Robin Moyer, fotojornalista: “World Press Photo é um acontecimento importante”

O número de fotojornalistas é o mesmo hoje e há 30 anos. A ideia é deixada por Website oficial de Robin Moyer, o fotojornalista americano, radicado em Hong Kong, que vai estar à frente da conversa que tem lugar amanhã pelas 17h, no âmbito da exposição World Press Photo 2018

Apesar da massificação da imagem, nomeadamente nas plataformas online, o fotojornalismo de qualidade continua a ter um espaço de destaque, defende Robin Moyer para quem o concurso da World Press Photo ainda é garantia disso mesmo.

“Penso que o World Press Photo é um acontecimento importante até porque existe um júri conhecedor e de confiança”, começa por dizer ao HM. Trata-se de uma iniciativa que mantém a premiação de imagens que traduzem a realidade. “ Ainda são fotografias verdadeiras dentro do universo do fotojornalismo, são reais”, acrescenta.

São estas fotografias que demarcam as imagens dos fotógrafos profissionais das muitas que invadem actualmente os meios de comunicação, defende.

Prova disso é o número de fotojornalistas profissionais que existem actualmente e que não é ser muito diferente dos que existiam há 25 ou 30 anos “, refere. A explicação é simples: “O facto de toda a gente ter uma câmara não significa que seja um fotojornalista”.

Sediado em Hong Kong, Moyer foi já distinguido com vários prémios por trabalhos na Ásia e no Médio Oriente, incluindo o World Press Photo Premier Award e Robert Capa Gold Citation do Overseas Press Club de Nova Iorque, ambos pelo trabalho publicado na revista Time sobre a guerra no Líbano (1982).

Ser fiel

Para Moyer, o fotojornalismo tem que ver apenas com a captura fiel da realidade, coisa que não é conseguida por muita gente. “É preciso transmitir o que acontece sem que se recorra a manipulação da imagem”. A subjectividade do fotojornalista reside apenas na decisão que faz ao escolher o que decide abranger através da sua câmara, explica.

Sem subterfúgios, Robin Moyer considera que as fotografias aparecem no mundo em que vive, sendo que as questões técnicas acontecem de forma espontânea. “Não penso nas imagens de uma forma consciente, acho que só ando com os olhos bem abertos e se há alguma coisa que me faz olhar para ela duas vezes, então tiro uma fotografia”

Cenas de guerra

Foi num cenário de guerra, no Líbano, que fotografou a imagem premiada em 1882  com o World Press Photo Premier Award e com o Robert Capa Gold Citation do Overseas Press Club de Nova Iorque.

As situações de conflito têm pautado a seu carreira sendo que “o mais importante é que os elementos das equipas que partilham estes contextos olhem uns pelos outros”, refere.

Por outro lado, são cenários que acabam por alhear o fotógrafo, durante o seu trabalho, do contexto em que se encontra. “É como se estivéssemos a viver uma situação irreal enquanto fotografamos e que deixa de o ser se paramos de o fazer”, aponta.

A defender, ilusoriamente, o profissional da realidade está a câmara que funciona como um escudo subjectivo mas muito eficiente. “A câmara demarca uma espécie de campo de protecção e quando se está por destrás dela, de alguma forma e estupidamente, sentimo-nos protegidos e, mal deixamos a largamos, ficamos a descoberto e é aí que não temos mais nada a não ser a realidade da situação”, confessa.

Uma vida de imagens

Robin Moyer começou a sua carreira como operador de câmara no Vietnam dentro enquanto trabalhava para a UPITN/ITV em 1970.

De 1973 a 1975, viajou por todo o sul dos Estados Unidos em missão para a Comissão Regional dos Apalaches. Em 1974 fundou a escola  PhotoWorks no Glen Echo National Park.

Entre 1978 e 1998, Moyer trabalhou para a Time, tendo imagens destacadas acerca dos refugiados do Camboja e do Afeganistão. Liderou ainda equipas de fotógrafos responsáveis pelo registo  da revolta Filipina em 1986, das Olimpíadas de Seul em 1988 de Tian An Men em 1989.

É ainda responsável por retratos de personalidades como Lee Kwan Yew, Mahathir Mohamed, Aung San Suu Kyi, Fidel Ramos, Corazón Aquino, Stan Shen (fundador da ACER), Li Ka-shing. Kim Dae Jung, Kim Young Sam, Zhao Ziyang e Deng Xiaoping.

Das publicações para que trabalhou destaca-se a Life, Fortune, People, Newsweek, The Far Eastern Economic Review, Paris Match, The London Sunday Times Magazine, Smithsonian Magazine, New York Magazine, Elle, e Vanity Fair.

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