Um Presente ao Futuro: Macau – Diálogos sobre Arquitetura e Sociedade

Por Bernardo Amaral, Arquitecto, Investigador

 

No final do ano passado a editora Circo de Ideias lança “Macau – Diálogos sobre Arquitetura e Sociedade” – uma publicação que propõe fazer um ponto de situação do pensamento crítico sobre as transformações urbanas e sociais que a cidade viveu nos últimos 20 anos. Editado por Tiago Saldanha Quadros e Margarida Saraiva, o livro é composto por nove entrevistas a arquitetos, urbanistas e investigadores e por um ensaio visual da autoria de Nuno Cera. A iniciativa dos editores surge da necessidade de “dar corpo, reunir, arquivar, partilhar uma espécie de estado da arte no que ao urbanismo de Macau diz respeito, permitindo o alargamento do debate sobre o futuro da cidade e sua relação com as regiões vizinhas”, como afirma Margarida Saraiva no prefácio. O livro foi inicialmente publicado em 2015, em inglês, pela organização cultural BABEL, fundada em Macau, no ano de 2013, com o objetivo de gerar oportunidades de investigação e aprendizagem nas áreas da arte contemporânea, arquitetura e ambiente numa abordagem interdisciplinar. Em 2019, o livro é publicado em português pela Circo de Ideias, dando a conhecer aos leitores portugueses o conjunto de entrevistas conduzidas por Tiago Saldanha Quadros entre 2013 e 2014. Para Quadros, “a relevância deste livro passa por analisar o tempo da nossa condição contemporânea, lançando a partir de Macau olhares reflexivos acerca dos desafios que a vida urbana moderna em Macau supõe.”

De facto, Macau é hoje mais uma cidade numa aldeia global, testemunho da maior revolução urbana de sempre, nomeadamente o atual processo de urbanização do território chinês. Fundada por mercadores portugueses no séc XVI, Macau é definida, a par de Hong Kong, como uma Região Administrativa Especial desde 1982. Enquanto tal, beneficiando de autonomia política e administrativa, estas duas cidades vão servir de tubo de ensaio para o “socialismo de mercado” planeado por Deng Xiaoping; processo também conhecido pelo mote “um país, dois sistemas”. Em 1999, a soberania administrativa de Macau é transferida para a China e desde então são implementadas uma série de medidas estratégicas no sentido de transformar a cidade numa atração turística e na capital mundial do jogo. O centro histórico de Macau, protegido pela UNESCO desde 2005, compete hoje com a monumentalidade dos edifícios dos casinos, cada vez em maior número (cerca de 38). É sobre este período que se centra o livro, sobre a rápida transformação da pacata cidade portuária, que nos últimos 20 anos ganhou 10 quilómetros quadrados de terreno ao mar e aumentou a sua população em mais 200 mil habitantes.

Ao selecionar 9 pensadores com diferentes experiências vividas de Macau e de nacionalidades diversas, Tiago Quadros reúne distintas perspetivas sobre o tema, oferecendo ao leitor um retrato multifacetado da condição contemporânea da cidade. Nas entrevistas são abordados temas como a arquitetura, a representação, a história e a memória, questões inevitáveis perante a velocidade a que a paisagem urbana muda, mas também perante regimes de representação que manipulam despudoradamente os signos da história da arquitetura.

