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(STR/AFP/Getty Images)

A China defendeu ontem o seu historial no comércio externo como sendo benéfico para o mundo, face à pressão de Washington e Bruxelas sobre o acesso ao mercado chinês e política do país para a tecnologia.
O relatório do Governo chinês repete os compromissos em reduzir taxas alfandegárias e abrir mais o país ao investimento externo, mas não refere novas medidas concretas.
O documento também não aborda as reclamações dos Estados Unidos e Europa de que a China bloqueia o acesso a várias indústrias e de que o plano do país para desenvolver empresas capazes de competir nos sectores de alto valor agregado viola os seus compromissos com o livre comércio.
O Presidente norte-americano, Donald Trump, ameaça subir as taxas alfandegárias sobre um total de 450 mil milhões de dólares (389 mil milhões de euros) de produtos chineses, o equivalente a 90 por cento das exportações da China para os EUA, como retaliação pela fraca protecção da propriedade intelectual na China. Washington acusa o país asiático de pressionar empresas estrangeiras a transferirem tecnologia, em troca de acesso ao mercado.
A China tentou aliar-se à Europa contra a posição norte-americana, mas enfrenta queixas da Alemanha e outros governos, de que bloqueia aquisições de activos no país, enquanto as suas empresas, nomeadamente estatais, têm adquirido negócios além-fronteiras em diversos sectores. “A China tem cumprido com a sua responsabilidade como grande potência”, lê-se no relatório, que afirma que o crescimento económico do país tem contribuído para a “paz e desenvolvimento mundiais”.
Pequim comprometeu-se a reduzir o seu superavit comercial com os Estados Unidos, mas resiste a alterar a sua política para o sector tecnológico, principal fonte de tensões com Washington.
A China fabrica 90 por cento dos telemóveis e 80 por cento dos computadores do mundo, mas depende de tecnologia e componentes oriundos dos EUA, Europa e Japão, que ficam com a maior margem de lucro. Mas as autoridades chinesas estão a encetar um plano designado “Made in China 2025”, para transformar o país numa potência tecnológica, com capacidades em sectores como inteligência artificial, energia renovável, robótica e carros elétricos.
Washington reclama, no entanto, que Pequim subsidia as empresas nacionais, enquanto as protege de competição externa.

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