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* José Carlos Tiago de Oliveira

1Jorge Luis Borges escreveu 1 conto sobre o reviver duma metáfora.
Primeiro, Coleridge sonha com 1 palácio e escreve 1 poema (fica
incompleto pois alguém o interrompe)
anos depois, 1 arqueólogo na Rota da Seda descobre o palácio do soberano mongol
a mesma abstracção reencarna 2 vezes do mundo platónico

2
na UNL conheci 1 historiador do planalto algarvio, que defende a tese
no Clube Militar Naval. encontro a namorada dele, Helena de
Gubernatis, na rua, e explica-me onde jaz o Palácio de Belmonte,
então ruína, hoje hotel, a mil euros por noite. quando lhe pergunto
pelo historiador, responde — larguei essa besta
revejo-a no aeroporto, com o jornalista JMF. hoje, no facebook, leio o
nome dele e o epíteto do historiador

3
será, como em JLB, uma história onde aparecem os palácios e a reiteração?

4
estas histórias porém, não acabam gloriosamente. quando volto ao
palácio, desencontro-me do milionário, único sobrevivente da família
chacinada em Buchenwald, por isso grandioso no soerguer das ruínas…
quanto a H de G, contemporânea do liceu francês e da nova, não me
reconhece nas fotos do facebook, e não fui até hoje digno da sua
amizade…

5
o estruturalismo de Lévy-Strauss aplica a teoria dos grupos às tribos
amazónicas. matéria que estudei no forte, então prisão, hoje museu, de
Luanda. discípulo de Borges (cujos ciúmes tentei despertar, dedicando
1 texto a Maria Kodama, a aluna pálida como o Japão e com cabelos
verdes como Baudelaire), aplico a doutrina de LS a literatura com
ilustrações arquitectónicas portentosas

6
matéria que discuti com Mesquitela Lima e Carlos de Jesus, num outro
hotel, onde contemplamos a chegada de Savimbi, com a Primeira Dama que
viria a sacrificar, por estar em relações íntimas com 1 major
dependente da CIA

7
Shakespeare tem 1 peça, Macbeth, onde alguém sonha que outrem o envenena, e
assim acontece antes de cair o pano

8
Que tal?

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