Um dos entrevistados é o arquiteto Jorge Figueira, que visita Macau desde 2006, no quadro da sua investigação sobre a pós-modernidade na arquitetura portuguesa. Figueira demonstra particular interesse na vida e obra do arquiteto português Manuel Vicente, mas será igualmente fascinado pela condição contemporânea da cidade, como a alta densidade urbana e a sua constante transformação. Manuel Vicente, falecido em 2013, irá projetar e construir em Macau desde os anos 60. Marcado pela sua experiência profissional nos Estados Unidos com Louis Kahn e influenciado pela obra de Robert Venturi, Vicente desenvolve uma obra original, que seduz muitos arquitetos portugueses a descobrirem a exótica cidade, como é o caso de Manuel Graça Dias ou Diogo Burnay, este último também entrevistado por Tiago Quadros. Tendo lá vivido de 1992 -97, Diogo Burnay oferece um testemunho fascinante de como era trabalhar com Manuel Vicente e viver em Macau antes da transição para a administração chinesa. Também Wang Wejien, arquiteto formado em Taiwan e Berkeley e professor em Hong Kong, conhece a cidade desde essa altura, recordando o valor da arquitetura vernacular chinesa e do tecido urbano caracterizado pelos largos e pátios, que ainda hoje se encontram preservados. Por outro lado, Werner Breitung, geógrafo e urbanista alemão, professor em Hong Kong, que assistiu à transformação da cidade desde os anos 90, demonstra mais interesse no conceito de fronteira como lugar de contacto e gerador de urbanidade e de identidade coletiva ao longo dos últimos anos. Jianfei Zhu, historiador da arquitetura chinesa do século XX e formado na Universidade de Tianjin, faz uma leitura das transformações urbanas de Macau à luz da cultura urbana chinesa e enquadrada no processo de urbanização de todo o território continental. Outros pensadores e investigadores entrevistados por Tiago Quadros como Thomas Daniell, Mário Duque, Hendrick Tieben e Pedro Campos Costa, revelam, a par das suas reflexões pessoais sobre outros temas, preocupações com o impacto do turismo e do jogo na urbanização cidade, questionando a qualidade do espaço público, do acesso à habitação, e alertando para o perigo da transformação de Macau num “Parque Temático”. Alertas pertinentes, que espelham a condição contemporânea de uma sociedade de lazer e consumo, que Tiago Quadros irá aprofundar no texto do posfácio.

O ensaio visual de Nuno Cera surge no início do livro como um preâmbulo, ilustrando as contradições de uma cidade em “permanente mutação”. Ao longo das 47 imagens realizadas em 2018, o leitor deambula por um território denso e tropical, estranhamente familiar e simultaneamente irreal. Como num palimpsesto, sobrepõem-se edifícios de diferentes tempos e lugares, caracterizando fielmente a condição urbana da cidade peninsular. Para além dos massivos prédios de habitação e suas características “gaiolas”, Nuno Cera capta também a arquitetura festiva dos casinos, que apesar da sua excentricidade surge integrada no quotidiano da cidade. Um ensaio visual que é também um diálogo entre o autor e a cidade, convidando o leitor a percorrer os seus passos.

Na entrevista a Diogo Burnay e como resposta à questão sobre a importância da memória como mecanismo de “progresso”, Burnay responde citando Manuel Vicente: “O Manel costumava dizer-nos que o presente é um presente ao futuro e o passado é um presente ao presente.” Eu diria que esta frase atravessa todo o livro e que caracteriza exemplarmente o espírito deste bem sucedido projeto editorial. Um livro para conhecer Macau, enquanto espelho do mundo onde vivemos.

24 Mai 2021

Exposição | Cidade Desfocada hoje à tarde na Casa Garden

Cidade Desfocada é o resultado da residência artística de Nuno Cera em Macau. A visão do fotógrafo sobre a região vai poder ser conhecida, a partir de hoje à tarde na Fundação Oriente, numa instalação de imagens em vídeo, fotografia e outras experiências visuais

 

Por Raquel Moz 

O fotógrafo e vídeo-artista Nuno Cera aterrou em Macau para uma residência artística de um mês, entre Setembro e Outubro de 2018, a convite da Associação Cultural Babel. O resultado dos trabalhos chega agora ao espaço da Casa Garden, onde vão estar expostas as impressões das “paisagens urbanas, arquitecturas, infra-estruturas, passagens, rupturas quotidianas e destroços urbanos, numa reflexão contínua sobre o tempo, o espaço e as suas transformações”, nas palavras da curadora Margarida Saraiva.

“A exposição inicia-se com uma tela gigante num cavalete de madeira, que é a mesma imagem do convite”, começou por descrever a responsável. Nos salões principais da galeria vão ser apresentados dois vídeos e dezassete fotografias, onde o artista oferece uma perspectiva sobre as “três grandes cidades da região do Delta do Rio das Pérolas, sem artifícios ou qualquer tipo de julgamento” e, “ao fazê-lo, abre um novo espaço à reflexão”.

