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O dólar de Hong Kong apresentou ontem os valores mais baixos desde 2007, mas economistas locais afastam receios. Mostram, no entanto, reservas quanto à saúde da economia chinesa e das RAEs

Oprofessor e economista Bruce Hall desvaloriza a queda do dólar de Hong Kong que nos últimos cinco dias tem feito tremer bolsas e investidores. Hall fala, até, de “possíveis consequências positivas” para a RAEM, como a promoção de turismo estrangeiro, agora que compensa converter patacas.
“Não me parece que seja razão para alarme, até porque ficaria receoso era se o dólar norte-americano aumentasse rapidamente, principalmente contra o reminbi”, acrescenta.
No entanto, faz previsões negras para o mercado chinês que, por sua vez, afectarão todos os outros. “A China vai continuar a sentir-se pressionada a reduzir as suas taxas de conversão para maximizar as exportações, mas isto vai implicar negativamente o valor do reminbi face a moedas como a pataca”, defende.
Ao HM, o académico da Universidade de Macau explicou que a presente queda do HKD é pouco expressiva face ao que se está a passar na China. O HKD caiu 0,79% nos últimos cinco dias, de acordo com o índice Hang Seng (bolsa de Hong Kong), pelo que 1 dólar norte-americano valia ontem 7,8 HKD em vez de valer os 7,76 HKD do passado dia 13.
Questionado sobre esta tendência da moeda, o economista local Albano Martins não se mostra preocupado, já que, diz, “está dentro do limite” estabelecido na década de 80. “Não me parece que vá haver grande intervenção [da RAEHK]”, acrescentou. 
O valor ontem registado será o mais baixo desde 2007, ano que antecedeu uma das mais profundas crises económicas do milénio. No entanto, Albano Martins olha para os números como estando “dentro do limite” do aceitável, não sendo assim necessário amparar a queda. A descida do HKD é atribuída à subida das taxas de juro nos EUA e à crise mundial.
“Os EUA estão a implementar medidas restritivas como subir as taxas de juro, para fazer com que as empresas e pessoas paguem mais para importar crédito, numa altura em que Macau está em recessão e Hong Kong também não está numa fase famosa”, lembra Albano Martins.

Soluções à vista

Martins explica que, no caso da reserva financeira vizinha ter de largar os cordões à bolsa e ceder USD, tal não será um problema, uma vez que “Hong Kong tem biliões na sua reserva”. O cenário de um apoio não está colocado de parte: “Se a Autoridade Monetária de Hong Kong entender que esse limite mínimo do valor do HKD está a querer ser ultrapassado, intervirá comprando USD ou actuando no sentido de evitar a especulação pela subida das taxas de juro”, explica o economista.
Publicações como a Bloomberg ou o Wall Street Journal (WSJ) tinham ontem títulos que indicavam um futuro negro baseado na descida do HKD. Para Ira Iosebashvili e Carolyn Cui do WSJ, a presente crise da moeda chinesa chegou, na passada terça, a um limite e tal é “o mais recente sinal de que os problemas da economia chinesa estão agora a contaminar” os mercados mundiais. “Alguns investidores acreditam que Hong Kong vai ser forçada a abandonar a relação cambial que se mantém há 30 anos”, escrevem.
Já Albano Martins tem vindo a defender que a pataca e o HKD deviam passar a estar indexados ao reminbi, dada a proximidade do país e as estruturas social e económica que imperam nos três locais. No entanto, o problema mantém-se: a moeda chinesa não é ainda convertível, impossibilitando qualquer indexação.

O poder que se esvai

Hall também apoia a tese do economista português, embora justifique a sua despreocupação com outros factores. Um deles é a queda – já visível – da economia chinesa. O enorme fomento ao investimento e a dívida são dois dos males. “A China já esgotou todo o potencial do modelo de negócios que implementou: o Governo Central percebeu que a procura, por parte da Europa e dos EUA, tenderia a diminuir e era preciso ir buscar capital a algum lado.” As pessoas, diz, deixaram de “querer comprar o bom e barato da China”, pelo que o país teve que se virar para onde pôde: mercados de investimentos, com enfoque em projectos de desenvolvimento. “Como consequência, temos hoje cidades e aeroportos-fantasma, com a China a somar o mesmo que cinco Nova Iorques em apartamentos construídos, mas abandonados”, repara.

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