serviços “a nível jurídico e contabilístico” a empresas estrangeiras. O centro trabalha ainda com o Fundo de Orientação Industrial para atrair empresas para Hengqin. O valor do fundo foi em Janeiro reforçado de 10 para 30 mil milhões de yuan, disse Ng In Cheong.

Visita a Portugal

Sam Hou Fai, o primeiro Chefe do Executivo da região chinesa a dominar a língua portuguesa, irá visitar Portugal e Espanha entre 17 e 23 de Abril, na primeira deslocação internacional desde que tomou posse, no final de 2024. Ng In Cheong disse que o líder de Macau irá ser acompanhado por “mais de uma dúzia” de companhias locais e da China continental, incluindo perto de uma dezena já com operações em Hengqin.

O objectivo, explicou a dirigente, é ajudar os grupos chineses a “compreender o mercado local, realizar inspecções no terreno [e] entrarem em contacto com as autoridades e as empresas locais”. Ng deu como exemplo uma empresa de Pequim que produz “instrumentos oftalmológicos de alta precisão”, já usados para cirurgias no Hospital Kiang Wu, em Macau.

A companhia “quer mesmo expandir-se para o mercado português e abrir uma fábrica em Portugal”, sublinhou a directora-adjunta da Direção de Assuntos Jurídicos da zona económica especial. Durante a visita de Abril, o CECP pode ajudar a encontrar terrenos para a fábrica, identificar potenciais parceiros, recrutar pessoal, registar uma sucursal e contratar “advogados de confiança”, disse Ng.

A dirigente disse que Portugal é, para as empresas chinesas, “um ótimo ponto de partida para a expansão no mercado europeu”, porque os custos são mais baixos, mas os portugueses são “altamente qualificados”.

Reportagem de Vítor Quintã, agência Lusa, que viajou a convite da Comissão Executiva da Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin

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