Dorgon e Zhuang no reinado de Shunzhi

Aisin-Gioro Fulin nasceu a 15 de Março de 1638 e era o nono filho do Imperador Huang Taiji, sendo a sua mãe a consorte de quarto grau Zhuang (Borjigit Bumbutai, 1613-1688).

Quando o Imperador Huang Taiji morreu em 21 de Setembro de 1643 sem designar sucessor, deveu-se ao trabalho de bastidores da consorte viúva Zhuang a escolha do seu filho pelo comité de príncipes manchus, eleito entre os onze filhos do Imperador para continuador da dinastia Qing. A História repetia-se tal como acontecera na sucessão de Nurhachi. Três eram os mais importantes candidatos e de novo aparecia Dorgon (1612-1650), então com 30 anos, era o 14º e mais novo filho de Nurhachi e meio-irmão de Huang Taiji; HaoGe (1608-1643) tinha 35 anos de idade e era o primeiro filho de Huang Taiji, sendo a mãe a manchu Ula Nara hala; e Fulin com seis anos de idade. Entre os três, Dorgon era o mais bem preparado pois sabia falar manchu, han e coreano, para além de ser de sangue totalmente nürzhen, tal como HaoGe, o que tornava ambos os mais fortes candidatos, podendo por isso trazer lutas internas na Corte entre as forças que apoiavam cada um. Por isso a viúva Zhuang propôs Fulin, ainda uma criança, de sangue meio manchu meio mongol, com grande apoio Borjigit, de Jerjer, a Imperatriz Xiaoduan e do general Ming Hong Cheng Chou, que em 1640 fora capturado e por ser uma pessoa honesta e um brilhante militar, Huang Taiji quisera-o nas suas fileiras para o colocar a servir na China a combater contra os Ming. Mas resoluto, o general preferia suicidar-se em vez de lutar pelos manchus e então a consorte Zhuang em chinês conseguiu fazê-lo mudar de ideia, trazendo-o para o lado dos manchus. Huang Taiji em 1641 deu uma grande festa em honra da integração deste general nas fileiras do exército das oito bandeiras, apesar da grande tristeza do imperador pela morte da sua favorita consorte Minhui (Harjol,1609-1641), irmã mais velha de Bumbutai (Zhuang).

Por outro lado, Bumbutai falou com Dorgon e conseguiu fazer entender ser Fulin o mais indicado, pois reduzia as tensões e disputas na corte, ficando ele também com o poder, já que pela menor idade de Fulin teria de haver um regente, cargo para o qual Bumbutai o indicava.

Por histórias não provadas, tendo nas idades apenas um ano de diferença, diz-se ser Dorgon amante de Bumbutai e segundo constava tal relação ocorria ainda em vida de Huang Taiji. Este não gostava muito do meio-irmão Dorgon e enviava-o constantemente à China para combater os Ming, mas ele regressava sempre dos campos de batalha e muitas vezes como vencedor.

Assim em manobras de bastidores foi o nono filho Aisin-Gioro Fulin (1638-1661) escolhido pelo comité de príncipes manchus para continuador da dinastia, sendo então nomeados como regentes, Jirgalang e Dorgon. Com a escolha de Fulin para imperador, mudava assim Bumbutai o título de consorte de quarto grau Zhuang para o de Imperatriz mãe Zhaosheng.

No dia 26 da oitava Lua (8 de Outubro) de 1643 no Palácio Imperial de Shengjing foi Fulin coroado Imperador Shunzhi (1644-1661), o segundo da Dinastia Qing e durante a menor idade ficaram como regentes, o tio Dorgon, pois irmão de Huang Taiji, em conjunto com o primo Jirgalang, sobrinho de Nurhachi.

O poder de Dorgon

Ainda em 1643 Dorgon como regente matou HaoGe, seu sobrinho e tomou-lhe a esposa, também do clã Borjigit. Com a mudança da capital Shengjing para Beijing, no nono dia da décima Lua de Jiashen (8 de Novembro de 1644) Shunzhi tornou-se o primeiro Imperador da Dinastia Qing da China e Dorgon ficou com o poder completo tanto militar como político quando em 1647 destituiu Jirgalang. Dominava tanto no seu original território manchu como na China, apesar de no Sul haver ainda bolsas de resistência Ming. Ano em que se intitulou Pai do Imperador, pois até então era apenas tio do imperador. Segundo um episódio nunca registado nos livros da História da Dinastia Qing, tinha Shunzhi onze anos quando em 1648 Dorgon se casou com a Imperatriz mãe Zhaosheng. O Imperador entendeu a razão de tal matrimónio, pois servia para o proteger e à sua posição, mas por outro lado não o aceitava, pelo mal trato que Dorgon lhe dava e o ter-lhe proibido estudar a língua chinesa han. Apercebia-se do seu fraco poder, pois vivera sempre dentro do palácio, em contraste com o enorme trabalho militar de Dorgon na luta contra os Ming e unificação do império manchu, assim como o medo de lhe acontecer o ocorrido ao seu meio-irmão HaoGe, morto pelo tio. Tal casamento levou à má relação do Imperador Shunzhi com a mãe, pois com dez anos apenas uma vez por mês a podia visitar.

O regente Dorgon manteve todo o poder até à sua morte, ocorrida no último dia de 1650 e foi então que o Imperador Shunzhi iniciou com 14 anos a governação. Realizado um funeral com toda a pompa ao regente Dorgon, logo passado um mês o Imperador retirou-lhe os títulos e os pertences, assim como mandou cortar a cabeça ao féretro de Dorgon. Oficialmente nada ficou registado para tal atitude. O inicial poder da Dinastia Qing tivera a mão de Dorgon, sendo este reabilitado apenas no reinado do Imperador Qianlong (1736-1796), quando lhe foram restituídos os títulos e se lhe construiu um templo (Tai Miao) para lhe serem oferecidos sacrifícios. Apesar das muitas esposas, só tivera uma filha.

Quando Shunzhi tomou a governação, como não tinha aprendido a língua dos han começou a estudá-la, fazendo-o por nove anos, inteirando-se ao mesmo tempo sobre a cultura do povo que governava. Por isso activou o sistema de exames imperiais (keju) para oficiais civis, dando aos chineses han a possibilidade de ocupar lugares de mandarim. Dorgon não confiara nos generais Ming e só após a sua morte foram eles promovidos por Shunzhi, que colocou o general Hong Cheng Chou como governante militar no Sudoeste da China, dando-lhe amplos poderes para decidir sem precisar de reportar ao imperador. Este general disciplinou os corruptos governantes manchus que longe da capital tinham mãos livres para fazer o que lhes apetecia e deu-lhes uma nova orientação. Também para equilibrar o poder dos oficiais militares manchus casou a sua irmã, a Princesa JianNing com o filho do general Ming Wu Sangui.

Ainda com Dorgon vivo, em 1650 “as tropas de Qing ocuparam Cantão. Dando seguimento à prática da dinastia anterior, o governo Qing proibiu os portugueses de entrar e comerciar na cidade”, segundo Victor F. S. Sit, que refere ter o Vice-rei de Guangdong-Guangxi mandado em 1651 “um édito ao Senado de Macau informando que . Nesse mesmo ano, o Senado declarou a rendição de Macau, permitindo a reactivação do comércio de Macau e o envio de oficiais alfandegários de Cantão para inspeccionarem os navios mercantes ancorados no porto de Macau.” O Imperador Shunzhi dava início à sua governação.

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