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Bonnie Choi tem 25 anos e é uma atleta de Macau de saltos para a água. A gestão do tempo parece ser neste momento uma das tarefas mais árduas que enfrenta. Para além da actividade desenvolvida enquanto atleta, a jovem está também a tirar um mestrado para além de ser funcionária da Universidade de Macau (UM). Licenciada no curso de comunicação, continua a tirar um mestrado de educação fiscal e estudos desportivos na UM, trabalhando ainda como funcionária da instituição organizando actividades desportivas para professores, estudantes e trabalhadores. Dos muitos prémios trazidos para Macau, destaca-se a medalha de bronze nos Jogos Asiáticos de 2010 em Guangzhou.

Quando e como é que começou a praticar a modalidade de saltos para a água?
Comecei a praticar quando tinha 13 anos, em 2002. Na altura fazia dança e ginástica mas a minha irmã mais velha praticava natação e eu ia muitas vezes com ela. Uma vez vi um programa na televisão sobre saltos para a água, e este desporto atraiu-me logo. Queria experimentar e por coincidência a Associação Geral de Natação de Macau queria desenvolver esta modalidade, e foi assim que comecei a praticar os saltos. Sou uma das primeiras atletas a ser treinada para esta modalidade em Macau.

Como é que consegue gerir o tempo, porque tem de treinar, trabalhar, e ainda ir às aulas?
Normalmente treino em conjunto com toda a equipa de saltos de Macau em Guangzhou durante os fins de semana, e praticamos também todas as terças e sextas-feiras. Tenho aulas à noite, e trabalho de manhã e à tarde de segunda a sexta. O meu horário é contínuo, sem descanso. Não tenho tempos livres. Estou sempre ocupada mas sinto-me feliz sobre isso porque consigo arranjar sempre maneira de fazer tudo.

Como vê esta modalidade em Macau?
Acho que o caminho tem sido muito positivo, porque Macau só começou a desenvolver esta modalidade há 13 anos. A equipa de saltos tem muitos membros jovens, alguns são das escolas secundárias, mas já participou nos Jogos do Pacífico para Estudantes em Adelaide, na Austrália. A equipa tem tido um bom desempenho, os membros jovens já ganharam vários prémios durante os Jogos. E em Macau, há cada vez mais jovens a inscreveram-se para praticar saltos para a água. A nossa equipa está a desenvolver-se e a evoluir.

E como é que vê a sua carreira de saltadora?
Eu já ouvi muitos atletas a dizer que a carreira é limitada. Normalmente fixam um prazo para terminar as suas carreiras. Mas eu não o vou fazer. Vou rever a minha situação física a cada ano, em paralelo com o meu trabalho e os estudos, e ponderar se quero continuar a saltar ou não. E quando deixar de ser saltadora, posso ser treinadora, vou partilhar a minha experiência e técnica com os saltadores jovens no futuro.

Já participou em muitos jogos. Em que competição teve mais sucesso, ou qual lhe despertou maior interesse?
Participei em jogos que se realizaram um pouco por todo o mundo, na Europa, na Ásia e na China. Quando era estudante, era muito fácil obter uma licença para a participação nos jogos, mas agora já não é assim. Tenho de considerar a importância dos jogos por causa do trabalho. Tenho uma irmã gémea, praticamos salto juntas, e vamos juntas a competições como o trampolim de sincronizadas. Ganhei uma medalha de bronze nos Jogos Asiáticos em Guangzhou, em 2010, e venci no trampolim de 3m individual. Foi um dos meus maiores sucessos individuais. Gosto mais de participar nos jogos internacionais, porque todos os atletas vivem na mesma vila e posso conhecê-los durante os jogos, visitamos juntos a cidade onde os jogos se realizam, é muito interessante.

Já teve momentos menos bons durante a sua carreira?

Sim, com certeza, cada atleta tem os seus altos e baixos durante a carreira. Para mim, o pior momento aconteceu numas Universíadas em 2011. Como já tinha ganho uma medalha em 2010, quis aumentar o meu nível de exigência, mas infelizmente no último salto perdi o equilíbrio durante a corrida no trampolim. O exigido para este salto é duas voltas e meia em parafuso, mas eu só fiz uma volta e meia. Foi péssimo. Obtive nota zero neste salto.

Que planos tem para o futuro?
Penso que talvez venha a desenvolver uma carreira de árbitro de saltos para a água para além de treinadora, mas tenho de fazer o curso de árbitro no estrangeiro e ainda não estou preparada para isso. Tenho de continuar a treinar a trabalhar em Macau.

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