“Rei do Jogo” taiwanês, ligado ao jogo VIP em Macau, morto no Camboja

O fugitivo taiwanês Lin Bingwen, procurado por jogo ilegal e branqueamento de capitais, foi morto a tiro no Camboja, confirmaram as autoridades de Taiwan. De acordo com a polícia cambojana, Lin foi abatido na segunda-feira à noite numa estrada isolada em Sihanoukville – cidade costeira no sudeste do país conhecida pelos seus casinos – “por três a quatro” atacantes que fugiram de imediato, referiram as autoridades do Camboja. O crime foi descrito como premeditado e está em curso uma operação de detenção, sem confirmação oficial dos motivos.

O Departamento de Investigação Criminal (CIB, na sigla em inglês) de Taiwan confirmou a morte, pondo fim a uma perseguição que se prolongava há mais de um ano e envolvia várias jurisdições.

Lin estava na lista de procurados pelo alegado envolvimento no escândalo do “88 Club”, em Taipé, considerado um dos maiores casos de banca paralela e jogo ilegal em Taiwan, com transferências ilícitas estimadas em 21,7 mil milhões de dólares taiwaneses (585,8 milhões de euros).

O caso levou à condenação de Guo Zhemin, líder deste clube privado, extraditado em 2023 e condenado em 2025 a quase 12 anos de prisão, com apreensão de activos significativos, incluindo criptomoedas. O escândalo envolveu também dezenas de agentes da polícia taiwanesa, condenados por ligações ao clube, que funcionava como espaço privado para figuras influentes dos negócios e da política.

Com antecedentes no crime organizado em Taipé, Lin esteve também ligado a um escândalo de manipulação de jogos de beisebol em 2007 e, mais tarde, integrou o sector de promoção de jogo VIP em Macau. Com o colapso desse modelo de angariação de jogadores VIP, após a prisão em Macau das maiores figuras do sector entre 2021 e 2022, passou a operar em estruturas clandestinas de banca paralela e plataformas de pagamento.

Vida nas sombras

Em 2023, foi acusado no caso “88 Club” e libertado sob caução de três milhões de dólares taiwaneses (80.962 euros), mas desapareceu no final de 2024. Durante a fuga, manteve actividade nas redes sociais, negando estar a fugir da justiça e prometendo regressar a Taiwan nos seus próprios termos.

Segundo media taiwanesas, Lin estava envolvido em operações de hotéis e casinos com parceiros chineses em Sihanoukville, cidade apontada como o centro regional de jogo ilícito e redes financeiras clandestinas. A investigação ao homicídio prossegue, sem detenções anunciadas pelas autoridades cambojanas.

O Ministério Público de Taiwan esta semana acusou 10 pessoas de usarem casinos de Macau para branquear 33 mil milhões de dólares taiwaneses (893 milhões de euros), provenientes de jogo ilegal na Internet. A operação levou à detenção de 20 pessoas, o congelamento de quase 231 milhões de dólares taiwaneses (6,22 milhões de euros) em contas bancárias e a apreensão de 2,62 milhões de dólares taiwaneses (71 mil euros) em dinheiro.

O número de transações suspeitas registadas nos casinos de Macau, capital mundial do jogo, caiu 6,1 por cento em 2025, de acordo com dados oficiais.

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