10 de Junho | “Metropolis”, de António Mil-Homens, abre portas dia 31 

Inserida no programa das comemorações do 10 de Junho, a exposição de pintura “Metropolis”, de António Mil-Homens, abre portas dia 31 deste mês na galeria da Fundação Rui Cunha. Eis um olhar, visto de cima, sobre a vida urbana que nos rodeia, não apenas em Macau, mas nas cidades em geral

 

É no final deste mês que se dá início ao programa cultural de celebrações do 10 de Junho – Dia de Portugal, Camões e das Comunidades Portuguesas, e o pontapé de saída é dado, dia 31, com a exposição “Metropolis”, de António Mil-Homens. O público poderá ver, até ao dia 11 de Junho, na galeria da Fundação Rui Cunha (FRC), um total de 15 obras que remetem para a ideia da cidade vista de cima, todas elas pintadas pelo também fotógrafo durante a quarentena realizada em 2020, mas não só.

“Metropolis” é a segunda exposição de pintura de António Mil-Homens, que se estreou neste campo com a mostra “Monochrome”, depois de anos a guardar as telas numa gaveta. Estes trabalhos revelam agora um espaço citadino que remete não apenas para Macau mas para várias cidades. “Abordei esse tema de uma forma que considero distante”, contou ao HM.

“Em termos estéticos é como se estivesse a observar de longe, de muito alto, o que nos rodeia em termos citadinos. Foi uma ideia espontânea e sem esta intenção. Comecei a pintar sem decidir previamente o quê.”

Essencialmente, o processo de pintura de António Mil-Homens começou de forma mais intensa em 2020, ano em que a produção criativa foi muito frutífera. “De certa forma dei um salto qualitativo. Comecei por pintar de forma instintiva, o que deu lugar aquela exposição variada no que diz respeito às peças [Monochrome], mas depois dei comigo a abordar um tema e uma determinada estética, com consistência, em cada uma das telas que ia pintando.

Em 2020 fiquei com material que eu considerava como tendo potencial para uma nova exposição. E dei-lhe imediatamente um título, ‘Metropolis’”.

Mais tarde, já em contexto de quarentena, António Mil-Homens pediu telas e acrílicos a um amigo e deste período de clausura saíram mais cinco pinturas, que também integram esta mostra.

Na hora da despedida

António Mil-Homens está de saída de Macau e acredita que esta é uma boa forma de se despedir. “Quero acreditar que faço uma boa despedida de Macau e espero que seja essa a opinião das pessoas que forem à exposição. Sinto que consegui algum progresso do ponto de vista estético, e em termos de coerência, que não aconteceu em relação à primeira exposição. Pintava de forma compulsiva todos os dias e era aquilo que acontecia em cada tela.”

Com “Metropolis” as coisas acabaram por funcionar “de modo completamente diferente”. “Continua a ser um pouco estranho este processo, na medida em que não tenho qualquer formação na área da pintura e dei comigo a não querer ver, sequer, tutoriais de pintura, para deixar fluir aquilo que ocorre”, frisou.

No comunicado a propósito desta mostra, o autor destes trabalhos destaca o facto de “Metropolis” simbolizar também “o tempo de virar uma página” da sua vida, 26 anos após a sua primeira visita a Macau, encerrando “uma permanência de cerca de 15 anos”.

“Não a vejo como um adeus. Antes como um até sempre, em que a lógica dessa mesma constância se inverte. Reitero o meu convite para que guardem, se do exposto gostarem, mais estas peças que o território e as circunstâncias me inspiraram. Lançarão mais uma pedra na construção dos projectos futuros”, apontou.

24 Mai 2022

KINO | Festival começa amanhã e traz o clássico “Metropolis”, de Fritz Lang 

Pela sexta vez, o festival de cinema alemão chega a Macau fruto da parceria entre a associação CUT e o Instituto Goethe de Hong Kong. O KINO destaca o movimento expressionista do cinema alemão e traz ao território o clássico “Metropolis”, de Fritz Lang. As exibições têm lugar no Cinema Alegria e na Casa Garden

 

A associação CUT, que geriu anteriormente a Cinemateca Paixão, traz de volta a Macau o festival de cinema alemão KINO. A sexta edição arranca amanhã e apresenta cinco novos filmes além de clássicos do Expressionismo alemão, como “Metropolis”, de Fritz Lang. As exibições acontecem entre esta sexta-feira e domingo, e ainda entre os dias 12 a 14 de Novembro, no Cinema Alegria e na Casa Garden.

