Com o “36” sempre no bolso

Antes de mais nada, talvez fosse melhor explicar o significado do título do artigo desta semana. Diz-se de quem toma posições extremas, ou que peca ora por exagero, ora por omissão, que é “8 ou 80”. Sem falsas modéstias, toda a minha vida tentei pautar-me pelo meio termo, que na dialéctica numeral do “8 e 80”, é o número que se encontra exactamente entre estes dois, o 44. Posto isto, quando me deparo com uma situação que é “8”, tiro do bolso o 36, faz-se a adição e temos o meio-termo perfeito. Quando me aparece pela frente um nítido excesso ou exagero, recorro novamente ao meu 36 de bolso, e desta vez aplico-o numa subtracção, fazendo do indigesto 80 um mais prazenteiro 44.

E não é raro depararmo-nos com no dia a dia com situações em que os extremos parecem justificar os fins, deixando completamente de lado o meio…termo. Temos o caso das presidenciais norte-americanas, onde pela primeira  vez não há um candidato que eu me importasse menos que ganhasse: ambos são terríveis. Contudo, se a eleição fosse para determinar qual deles é o pior, o candidato Donald Trump ganharia por uma larga margem contra a candidata Hillary Clinton, e diria mesmo por um 80 contra 8. Contudo os apoiantes do candidato republicano, que terão feito a sua opção com base em critérios que terão a ver com tudo menos a aptidão de Trump para o cargo a que concorre, alegam “jogo sujo” da parte do seu adversário político, que veio “trazer à praça pública afirmações de Trump que dão conta da suas posições misogenistas” ou “testemunhos de mulheres que dizem ter sido assediadas sexualmente por ele”. Nada disto parece ser inventado, note-se, mas a legião dos indignados esquece-se que o próprio tempo reagiu de imediato a essas mesmas acusações fazendo exactamente a mesma coisa, tendo por alvo o ex-presidente e marido da sua adversária, Bill Clinton, que não sendo candidato a nada, fica numa posição em que nem pode sair em defesa do seu bom nome. Era preciso um grande “36” a bater em cheio da tola desta gente, para ver se acordavam.

Já na actualidade local, tivemos um sinal 8 de tufão na última sexta-feira, o que valeu a funcionários públicos, estudantes e outros (poucos) afortunados um fim-de-semana antecipado. Os Serviços de Meteorologia e Geofísica da RAEM, responsáveis por içar o sinal que vale o tal diazito extra de férias, foram assaz criticados há cerca dois meses, aquando da passagem de outra tempestade pela região, por não terem decretado o recolher obrigatório. Desta vez, diz quem presenciou as duas situações (eu estava ausente do território aquando da primeira) “nem se justificava”. Mais do equipamento com tecnologia de ponta para prever a intensidade das tempestades tropicais, parece que os SMG precisam de adquirir um “36” topo de gama, para evitar que se repitam situações desta natureza. E você, já tem o seu 36?

PS: Queria despedir-me desejando aos leitores um “feliz festival da Lusofonia”, que na medida local do “programa das festas”, reveste-se de uma sacrossantidade quase maior que o Natal. Divirtam-se!

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