Poemas de Li Bai

 

Vento de Outono

Éno Outono que o vento corta

E o luar mais nos ilumina.

As folhas caem, desaparecem.

As gralhas desabam sobre os galhos, pressentem o medo.

Ainda pensamos um no outro, porque nos separámos?

Agora o amor que sinto envergonha-me.

Ao atravessarmos o portão do desencontro,

Cada um de nós enfrentou a sua própria miséria.

Sofremos muito o tempo todo e lembramo-nos disso.

Mesmo que fosse pouco, a dor não seria menos infinita.

Soubesse eu o quanto um coração pode errar,

E logo de início nunca teria te conhecido.

 

Bebo sozinho ao luar

Encurralado entre flores e um jarro de vinho,

Sem ajuda, bebo sozinho.

Estendo o copo e convido a Lua,

Formamos um trio com a minha sombra.

Embora a Lua não beba vinho

E a minha sombra só imite o que eu faço.

A altaneira Lua e a pobre sombra são camaradas.

Serei feliz nesta Primavera.

O luar sublinha as minhas canções

E a sombra abraça-me na dança.

Festejamos como velhos amigos.

Já bêbados, cada um segue para sua casa.

E é assim que quero viver, livre de sentimentos,

Até que nos voltemos a encontrar na Via Láctea.

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