Macau com mais cyberbullying do que regiões vizinhas

A taxa de cyberbullying dos jovens de Macau destacou-se num estudo recente que abordou a problemática em cinco jurisdições da região. Os resultados revelaram que os jovens de Macau são mais intimidados virtualmente do que os das restantes áreas analisadas, ao registarem-se médias de 68 por cento de agressores e 72,9 por cento de vítimas. No território, a taxa de agressores é de 82,6 por cento e das vítimas de 86,4 por cento.

A investigação levada a cabo pela União Geral das Associações de Moradores de Macau (Kaifong), em colaboração com organizações de Cantão, Hong Kong, Taiwan e Singapura, baseou-se na recolha de cerca de quatro mil opiniões de jovens com idades inferiores a 24 anos. Do total, 468 inquéritos foram recolhidos em Macau.

Enquanto nas outras regiões submetidas ao inquérito, os principais agressores são “amigos” das vítimas, em Macau, o agressor pode também ser “alguém na escola” e “estrangeiros”, revelaram os mesmos resultados.

A investigação também considerou a sobreposição de papéis em que o agressor também é a vítima. Os dados mostraram que 61,4 por cento dos jovens inquiridos têm o duplo papel.

Agressores “amigos”

Os actos que integram o cyberbullying são, na sua maioria, classificados como “discussões”, “assédios” e “revelação dos dados pessoais ao público”.

Outros aspectos revelados com as conclusões do estudo, que decorreu entre Fevereiro e Junho, dizem respeito aos estados psicológicos associados: os jovens envolvidos em cyberbullying, independentemente de serem agressores ou vítimas, manifestam taxas de incidência de depressão, ansiedade e stress substancialmente mais altas do que aqueles que não estão envolvidos. A incidência dos sintomas em agressores é mais alta do que nas vítimas, sendo que, segundo os mesmos dados, os jovens do sexo masculino são o grupo de maior risco.

Apesar dos números, apenas 20 por cento das vítimas procuram auxílio.

A investigação abordou ainda o tempo gasto na Internet. Também aqui os jovens de Macau apresentaram resultados superiores, ao passarem cerca de uma hora diária a mais do que os restantes inquiridos. Estão online quase seis horas por dia.

O estudo teve como objectivo chamar a atenção para a problemática do cyberbullying, de modo a sensibilizar as áreas da educação para a prevenção.

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