A “Cidade Desfocada” são essas três cidades – Macau, Hong Kong e Cantão – e é também o título do vídeo principal. O segundo trabalho videográfico dá pelo nome de “Vertical Hong Kong”, e “fala-nos contemplativamente de arte, do espaço global da existência contemporânea e das ameaças à nossa sobrevivência hoje”, adiantou Margarida Saraiva. A exposição reúne ainda um conjunto de seis “ready-mades”, “que são feitos a partir de néons antigos, recolhidos em antiquários de Macau, que têm pedaços da cidade antiga, descontextualizada, e que aqui adquirem todo um novo simbolismo”.

Terra do futuro

No último salão está uma reinterpretação do projecto Futureland, que Nuno Cera desenvolveu entre 2008 e 2010, composto por trinta e seis fotografias, “originalmente concebido como um atlas visual, subjectivo, mas também narrativo e documental, de cidades como Istambul, Cairo, Dubai, Los Angeles, Cidade do México, Xangai, Jacarta e Bombaim”. A retrospectiva, originalmente em vídeo, aqui vai poder ser revisitada como uma instalação fotográfica.

Para Margarida Saraiva, este projecto foi uma das razões pelas quais a Babel convidou o artista a vir criar no território. “Tínhamos o desejo de ver a cidade fotografada pelo Nuno, e também de posicionar Macau em relação a esse trabalho mais antigo” que, de acordo com uma entrevista feita em 2018 pela curadora ao fotógrafo, “foi um projecto que tinha como conceito inicial ser uma investigação artística sobre o impacto do crescimento urbano nas pessoas e no ambiente, assim como retratar a ligação entre arquitectura, espaço público e sociedade”.

O trabalho do artista, segundo o comunicado de imprensa, “aborda questões espaciais, de arquitectura e situações urbanas, através de formas ficcionais, poéticas e documentais”. Nuno Cera foi bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian em Berlim, em 2001; publicou o livro “Cimêncio” com o arquitecto Diogo Seixas Lopes, em 2002; foi nomeado para o prémio Besphoto 2004; fez uma residência artística no ISCP de Nova Iorque, em 2006; realizou o vídeo Sans, Souci e o projecto Futureland, em 2007 e 2008; foi seleccionado na XX edição da Bolsa Fundación Botin, Santander, com o projecto A Sinfonia do Desconhecido, em 2012; e nova residência artística na International Artist Residency Récollets, Paris, em 2013.

Foi o artista convidado pela A+A Books para fotografar a série de Guias de Arquitectura: Álvaro Siza, 2017, Eduardo Souto de Moura, 2018 e João Luís Carrilho da Graça, 2019. Em 2018, foi convidado para representar Portugal na 16ª Bienal de Arquitectura de Veneza e, actualmente, expõe “El Futuro ya ha Comenzado – Álvaro Siza Vieira, Manuel Marques de Aguiar e Nuno Cera, XIII Havana Biennial”, em Lisboa, de 12 de Abril a 25 de Maio.

26 Abr 2019

Fotografia | Projecto de Nuno Cera revela os paradoxos da paisagem local

Termina hoje a primeira residência artística promovida pela associação cultural Babel que levou o artista visual Nuno Cera a trabalhar e viver durante um mês em Macau. Da experiência por cá vivida, em termos conceptuais, o artista destaca o confronto entre o novo e o velho e o choque identitário em que a cidade vive

Nuno Cera, que já esteve no território na altura da transferência de administração, passou um mês em Macau a explorar a cidade através da captura de imagens. A oportunidade surgiu na sequência da primeira residência artística promovida pela Associação Cultural Babel, apoiada pela Fundação Oriente, e permitiu ao artista trabalhar e viver durante um mês no território.

A estadia revelou-se com um interesse acrescido, visto poder testemunhar com este regresso, as mudanças “drásticas” que se deram a nível de paisagem e urbanismo. “Estive há 18 anos em Macau, durante a transferência de administração, por isso tenho a possibilidade de fazer uma comparação em que registo uma cidade que se transformou totalmente com os novos territórios ou com toda uma zona do Cotai que na altura não existia”, começou por contar ao HM. Aliás, é o crescimento da urbe que tem pautado muitos dos projectos a que o artista se dedica.

