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A nova agência encarregue de supervisionar a ajuda prestada pela China além-fronteiras permitirá a Pequim desempenhar um papel “mais eficaz” como doador e coordenar o apoio financeiro com a sua agenda diplomática, afirmam analistas

 

 

Designada como Agência de Cooperação e Desenvolvimento Internacional, a nova entidade aprovada esta semana no órgão legislativo chinês vai responder directamente ao Conselho de Estado, o órgão executivo máximo do país, e consolidar funções até agora dispersas entre os ministérios do Comércio e dos Negócios Estrangeiros. “A agência ajudará a reduzir a lacuna entre os crescentes recursos financeiros disponibilizados pela China e a sua posição como parceiro de desenvolvimento”, escreve Annalisa Prizzon, investigadora no centro de pesquisa com sede no Reino Unido Overseas Development Institute (ODI).

“Apesar do importante papel da China como doador, a sua visibilidade e participação nos mecanismos de coordenação dos países têm sido baixas”, refere.

Segundo a proposta apresentada pelo Governo chinês aos quase 3.000 deputados da Assembleia Popular Nacional, a nova agência “servirá a estratégia global do país, para avançar com a Nova Rota da Seda”.

A decisão surge numa altura de crescente sofisticação da diplomacia chinesa, materializada naquela iniciativa – um gigantesco projecto de infraestruturas lançado em 2013 pelo Presidente chinês, Xi Jinping, que abrange China, Europa, Ásia Central, África e sudeste Asiático.

 

Pontes para o mundo

Parte das novas ligações ferroviárias, portos, aeroportos, centrais eléctricas e zonas de comércio livre previstas no programa estão a ser desenvolvidas em países e regiões voláteis.

Barnaby Willitts-King, também investigadora no ODI, lembra como “as ambições globais da China a levam para regiões frágeis” do globo. “A China precisa de gerir os riscos de se envolver em regiões afectadas por conflitos e a nova agência poderá ser crucial nesse esforço”, explica.

Citado pelo jornal de Hong Kong South China Morning Post, Mao Shoulong, professor do departamento de Administração Pública na Universidade Renmin, em Pequim, concorda que a nova agência reflecte a crescente importância do apoio financeiro na estratégia global da China. “Diplomacia e exército têm sido os dois pilares da sua estratégia internacional, mas a China depende cada vez mais dos laços económicos, incluindo ajuda financeira, para alcançar os seus objectivos”, afirma.

A China compete já com os Estados Unidos como maior doador do mundo, numa tendência que beneficia sobretudo África e Ásia, com Angola a figurar entre os três maiores receptores do apoio financeiro prestado por Pequim, logo atrás da Rússia e Paquistão, segundo a unidade de investigação sediada nos EUA ChinaAid.

Entre 2000 e 2014, o país africano recebeu 11,5 mil milhões de euros em empréstimos e doações de Pequim, detalha a mesma fonte. Em troca, o país asiático “obteve condições favoráveis para a exploração de minérios” na nação africana, lê-se na pesquisa da China Aid.

Aquela unidade de investigação estima que, no total, o país asiático doou cerca de 286 mil milhões de euros a 140 países, entre 2000 e 2014.

Durante o mesmo período, a ajuda financeira prestada pelos EUA fixou-se em cerca de 319 mil milhões de euros.

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