This Is My City | Festival acontece em Shenzhen e Macau

Depois de dez anos, é tempo de alargar fronteiras. O This Is My City vai, este ano, ter lugar também em Shenzhen. A ideia é ter uma rede que se alargue ao Delta do Rio das Pérolas. O festival conta, como nas edições anteriores, com várias actividades e Paulo Furtado vem tocar ao vivo a banda sonora do filme que também estreia no território

Não é só mais uma edição do This Is My City (TIMC), á a décima primeira e marca uma mudança de estratégia por parte da organização. “Dez anos significa que é uma altura de pensar o que fizemos nesta década e no que vamos fazer para a próxima” começou por explicar, ontem, Manuel Silva, um dos responsáveis pela iniciativa. O resultado é o alargamento do festival à região e este ano, o TIMC vai também ter lugar em Shenzhen, além de Macau.

O objectivo é fazer mais do que um festival. “O alargamento a Shenzhen é para provar que o festival quer ser mais do que isso e que se quer desenvolver enquanto rede, até porque os festivais morrem e as redes perduram”, explicou Manuel Silva.

O conceito também muda: não se tratando mais de uma só cidade, trata-se agora de “uma rede criativa intercidades, em que do local se passa ao regional.”

A ideia é partilhar culturas numa mesma região. A Shenzhen o TIMC vai levar a multiculturalidade do território e do outro lado vem a riqueza cultural associada ao Delta do Rio das Pérolas.

O TIMC nasceu em 2006 e “fechado o ciclo de dez anos de existência redesenha-se e dá agora os primeiros passos para integrar o Delta do Rio das pérolas numa rede criativa, promovendo a lusofonia na região”, lê-se na apresentação do evento.

Cinema imprevisto

Além da expansão geográfica o TIMC volta a trazer um conjunto de actividades distribuídas entre Macau e Shenzhen.

A presença de Paulo Furtado, mais conhecido por The Legendary Tiger Man, não é nova, mas vem agora ao território estrear o seu último trabalho cinematográfico “How to be nothing”. O filme não será uma mera projecção a ter lugar no próximo dia 16 de Dezembro, mas pretende ser uma mostra multifacetada. Paulo Furtado faz, ao vivo, a banda sonora e Pedro Maia, co- realizador da película, manipula as imagens enquanto são projectadas. A experiência promete, diz Manuel Silva, “ser única”. O evento tem lugar no espaço What´s Up na Calçada do Amparo.

O D2 Club também é palco do TIMC, nesta décima primeira edição com uma noite preenchida com os DJs campeões do mundo de scratch e turntablism, os portugueses Beatbombers. A dupla composta por Ride e Stereossauro, depois de tocar no Magma em Shenzhen, a 15 de Dezembro, vem ao território, para encerrar a festa no clube nocturno local.

Entretanto, e a representar o território, há concertos marcados da banda local Fase Lane e o saxofonista e clarinetista Paulo Pereira. Paulo Pereira vai ao What´s Up apresentar um projecto feito especialmente para o evento em que traz a união das tradições musicais ocidentais com a herança cultural oriental através do jazz.

Fronteiras no mapa

Mas o TIMC tem planos de aquecimento para o festival e para o efeito, já no próximo fim-de-semana, começa o projecto TIMC Pearl PAKmap. A ideia é “explorar abordagens interdisciplinares para mapear a percepção da paisagem e a relação entre as fronteiras do Rio Das Pérolas e a sua produção cultural”, diz a organização.

O projecto começa com a realização de dois workshops no Albergue SCM a 2 e 3 de Dezembro e conta com a colaboração de académicos internacionais. No primeiro dia, tem lugar a parte formativa que inclui sessões e discussões académicas e no segundo dia decorre a parte prática em que os participantes vão para o terreno e procuram mapear as fronteiras entre Macau e Zhuhai, a partir da Doca dos Pescadores. A 9 de Dezembro, e após o material recolhido, os participantes encontram-se na Universidade de São José para a fase de pós produção do material recolhido. O resultado: duas exposições, a 15 e 16 de Dezembro nas cidades que acolhem o TIMC. Depois, os trabalhos efectuados passam a integrar a plataforma pakmap.net que “funcionará como arquivo destas e de outras histórias ligadas às fronteiras do Delta do Rio das Pérolas”.

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