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Mikael Kraemer é o descendente de uma família parisiense com uma longa história ligadas às artes ao longo do último quarto de milénio europeu, algo que está representado na exposição “A Golden Way of Life”, patente no MGM até domingo. Para além de se poder ver um percurso do ouro bruto, à barra e à folha de ouro, os visitantes podem viajar entre a história das relações entre a China e a França através da arte.

Uma das peças de destaque da exposição é o primeiro dicionário de latim/chinês, publicado em 1742, uma obra que teve apenas 200 exemplares e que demorou quatro décadas a ser elaborada. O dicionário foi encomendado por Luís XIV, o Rei Sol, e serviria para os enviados franceses à China aprenderem a língua pelo caminho. Neste aspecto, importa realçar que a viagem de barco demorava, à altura, quase um ano. “Este livro foi a melhor prova de amor entre essas duas civilizações”, comenta Mikael Kraemer.

O francês, proprietário da relíquia, procura um museu nacional chinês para doar a obra. “Talvez Pequim, Xangai, Macau ou Hong Kong, este dicionário tem de ser aproveitado pelo máximo número de pessoas possível”, explica.

Mikael Kraemer gostava de ver o livro digitalizado para que possa ser estudado e sirva de instrumento para que se “perceba a relação que havia entre a França e a China durante o Século XVIII”.

Arte dourada

Outra das obras em destaque é uma cadeira portátil que servia para transportar aristocratas, nobres e realeza pelas ruas da cidade. A peça foi feita por volta de 1770, antes da queda do absolutismo. Com o advento da Revolução Francesa o brasão da família que estava no centro da pintura a óleo que embeleza a cadeira teve de ser retirado por clara desadequação aos tempos.

A exposição patente no MGM é um banho de ouro, uma experiência de como a arte se move de acordo com as marés de poder e dinheiro.

Durante o século XV, em Espanha os movimentos artísticos expressavam a estética do Barroco, um século depois a Itália apadrinhava a Renascença, depois de uma passagem pela Holanda, Paris torna-se o centro das artes até ao Iluminismo. Com a Revolução Industrial a produção e mercado das artes muda-se para Inglaterra, enquanto o século XX trouxe os Estados Unidos para o centro de produção e mercantilização das artes.

Hoje em dia, a China afigura-se como uma potência económica que tem o mundo as artes no horizonte. “A China entende que trazendo para a Ásia as grandes colecções dos maiores museus e galerias criam um mercado local, é aquilo a que se chama diplomacia artística”, explica Mikael Kraemer.

Quem quiser experimentar um pouco da vida dourada e do glamour intemporal do ouro tem até domingo para visitar o MGM e deslumbrar-se com peças de joalharia, mobiliário e escultura da exposição “A Golden Way of Life”.

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