Morreu Domingos Piedade, um amigo de Macau

Faleceu no passado sábado Domingos Piedade, uma figura incontornável do automobilismo português e grande admirador do Grande Prémio de Macau. Piedade tinha 75 anos e lutava há cerca de dois anos contra um cancro no pulmão.

O Presidente da República Portuguesa, Marcelo Rebelo de Sousa, recordou-o como “uma figura maior” que tudo fez pela projecção do automobilismo. Piedade foi um pouco de tudo, jornalista, manager ou director desportivo, destacou-se como vice-presidente da AMG e teve influência nas carreiras de pilotos mundialmente conhecidos como Emerson Fittipaldi, Michael Schumacher, Michele Alboreto ou Ayrton Senna.

Curiosamente, Piedade estava em Macau no fatídico fim-de-semana que levou o brasileiro. Também teve um papel importante na entrada de Pedro Lamy na Fórmula 1 e foi ele que abriu as portas ao patrocínio da AMG a Nico Rosberg e Lewis Hamilton no karting. Um excelente contador de histórias, em Portugal foi presidente da Circuito do Estoril SA, Conselheiro para a Internacionalização da Economia Portuguesa e durante muitos anos comentou a Fórmula 1 na televisão e rádio. Apesar de já estar reformado, Piedade mantinha-se activo na consultoria para a indústria automóvel, mais precisamente para a HWA, com projectos na área dos veículos eléctricos na República Popular da China, como revelou numa entrevista realizada no ano passado à Rádio Macau.

A abrir portas

Piedade sempre foi um grande admirador do Grande Prémio de Macau, tendo sido fulcral na vinda à Corrida da Guia no início da década de 1990s da poderosa equipa oficial Mercedes-AMG, dando uma projecção internacional à prova rainha de carros de turismo do sudeste asiático que esta até aqui não tinha. Foi o lisboeta que abriu as portas à participação na equipa oficial do construtor de Estugarda do agora Presidente da Federação Portuguesa de Automobilismo e Karting, Ni Amorim. Um dos Mercedes 190 E conduzidos por Ni Amorim faz agora parte do espólio do Museu do Grande Prémio. Foi também com ele como manager que Pedro Lamy conseguiu o segundo lugar no Grande Prémio de Macau de Fórmula 3 em 1992.

Quando esteve presente como convidado no 60º aniversário do Grande Prémio, Piedade deu uma entrevista à agência Lusa onde referiu que o Circuito da Guia “é uma pista muito difícil” e que “se hoje tivéssemos de partir do zero, não seria mais homologada”. Contudo, não deixou de referir que a tradição deverá ser mantida “sempre e quando a parte da segurança não seja demasiado arriscada, o que não é o caso em Macau, sobretudo porque é um evento extraordinariamente bem organizado”.

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