EventosMAM | Macau recebe mostra de Vieira da Silva no final do ano Andreia Sofia Silva - 5 Fev 20265 Fev 2026 O Museu Arpad Szenes – Vieira da Silva, dedicado à obra da pintora portuguesa Maria Helena Vieira da Silva e do artista Arpad Szenes prepara-se para apresentar na RAEM uma mostra que faz a retrospectiva do trabalho de uma das mais influentes artistas portuguesas contemporâneas, falecida em 1992 O Museu de Arte de Macau (MAM) uniu esforços ao museu da Fundação Arpad Szenes-Vieira da Silva, sediado em Lisboa, para apresentar uma mostra retrospectiva do trabalho da pintora portuguesa Maria Helena Vieira da Silva, tido como um dos grandes nomes da arte portuguesa contemporânea. Esta mostra faz parte do plano de actividades para este ano do Museu Arpad Szenes-Vieira da Silva e foi revelado à Lusa por Nuno Faria, seu director, quando questionado sobre o plano de internacionalização do espaço museológico. A exposição em Macau será composta por obras da colecção da instituição, integrando-se “num contexto de crescente interesse internacional pela artista”. “Fomos desafiados pelos nossos parceiros para fazer em Macau uma exposição ampla com obras da nossa colecção e de outras colecções, e estamos a trabalhar nessa mostra, que acontecerá no final do ano e coincidirá com a antológica de Arpad Szenes em Lisboa”, avançou o responsável. De acordo com Nuno Faria, as recentes exposições da obra de Maria Helena Vieira da Silva “suscitaram um muito visível interesse na exposição retrospectiva no Museu Guggenheim em Bilbau, que veio lançar uma nova luz” sobre a obra da artista portuguesa. “Esta será a primeira grande exposição da Vieira [da Silva] na China”, vincou o director do museu inaugurado em 1994 na antiga Fábrica das Sedas, nas Amoreiras, em Lisboa, na sequência da constituição da Fundação Arpad Szenes-Vieira da Silva, em 1990, destinada a acolher e divulgar o espólio dos dois pintores. Ainda no que diz respeito à internacionalização, está prevista a apresentação na Embaixada de Portugal, em Haia, nos Países Baixos, de uma exposição dedicada à obra gráfica de Vieira da Silva, reunindo um núcleo significativo da colecção da fundação. Duplas e coincidências De resto, o ano de 2026 reserva para o Museu Arpad Szenes-Vieira da Silva exposições dedicadas a Rui Sanches, João Paulo Feliciano e Lourdes Castro, sendo que o plano anual de exposições está organizado em três ciclos. Em Lisboa, o museu vai receber exposições, entre outros artistas, de Teresa Segurado Pavão, Frida Baranek, Vasco Futscher, Carlos Noronha Feio, Mariana Caló e Francisco Queimadela. Nuno Faria disse que o programa de exposições irá continuar a valorizar a obra dos artistas fundadores e a promover o diálogo com a criação contemporânea, a par da aposta na circulação internacional da colecção “rica, ampla e diversa” da instituição. O primeiro ciclo expositivo inaugura já a 10 de Fevereiro e inclui a mostra “Arpad Szenes e Vieira da Silva: núcleos da colecção”, reunindo obras fundamentais dos dois artistas, “organizadas numa leitura diacrónica e temática que evidencia a evolução e as principais linhas das suas produções”. No mesmo período, será apresentada “Ensaios em Imobilidade e Movimento Secreto”, que junta esculturas de Rui Sanches e Teresa Segurado Pavão, numa colaboração inédita entre os dois artistas. “São dois artistas que têm esta feliz coincidência – como a Vieira da Silva e o Arpad Szenes – de serem um casal, Rui Sanches dedicado à escultura e ao desenho, e Teresa Pavão à cerâmica e ao têxtil”, apontou Nuno Faria, salientando que, segundo os autores convidados, “esta parceria inédita a quatro mãos será irrepetível”. O segundo ciclo expositivo do museu decorre de 21 de Maio a 13 de Setembro e inclui uma nova apresentação dos núcleos da colecção de Arpad Szenes e Vieira da Silva, aprofundando a leitura da obra, e uma exposição dedicada a Lourdes Castro (1930-2022), com desenhos iniciais inéditos, obras e documentação das décadas de 1950 e 1960, desenvolvida em parceria com o MUDAS — Museu de Arte Contemporânea da Madeira. O terceiro ciclo será dedicado quase integralmente a uma exposição antológica da obra de Arpad Szenes (1897-1985), baseada em investigação aprofundada sobre a sua produção pictórica e gráfica, com o objectivo de apresentar novas leituras do trabalho do artista e promover a circulação internacional do projecto. “Essa é talvez a exposição mais desafiante que vamos fazer este ano”, avaliou o director do museu à Lusa, avançando que será dedicada a totalidade do espaço do museu a Arpad Szenes.