Os cinco novos filmes apresentados são a expressão de vários géneros cinematográficos e temas, como ficção científica, comédia, amor ou história. O cartaz inclui também quatro clássicos do Expressionismo alemão, onde, além de “Metropolis”, figuram “The Cabinet of Dr. Caligari”, “Nosferatu” e “The Golem: How He Came into the World”, títulos que acabaram por influenciar realizadores contemporâneos como David Lynch e Tim Burton. Estes clássicos alemães deixaram também a sua marca no clássico de Ridley Scott “Blade Runner”, por exemplo.

Os bilhetes estão à venda desde o dia 25 de Outubro e podem ser adquiridos online, tendo um custo de 70 patacas.
O cartaz começa esta sexta-feira, às 19h30, com a exibição de “Kiss me Before it Blows Up!”, um filme de 2020 de Gershon Klein. Este filme retrata uma história de amor que ultrapassa fronteiras e culturas, com a história de amor de duas mulheres israelitas que se apaixonam por uma mulher alemã e um homem da Palestina. Depressa as diferenças sócio-culturais entre famílias se tornam demasiado evidentes, gerando situações de tensão. No domingo é dia de exibir, também no Cinema Alegria, às 16h30, o filme “The Kangaroo Chronicles”. Ainda neste dia, o público poderá ver, às 19h30 na Casa Garden, o clássico “Nosferatu”, que inspirou muitos outros filme de terror. “Nosferatu” conta a história de um vampiro que vive luxuosamente no seu castelo e que procura o sangue de uma bela mulher, enquanto espera uma oportunidade para regressar ao mundo.

Já “The Cabinet of Dr. Caligari” é exibido no sábado, às 19h30, também na Casa Garden, retrata a vida de um homem sonâmbulo que hipnotizado comete uma série de crimes. Este filme é visto como uma metáfora do crescimento do Nazismo na Alemanha nos anos 30 e sobre os acontecimentos que antecederam a II Guerra Mundial – uma submissão quase irracional a uma nova autoridade fascista.

O KINO prossegue no fim-de-semana seguinte com a exibição, dia 12, de “The German Lesson”, que se baseia num dos mais famosos romances alemães da literatura do pós-II Guerra Mundial.

A história passa-se, portanto, no período pós-1945, quando Siggi Jepsen, um jovem detido, tem de escrever um ensaio, que só consegue ver a luz do dia quando o seu autor se encontra preso. Depressa vêm ao de cima as memórias do seu pai, polícia, que teve de banir uma pintura do artista expressionista Max Ludwig Nansen para responder aos desígnios nazis. Siggi, então com 11 anos de idade, depressa se vê envolvido num conflito que lhe traz as tristes memórias do passado. “The German Lesson” venceu dois prémios e recebeu três nomeações em festivais.

Metropolis no Alegria

O KINO volta a acontecer no sábado dia 13, na Casa Garden, com a exibição, às 15h, do filme “Berlin Alexanderplatz”, seguindo-se, no domingo, “Tides”, exibido no Cinema Alegria às 16h30. Este é um filme que explora a temática actual do abuso de recursos naturais e da necessidade de protecção do meio ambiente, decorrendo numa altura em que o planeta Terra é afectado por uma catástrofe global. É então que a colónia espacial Kepler resolve organizar uma missão para analisar em que condições se encontra o planeta, onde a vida humana se tornou impossível.

Também no dia 13, é exibido “Metropolis”, às 21h30, à volta do qual foi construída toda a imagem gráfica do KINO. Nesta obra-prima do cinema, Fritz Lang experimenta, pela primeira vez, efeitos especiais que mais tarde se tornariam comuns para muitos realizadores. “Metropolis” é um filme distópico e futurista que conta a história de um mundo que se divide em duas classes sociais: os que se divertem e bebem a toda a hora, e os restantes que trabalham até à morte. Em “Metropolis”, Fritz Lang imagina um mundo com robots sem pensamento próprio, que se limitam a cumprir as regras impostas por um regime. Mesmo aqueles que outrora se rebelavam contra o sistema.
Domingo, dia 14, é exibido, na Casa Garden e às 19h30, mais um clássico: “The Golem: How he came into the world”, filmado em Praga. Esta obra foi realizada por Karl Freund e traz novamente para o ecrã leituras sobre o período político da Alemanha à época, marcado pelo anti-semitismo e pelo nazismo.

Além da exibição dos filmes, o KINO apresenta também uma palestra, protagonizada por Derek Lam, onde os amantes do cinema poderão aprender mais sobre o movimento expressionista alemão. Esta palestra será transmitida online e está agendada para sábado, dia 19h, entre as 18h e as 19h.

3 Nov 2021