Macau Visto de Hong Kong VozesAs mil maneiras de celebrar o amor (I) David Chan - 25 Mar 2026 A 14 de Março celebra-se o Dia Branco de São Valentim, tradição que teve origem na década de 1970 no Japão. Neste dia, os homens retribuem o presente que receberam das suas amadas no Dia de São Valentim (14 de Fevereiro), como forma de expressarem os seus sentimentos. Muitas pessoas acreditam que na origem deste dia está a criação de mais uma celebração a São Valentim, mas na verdade surgiu como uma forma de promover o algodão doce, Em 1977, a antiga confeitaria “Ishimura Manseido” em Fukuoka, no Japão, incentivou os homens a retribuírem os presentes que receberam no Dia de São Valentim a 14 de Março, promovendo o algodão doce. Este dia passaria a ser conhecido como o “Dia do Algodão Doce.” Posteriormente, a Associação da Indústria de Confeitaria do Japão passou a designá-lo oficialmente como “Dia Branco de São Valentim.” O “Branco” simboliza a pureza e o amor verdadeiro. Originalmente, o algodão doce representava a gratidão; o chocolate branco simboliza o “amor puro,” e representa a esperança numa relação mais estável; doce significa “Gosto de ti” e anseio por uma relação doce e duradoura; as bolachas significam amizade, implicando uma relação calma e gentil. Os dias especiais poderão ter várias origens, mas o que as pessoas valorizam não são os presentes, mas sim as emoções que se escondem por trás deles e o tempo passado a dois. Diversas histórias verdadeiras em torno do Dia Branco de São Valentim, ocorridas recentemente, ilustram perfeitamente a beleza das várias etapas do amor. No Texas, EUA, Sara Young, uma jovem de 21 anos, soube que o namorado, que se encontrava numa missão militar, iria ter uma breve paragem de 30 minutos no Aeroporto de Dallas e que não poderia sair da área restrita. Para poderem ter aquela meia hora juntos, gastou cerca de 70 ÚS dólares (cerca de 560 patacas) para comprar o bilhete mais barato e passou pela segurança só para apenas ver o seu amado antes de ele embarcar. A seguir, partilhou um vídeo dos dois a abraçarem-se no TikTok, que teve 2 milhões de visualizações e que tocou os corações de inúmeros casais que se encontram longe um do outro e de familiares de militares. Esta reunião de meia hora na zona restrita do aeroporto, sem qualquer cerimónia elaborada, representou a jornada sincera dos amantes—nem a distância nem o tempo importam, nada se compara ao desejo de se verem um ao outro. Em Taiwan, na China, no Dia Branco de São Valentim, o artista Koo Chun-yeop explicou numa entrevista o que é para ele o romance. Disse que hoje em dia o romance não implica comprar joalharia cara, implica sim cozinhar para si e para a pessoa que ama. Recentemente, quando Barbie Hsu (Da S) estava adoentada, ele ficou em casa para tratar dela. Para ele, desde que a sua companheira esteja feliz, todos os dias são Dias Brancos de São Valentim. Este casal exemplifica os aspectos mais tocantes do amor na meia idade. Tendo já deixado para trás os dias apaixonados do namoro, a forma mais preciosa do amor é ter alguém que nos dê abrigo durante as tempestades da vida, certificando-se que comemos e dormimos bem. Uma simples refeição caseira, um terno momento de companheirismo—são estas as mais raras formas de romance do mundo inteiro. Também, em Taiwan, na China, no Dia Branco de São Valentim deste ano, o Gabinete do Município de Beigang, em Yunlin, organizou o evento “Meio Século Juntos, o Amor Nunca Desaparece” para homenagear casais exemplares que celebravam as bodas de ouro e de diamante, e os 36 casais partilharam as suas experiências. Aos seus olhos, o amor duradouro não vive de grandes gestos, mas sim de compreensão mútua e de tolerância no dia a dia. Mesmo depois de décadas juntos, ainda desejam criar pequenas surpresas um para o outro — esta é a chave de uma relação que resiste ao teste do tempo. Hoje fomos ao encontro de histórias de amor de jovens, de casais de meia idade e de casais idosos, mas ainda temos mais histórias de amor tocantes para partilhar no Dia Branco de São Valentim. Continuaremos a contá-las aos nossos leitores na próxima semana. Consultor Jurídico da Associação para a Promoção do Jazz em Macaue a ir Professor Associado da Faculdade de Ciências de Gestão da Universidade Politécnica de Macau cbchan@mpu.edu.mo