WTCR | Melhores condições para os pilotos locais

A Taça do Mundo FIA de Carros de Turismo (WTCR) está a atravessar um calvário que começou mesmo do início do surto do novo tipo de coronavírus. Com metade do calendário decepado e dúvidas sobre se este irá mesmo arrancar, o promotor da competição, a Eurosport Events, tenta encontrar soluções para vários os problemas, como oferecer melhores condições aos pilotos e equipas

 

Depois de ter perdido o maior patrocinador do campeonato, a Oscaro, a WTCR viu Marrocos cancelar o seu evento porque a sua estrela, o piloto marroquino Mehdi Bennani, não conseguiu reunir apoios para agarrar um volante a tempo inteiro. Depois, com a propagação do novo coronavírus, perderam-se as provas da Hungria, Alemanha, enquanto que as viagens à Eslováquia e a Portugal estão em sério risco de não se concretizarem.

“Estamos a monitorizar de perto a situação em cada um dos nossos eventos da WTCR e estamos em contacto com os organizadores para recebermos actualizações sobre as decisões das autoridades nacionais e locais”, disse Xavier Gavory, Director da WTCR, quando questionado pelo portal SportMotores.com.

Com um cenário de recessão a assombrar a economia mundial, a Eurosport Events tomou uma série de medidas. Em vez de três corridas, a WTCR terá, como tinha o WTCC, duas corridas por fim-de-semana, ambas a serem realizadas no domingo de cada evento. Contudo, devido à anulação de provas, a organização do campeonato tem procurado encaixar as corridas perdidas em eventos posteriores. As provas passam agora a ser de apenas dois dias, em vez de três, podendo haver excepções, como será o caso de Macau. Sábado fica para as sessões de treinos-livres e qualificação, sendo que no domingo realizam-se as corridas. A qualificação única terá três fases.

“Temos que actuar decisivamente e de forma responsável para proteger a WTCR, mantendo-a forte para as partes interessados, apelativa junto dos fãs e da imprensa e assegurar que continua atractiva e acessível a novas equipas privadas”, explicou François Ribeiro, o CEO da Eurosport Events, sobre as providências implementadas.

Outras medidas introduzidas em Fevereiro, com o objectivo de cortar nas despesas, ditaram uma redução no pessoal por equipa a trabalhar nas provas e no número de pneus “slicks” novos a usar por fim-de-semana.

Tiago Monteiro confirmado

Antes mesmo da crise causada pela pandemia em curso, a Taça Mundial já estava com dificuldades quanto ao número de inscritos. A Volkswagen e Audi retiraram o apoio às suas equipas no campeonato e a formação que tomava conta dos Alfa Romeo irá concentrar-se num outro projecto, decisões que totalizaram oito baixas. Sendo assim, apenas estão confirmadas as presenças de quatro Lynk & Co, de quatro Hyundai, de quatro Honda e de dois Audi.

Este os pilotos confirmados está o português Tiago Monteiro. O portuense que venceu no Circuito da Guia em 2016 vai regressar este ano ao campeonato com a equipa Munnich Motorsport, visto que a equipa KCMG de Hong Kong abandonou o campeonato para se focar noutras categorias. A estrutura alemã irá ocupar-se dos quatro Honda Civic Type-R inscritos na WTCR e Monteiro terá como companheiros de equipa os argentinos Esteban Guerrieri e Néstor Girolami e o húngaro Attila Tassi.

Atrair os locais

Como ninguém acredita que as grelhas de partida irão ter números nem sequer próximos aos obtidos nos dois primeiros anos, a organização do campeonato decidiu melhorar as condições para os pilotos convidados, aqueles que não participam no campeonato, mas que gostam de fazer uma ou outra prova, como acontece habitualmente no Circuito da Guia, onde alguns pilotos locais aproveitam para medir forças com os melhores do mundo.

Os “wildcards” terão agora uma inscrição mais acessível, passando esta a custar 5,000 euros/evento, um montante inferior em metade ao preço praticado em 2019. Por outro lado, estes “convidados” terão apenas que carregar 10kg de lastro suplementar nas suas viaturas, em vez dos 20kg obrigatórios anteriormente e que os tornava muito pouco competitivos logo à partida.

Recorde-se que na primeira vez que a WTCR visitou Macau, a prova contou com seis representantes do território, incluindo três de matriz portuguesa – André Couto, Filipe Souza e Rui Valente – mas o ano passado, devido aos elevados custos da participação e às limitações que têm os pequenos concorrentes privados, apenas um piloto da RAEM alinhou na prova.

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