PolíticaRota das Letras | Cartaz dos últimos dias com teatro, poesia e cinema João Luz - 13 Mar 2026 Com a última sessão marcada para o fim da tarde de domingo, o Rota das Letras tem uma programação recheada com mais de duas dezenas de eventos nos últimos três dias. Hoje, o dia arranca com três sessões simultâneas, às 18h30, em três espaços distintos da Casa Garden. Na sessão “Versos em Trânsito” o escritor chinês Lu Jian irá juntar-se aos autores locais Si Tou Chi U e Lei Ka Io. À mesma hora e local, Thomas Bird apresenta o livro “Harmony Express”, um testemunho pessoal da transformação do sistema ferroviário da China que aconteceu quase por acaso. Sem namorada, com uma banda de rock em dissolução e com o emprego como editor numa revista em Shenzhen no espelho retrovisor, as linhas de comboio passaram a ser as musas de Thomas Bird. Da vertigem da linha de alta velocidade entre Shenzhen e Xiamen, ao comboio de levitação magnética até Xangai, à travessia de Sichuan a bordo de um comboio a vapor, o autor traça um retrato de um país em transformação. À mesma hora, também na Casa Garden, João Miguel Tavares fala dos livros que têm o poder para marcar vidas. A programação do festival literário prossegue hoje à noite com uma proposta cinematográfica, com a exibição de “Restos do Vento” no Cinema Alegria às 21h15. O filme de Tiago Guedes tem como pano de fundo uma tradição pagã que se cumpre numa vila do interior de Portugal e a forma como afecta um grupo de jovens. A noite de hoje termina com uma festa de arromba no DD3, na Doca dos Pescadores, com a celebração dos 40 anos da RUC (Rádio Universidade de Coimbra), com o início das festividades marcado para as 23h. Fim-de-semana largo O dia começa amanhã com o festival literário na rua, com mais uma edição de “Um Passeio com História”, desta vez liderado por Jason Wordie, que promete relevar os segredos dos bairros antigos da cidade. O passeio tem como ponto de partida a Casa Garden às 11h. As hostilidades literárias de sábado na Casa Garden arrancam às 15h com a sessão “Escrever o Futuro”, conduzida por Wang Nuonuo que irá discorrer sobre “a importância da ficção especulativa num mundo em rápida transformação”. À mesma hora e local, está marcada uma sessão sobre a obra e influência de José Maneiras na arquitectura e gestão urbana de Macau, com Rui Leão, Luís Sales Marques e Jorge Neto Valente a conduzirem a conversa. A partir das 16h, arrancam mais três painéis no epicentro do Rota das Letras. Bi Feiyo e Xie Youshun vão discutir os limites entre escrita, humanidade e inteligência artificial. Também às 16h, a jornalista do HM Andreia Sofia Silva apresenta o seu primeiro livro “O Lápis Vermelho: A Censura do Estado Novo à Imprensa de Macau”. À mesma hora, no auditório da Casa Garden é exibido o documentário “Maneiras”, realizado por António Sanmarful, sobre o pioneiro do modernismo arquitectónico do território. Às 17h segue-se a sessão “Do Engano ao Populismo. Paralelos e contrastes de como líderes carismáticos exploram o descontentamento social”, que irá incidir sobre os livros “José Sócrates: Ascensão”, de João Miguel Tavares, “Por Dentro do Chega”, de Miguel Carvalho, numa conversa entre os autores. À noite, é a vez do pequeno auditório do Centro Cultural de Macau emprestar o palco à peça “À Primeira Vista”, com interpretação de Margarida Vila-Nova e encenação de Tiago Guedes. A peça terá duas sessões, amanhã às 20h30 e no domingo às 16h. O dia da despedida No domingo, o derradeiro dia da edição deste ano do festival literário, a primeira sessão, marcada para as 14h30, conta com um dos pólos do turismo sul-coreano: Sokcho. Elise Shua Dusapin vai discutir o legado cinematográfico da região, com base no seu primeiro romance. A palestra será um preâmbulo para a apresentação do filme baseado em “Inverno em Sokcho”, que terá lugar na Cinemateca Paixão, às 16h30. O legado europeu e celta na história de Hong Kong estará em evidência numa sessão dirigida por Mark O’Neill a partir das 15h. Meia hora depois, será a vez Dora Gago apresentar as múltiplas visões sobre a obra de Rodrigo Leal de Carvalho. O meio século da morte de Luís Gonzaga Gomes será o mote para a sessão que, a partir das 16h, irá focar-se no legado do “camonista de Macau”. O orador convidado é José Carlos Canoa. Às 16h45 de domingo será apresentado o livro “Fractures” de Carlos Andrés Gómez, que irá discutir identidade, masculinidade e o poder da poesia. Antes da derradeira sessão, haverá ainda tempo para apresentar obras lançadas pelo Instituto Internacional de Macau, como “Oseo Acconci e as suas obras”, de Jane Lei, ou “A Vitória de Macau” de Rodrigo de Matos”, e “A Canção de um Deslumbrante Poeta Menor”, de Lu Jian, com a chancela da Livros do Meio. O festival termina de forma apropriada, com uma sessão de poesia conduzida por Carlos Morais José, Carlos Andrés Gomez, Lu Jian e Yao Feng.