Ai Portugal VozesÉ preciso saber governar André Namora - 16 Fev 2026 No dia em que a ministra da Administração Interna tomou posse falámos com um comandante da Guarda Nacional Republicana (GNR) que nos disse “Ai, meu caro, esta ministra Maria Lúcia Amaral vai ser um desastre… a senhora é muito boa jurista, mas não tem a mínima habilidade para lidar com homens de barba rija, nem faz a mínima ideia do que são as forças de segurança e o que é preciso mudar num panorama tão perturbado e obscuro”. O comandante tinha razão. A ministra foi uma página negra do actual Governo e acabou por se demitir em tempo de calamidade. Tinha forçosamente de se demitir. Já era “bobo da corte” no seio da PSP, GNR e Proteção Civil. A senhora deixou o país atónito quando só passados três dias da tempestade Kristin atingir Leiria e Marinha Grande é que veio a público dizer… nada! Vários políticos e comentadores de televisão há muito que se tinham pronunciado no sentido de o primeiro-ministro substituir a ministra da Administração Interna. Luís Montenegro fez ouvidos de mercador e o resultado foi igual à catástrofe que tem atingido o território nacional. Montenegro olhou ao redor para os seus amigos e não encontrou no imediato um novo ministro para uma pasta tão importante. Montenegro não tem uma visão da realidade. Por sinal, Portugal tem uma personalidade que devia ser logo convidada, caso estivesse disposta, a ocupar o cargo de ministro da Administração Interna. Saber coordenar Forças Armadas com GNR, PSP, Bombeiros e Proteção Civil somente o almirante Gouveia e Melo. E viu-se na pandemia da Covid-19. Não votámos no candidato presidencial Gouveia e Melo, mas reconhecemos a sua postura de organizador, coordenador e com seriedade para ocupar o lugar de ministro da Administração Interna em tempos difíceis para o país, que se encontra de Norte a Sul numa situação de tragédia. Na semana passada até o inimaginável aconteceu. Nunca ninguém, muito menos um governante de infraestruturas, pensou que a principal autoestrada do país, a A1 que liga Lisboa ao Porto, pudesse colapsar devido à ruptura de um dique no rio Mondego. Na zona de Coimbra os automobilistas irão estar durante meses privados de usar a autoestrada. Voltamos sempre ao mesmo: é preciso saber governar. E o Governo no início das tempestades que têm assolado o país não esteve à altura dos trágicos acontecimentos. Nem sequer inseriu no planeamento de um novo apagão ou outro tipo de catástrofe, o armazenamento de uma substancial existência de geradores. Seria o mínimo. Ainda estão mais de 20 mil portugueses sem electricidade, passadas duas semanas da primeira tempestade que derrubou postes de energia e inundou postos de abastecimento. A verdade, é que milhares de portugueses têm sido desalojados das suas casas, de lares e evacuados de aldeias cercadas por água. Na zona de Coimbra os fuzileiros navais não param um dia de transportar pessoas, alimentos e outros bens nos seus carros anfíbios. Há pessoas que ficaram sem nada. Uma vida para construir uma casa e de um dia para o outro viram-se completamente sem o que reuniram durante anos. As terras em diversos locais do país estão saturadas de água e nos próximos tempos, segundo os especialistas, essas terras vão-se abater e as moradias que estiverem no seu caminho serão destruídas. Até em Porto Brandão, ao lado da Trafaria, e na Costa de Caparica as derrocadas das arribas provocaram centenas de desalojados. E a Câmara Municipal de Almada durante anos não previu que a tragédia pudesse acontecer? Temos muitos e competentes autarcas em Portugal, mas também temos incompetentes e corruptos que só se preocupam com a construção de rotundas e de outras obras megalómanas para espanhol ver. A reconstrução desta calamidade que atingiu Portugal vai demorar anos e uma das obras mais importantes, a instalação das linhas eléctricas subterrâneas já teve o veredicto “solidário” da União Europeia: não concede apoios para tal. E é assim que os portugueses vão assistindo a um país inundado, com a agricultura destruída, com casas e fábricas que desapareceram e com uma fila infindável de camiões que transportam muito do que alimenta a população, devido a um viaduto de autoestrada que colapsou, e sabe-se lá de que forma teria sido construído… apenas esperamos que no futuro saibam governar com o objectivo de proporcionarem aos portugueses uma vida melhor e mais pacífica.