Vento de Outono
[dropcap style=’circle’]É[/dropcap]no Outono que o vento corta
E o luar mais nos ilumina.
As folhas caem, desaparecem.
As gralhas desabam sobre os galhos, pressentem o medo.
Ainda pensamos um no outro, porque nos separámos?
Agora o amor que sinto envergonha-me.
Ao atravessarmos o portão do desencontro,
Cada um de nós enfrentou a sua própria miséria.
Sofremos muito o tempo todo e lembramo-nos disso.
Mesmo que fosse pouco, a dor não seria menos infinita.
Soubesse eu o quanto um coração pode errar,
E logo de início nunca teria te conhecido.
Bebo sozinho ao luar
Encurralado entre flores e um jarro de vinho,
Sem ajuda, bebo sozinho.
Estendo o copo e convido a Lua,
Formamos um trio com a minha sombra.
Embora a Lua não beba vinho
E a minha sombra só imite o que eu faço.
A altaneira Lua e a pobre sombra são camaradas.
Serei feliz nesta Primavera.
O luar sublinha as minhas canções
E a sombra abraça-me na dança.
Festejamos como velhos amigos.
Já bêbados, cada um segue para sua casa.
E é assim que quero viver, livre de sentimentos,
Até que nos voltemos a encontrar na Via Láctea.