Dentro do trabalho que tem vindo a desenvolver, intitulado “Futureland”, Nuno Cera fotografou Istambul, Cairo, Dubai, Los Angeles, Cidade do México, Xangai, Hong Kong, Jacarta e Mumbai.

Do trabalho realizado em Macau, Nuno Cera destaca o confronto entre os diferentes tempos das construções que ocupam o território, sendo que as fotografias que tem feito “abordam em particular esta questão em que o novo e o velho estão ao mesmo tempo muito próximos e muito distantes”, explicou.

A exploração da urbe está presente no trabalho de Nuno Cera desde o tempo em que viveu na Amadora. “Sendo um subúrbio de Lisboa, em que se sente a periferia e o suburbano”, o afastamento do que está central levou o artista “ao encontro das coisas que estão à margem”.

Foi também nessa altura que se começou a interessar por arquitectura, nomeadamente “do que transmite e das sensações que lhe estão associadas”.

Relativamente ao que sentiu em Macau, Nuno Cera destaca “uma certa decadência que implica o conceito de passagem do tempo, de sujidade e que tem um valor que por vezes pode ser bastante estético e romântico”.
Por outro lado, é um território que possibilita uma experiência “quase distópica, não real que transmite a sensação de uma identidade que não é muito óbvia””.

O poder do artificial

Os edifícios dos casinos não passaram indiferentes ao olhar do artista que inaugurou o programa de residência da Babel. “Não podia deixar de destacar toda aquela artificialidade, todo o capitalismo e esta atracção pelo consumismo que me interessa em especial até pela contraposição com outros locais que existem no território”, refere o artista.

O resultado deste trabalho vai ser dado a conhecer através de uma exposição que se realiza em Maio do próximo ano. Na mostra vai estar patente a convivência entre os diferentes “mundos que habitam a cidade e a relação entre a natureza e o urbano na sua dualidade e contraste”.

Do trabalho que desenvolveu pela região, constou ainda a deslocação a Hong Kong e a Cantão o que enriqueceu os interesses e resultados. “Foram locais onde tive experiências urbanas muito intensas, foi muito interessante ver como Cantão está a crescer e a desenvolver-se e como a sociedade se relaciona com isso”.

Em Hong Kong, a circulação de pessoas foi um dos aspectos que mais impressionou a lente de Nuno Cera, nomeadamente pela necessidade de vários tipos de passagens para se chegar aos locais numa cidade vertical em que se anda muito em plataformas.

Da experiência que tem no trabalho sobre cidades, Nuno Cera revelou a tendência dos centros urbanos se tornarem cada vez mais parecidos entre si. “Obviamente que há aspectos que identificam cada um dos locais, mas há cada vez mais muita coisa muito parecida, como se fosse uma espécie de globalização da urbe”.

Apesar da curiosidade pela vertente humana que as cidades integram, as pessoas ficam de fora das imagens de Nuno Cera. “Tenho sempre um certo pudor em fotografar pessoas directamente. Acho que vou contra a sua privacidade”, esclareceu.

O projecto que se debruça sobre o território vai, em princípio, chamar-se “Blured City” – cidade desfocada “mas pode ainda mudar”, apontou. O título, para já provisório, faz sentido para o artista uma vez que “Macau é uma cidade desfocada porque tem duas identidades que estão em confronto e em que se perde um pouco de uma identidade original”.

15 Out 2018

Fotografia | Nuno Cera é o primeiro convidado da residência artística da Babel

A primeira edição do programa de residência artística promovido pela associação Babel tem o fotógrafo Nuno Cera como primeiro convidado. O resultado da estadia do artista em Macau, que tem duração de um mês, será apresentado em Maio de 2019

Nuno Cera, fotógrafo e artista visual, é o primeiro convidado da Babel para o novo programa de residências artísticas, uma iniciativa da associação cultural Babel que dá os primeiros passos e pretende ter periodicidade anual.

A ideia é trazer um artista de fora para viver e trabalhar durante um mês em Macau com o intuito de apresentar o fruto desse trabalho em exposição, explica Margarida Saraiva, curadora do projecto e responsável pela Babel.

“No seu conjunto, o programa de residências criará uma memória visual, literária e contemporânea da cidade de Macau, produzindo novo conhecimento a partir de uma diversidade de olhares”, acrescenta.

