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Nos finais do século XX o Japão exportou para o mundo ocidental um universo visual que parecia naïve e a léguas de distância das artes gráficas tradicionais Ukiyo-e. Personagens animadas fofinhas, como o Pokemon e a Hello Kitty, foram amplamente adoptadas pela juventude ocidental e foram crescendo dentro da série manga da Nintendo. O ocidente começou então a criar bonecos inspirados nos japoneses. A Selfridges de Londres elegeu como mascote da loja uma boneca de olhos rasgados e cabeça grande para celebrar o tema “A vida em Tóquio”. Jovens designers começaram a incorporar alguns destes elementos nas suas criações e estas mascotes tornaram-se moda no ocidente. Os consumidores do mundo inteiro aderiram entusiasmados à novidade, até ter sido substituída pela “descoberta” seguinte. Contudo, no Extremo Oriente os bonecos fofinhos continuaram de vento em popa porque fazem parte de uma cultura cimentada ao longo da História, e não de uma febre consumista pontual. O gosto popular por bonecos fofinhos está enraizado numa estética tradicional e continua a desempenhar um papel importante no dia a dia das pessoas.

A série manga destina-se a todos – homens, mulheres e crianças – e inclui os temas mais variados, desde a comédia ao romance e da Filosofia à História. A “mania do boneco” vai muito além da cultura dos jovens porque dá às pessoas a hipótese de identificação. A aparência segura e ternurenta sugere o desejo de ser protegido. E as pessoas são protegidas quando não exprimem opiniões, que é um sinal de saberem o que é o “respeito”. Não dizer abertamente o que se pensa e o que se quer, significa que pomos as opiniões e as necessidades dos outros à frente das nossas. E este tipo de “respeito” mantém-nos seguros e fofinhos. A um ocidental dá seguramente a impressão de estar perante alguém que lhe lembra uma criança. E é aqui que está a diferença. Se lhe chamarem “fofinho” em Tóquio, querem dizer mais ou menos o mesmo que os tipos da Califórnia quando lhe chamam “cool”.

Entretanto os jovens fãs chineses fazem upload e remix dos vídeos de animação japoneses, criando um género AMV (Animation Music Videos). Extraem os pedaços de músicas e de filmes de animação japoneses de que gostam mais, e depois editam-nos em conjunto. A juventude chinesa desenvolve a sua sexualidade dentro do contexto de uma cultura consumista, porque as fantasias sexuais das pessoas são afectadas pela febre de censura da RPC. Os jovens vêem na abertura do estilo japonês uma fuga aos estigmas da cultura sexual chinesa, um misto de controle do Estado e de moral confuciana.

A seguir também temos a pornografia japonesa, exportada para o ocidente com grande sucesso, uma mais valia para a imaginação do homem branco. Por exemplo, os filmes pornográficos japoneses com mais saída dedicam grande parte do tempo a mostrar corpos femininos a serem beijados e acariciados. Parecem “gostar” mais das mulheres do que os seus congéneres ocidentais, que apenas as “exploram”.

Da próxima vez quero falar-vos de um filme pornográfico destinado às mulheres que se chama ‘Amor Entre Rapazes’ e que nos mostra o amor gay e outras aventuras. Este sub-género tem actualmente muita popularidade nos sites que partilham vídeos como o Youtube.com.

Termino com as palavras de Lemy Motörhead: “Não podemos ser só de uma cor. Para esta coisa do sangue vir algum dia a funcionar como deve de ser, temos de misturar as raças e fornicarmos desalmadamente até ficarmos todos mulatos.” Da próxima vez que se deparar com racismo, lembre-se destas palavras.

Noutra cidade, noutro lugar, noutra raça. Hasta la vista.

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