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Ofuturo que, envolvido em desconhecimento tenta despir-se de mistério através da nossa imaginação, é desvendado pelos tarólogos, videntes, autores de ficção científica e futuristas. Uns com maior margem de erro que outros, prevêem o futuro com as ferramentas que lhes estão disponíveis. Com alguma certeza se afirma que os futuristas são os mais sensatos nas suas previsões porque passam a maior parte do seu tempo em torno da reflexão do desenvolvimento tecnocrático em relação ao comportamento humano: e são pagos para isso. Se se podem esperar avanços tecnológicos na mundanidade do dia-a-dia, certamente presenciaremos inovações sexuais ‘digitais’ e ‘robóticas’, para além de todas as outras inovações que certamente terão impacto na forma como as pessoas se relacionam umas com as outras e, por consequência, na forma como o sexo será pensado e vivido.
Se esta tendência de desenvolvimento trará máquinas de prazer imediato à lá orgamastron do Woody Allen: é provável que sim. Num futuro não muito longínquo, o sexo não será necessário para fins reprodutivos e por isso toda a função recreativa será enaltecida ao máximo. O sexo vai continuar a ser prazeroso porque o é, se será melhor ou pior, não fazemos a mais pequena ideia. Na qualidade de futurista sexual não-qualificada, diria que a tendência para uma sexualidade muito individualizada (para não dizer solitária) será generalizada. Em 20 anos conta-se com avanços tecnológicos suficientemente relevantes para, se assim desejarmos, adquirir robots de habilidades sexuais/românticas. Prevê-se que se desenvolvam formas de inteligência artifical capazes de proporcionar momentos de intimidade para não só oferecer orgasmos de qualidade, mas também palavras de conforto durante mimos pós-coito. Finalmente podemos criar o parceiro sexual à nossa medida.
Na minha condição de futurista amadora, é-me difícil imaginar todo esse possível avanço como favorável à condição humana. O pessimismo corre-me nas veias e com isso vem a projecção de um futuro onde as relações humanas, que já são desafiantes em condições mais ‘normais’, possam ser descartadas por relações artificiais, que são muito mais fáceis de serem estabelecidas. Se queres um giraço com a voz do Paul Newman, que te diga coisas bonitas antes de adormeceres enquanto te abraça carinhosamente, podes tê-lo por uma generosa quantia e daqui a uns belos anos. Será que vamos passar mais tempo à procura do sistema artificial ideal do que do parceiro ideal? Se podemos talhar tudo o que queremos à nossa medida, haverá algum desejo de nos envolvermos com outros humanos, que são tão complicados, implicativos, mas, acima de tudo, reais como nós próprios? Se a tecnologia se estabeleceu para facilitar as nossas vidas, poderá chegar a um ponto demasiado facilitador que nos impossibilita de sequer bater com a cabeça em frustração? E se isso acontecer, será que vamos conseguir valorizar o bom sexo, o bom amante ou a boa intimidade?
Mas até que o ‘robot encantado’ seja uma realidade, tem havido desenvolvimentos que até dão jeito. Há uma maior preocupação em educar e esclarecer, que tem incentivado a criação de apps e sites de auto/hetero-descoberta. Ou até o auxílio masturbatório tem sido alvo de grande criatividade. O Autoblow 2 é um exemplo de avanço tecno-sexual, onde um fellatio pode ser simulado, não por um tubo de borracha sem graça, mas por um complicado mecanismo de sucção e movimento que pode proporcionar o melhor fellatio das nossas vidas (parece uma explicação simplória, mas a geringonça é de uma sofisticação nunca antes vista). Outro avanço que me tem fascinado mais ainda, veio preencher a vida dos casais em relacionamentos à distância. Os ‘teledildonics’ são brinquedos sexuais que podem ser controlados remotamente, permitindo, assim, o proporcionar de momentos sexy entre o casal, mesmo que geograficamente separados.
A esperança é que esta revolução silenciosa se estabeleça a seu tempo, e que a adaptação seja igualmente gradual. Porque ninguém sabe qual é o verdadeiro futuro do sexo.

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