De acordo com a responsável, a residência tem como objectivo promover o intercâmbio internacional e explorar práticas artísticas e curatoriais experimentais, fundadas na investigação transdisciplinar. O projecto funciona por convite porque “para alguns artistas faz muita diferença o espaço em relação ao qual a obra se desenvolve, enquanto para outros nem tanto”, refere a curadora.

Como o programa tem a finalidade de potenciar novos olhares sobre Macau, “não faz sentido que venham para um projecto com estas características artistas que não usufruam da influência do espaço onde se encontram”, sublinha Margarida Saraiva.

Outro dos detalhes fundamentais nesta iniciativa é o facto destes olhares terem de ser externos ao território, ou seja, “a forma como artistas do mundo inteiro olham para a nossa cidade e de que forma ela pode influenciar a sua obra”, explica.

Mas os desígnios do programa não se ficam por aqui. De acordo com Margarida Saraiva, é fundamental que da iniciativa resultem pesquisas que “façam sentido para o território, para que fique o registo de uma memória segundo uma perspectiva externa”, aponta.

A cidade como alvo

Nesta primeira edição, Nuno Cera foi o convidado a integrar a residência artística, que decorre desde 15 de Setembro e se estende até ao próximo dia 15. “É um artista que trabalhou dentro de uma investigação à escala global acerca do desenvolvimento das cidades”, conta a curadora.

O trabalho de Cera aborda questões espaciais, a arquitectura e situações urbanas, “através de formas ficcionais, poéticas e documentais”.

Dentro deste período de tempo, o artista desloca-se ainda a Cantão e Hong Kong e, ao longo da viagem, dará continuidade a uma investigação que é já longa no seu percurso e em que “explora a terra e o mar, o interior e o exterior, a paisagem e a construção, o cheio e o vazio, o espaço e o tempo, a arquitectura e a música”, aponta a curadora.

Dentro do trabalho que tem vindo a desenvolver, intitulado “Futureland”, Nuno Cera fotografou Istambul, Cairo, Dubai, Los Angeles, Cidade do México, Xangai, Hong Kong, Jacarta e Mumbai. De acordo com Margarida Saraiva, o fotógrafo costuma debruçar-se “sobre a forma como a cidade se desenvolve e expande”. “Estamos a falar de megalópolis e por isso achámos que poderia ter interesse juntar a estas cidades mais uma visão, desta feita sobre Macau, e por esta via colocar o território em diálogo com outras cidades do mundo”, reitera.

A exposição dos trabalhos realizados por Nuno Cera em Macau vão ser expostos na Casa Garden a partir de 2 de Maio do próximo ano. Da mostra vão ainda constar outras obras do fotógrafo, uma vez que a ideia não é apenas mostrar o trabalho que fez no território, mas também o realizado previamente em outras cidades do mundo dentro do projecto “Futureland”.

O artista

Bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian para integrar uma residência artística na Kunstlerhaus em 2000, em Berlim, Nuno Cera publicou em 2002, com o arquitecto Diogo Seixas Lopes, o livro “Cimêncio”, um levantamento de paisagens suburbanas. Foi nomeado para o prémio Besphoto 2004 e participou numa residência artística em Nova Iorque, em 2006. Em 2007 e 2008 realizou o vídeo Sans, Souci e o projecto Futureland, uma investigação artística sobre 10 metrópoles com o apoio da Dgartes – Ministério da Cultura de Portugal. Em 2012 foi seleccionado na XX edição da Bolsa Fundación Botin, Santander, com o projecto The Symphony of the Unknown. Nuno Cera integrou ainda a residência artística na International Artist Residency Récollets, em Paris, no ano de 2013, além de ter fotografado para os Guias de Arquitectura Álvaro Siza e Eduardo Souto de Moura. Este ano, participou na representação Portuguesa na Bienal de Arquitectura de Veneza.

Entre as suas exposições individuais mais recentes destacam-se: “Dark Forces / V”, “Poesia Mineral – Eduardo Souto de Moura”, “A Pressão da Luz – Álvaro Siza”, “Vestiges du Réel”, “Tour d´Horizon | Amadeo de Souza-Cardoso”, e “Symphony of the Unknown”.

9 Out 2018