Estudo | “Economia da solidão” superou um bilião de dólares na China em 2025

Os consumidores solteiros na China gastaram mais de um bilião de dólares em 2025, mais 50 por cento do que dois anos antes, impulsionando uma crescente “economia da solidão”, indica um relatório divulgado ontem

 

O documento, da autoria de Y. Tony Yang, professor da Universidade George Washington, nos Estados Unidos, aponta, no entanto, que o fenómeno deve ser entendido não apenas como um novo mercado de consumo, mas como resultado da desagregação de funções tradicionalmente asseguradas pelas famílias.

Durante grande parte da história moderna as famílias partilharam despesas como habitação e alimentação, além de assegurarem cuidados a crianças e idosos, companhia e protecção perante imprevistos, observa o autor. “Em toda a Ásia Oriental, esse modelo está a perder peso, levando cada vez mais pessoas a recorrer a serviços pagos para satisfazer necessidades antes asseguradas no seio da família”, escreve Yang.

Na China, o censo de 2020 contabilizou 125 milhões de pessoas a viver sozinhas, o equivalente a uma em cada quatro famílias, enquanto tendências semelhantes são observadas noutros países da região. Na Coreia do Sul, 36 por cento dos agregados familiares são constituídos por uma única pessoa, enquanto no Japão a proporção deverá atingir 44 por cento em 2050.

Segundo dados da empresa chinesa de investigação Discovery Reports, citados pelo autor, os gastos dos solteiros chineses ultrapassaram um bilião de dólares em 2025, aumentando cerca de 50 por cento em apenas dois anos. Yang considera, contudo, que parte desse crescimento não representa necessariamente nova actividade económica, mas a “transformação em transacções comerciais de funções anteriormente desempenhadas dentro do agregado familiar”.

Quando uma família prepara uma refeição em casa, exemplifica, essa actividade não é contabilizada no produto interno bruto (PIB), mas quando alguém que vive sozinho encomenda uma refeição individual ou paga por entretenimento ou companhia, essas mesmas necessidades passam a surgir nas estatísticas económicas.

O autor alerta ainda que parte das despesas associadas à chamada “economia da solidão” não corresponde a consumo discricionário, mas a custos que quem vive sozinho não pode partilhar, incluindo renda, electricidade ou electrodomésticos.

Família de um

A tendência está também a criar produtos e serviços na China, desde refeições para uma pessoa a aplicações destinadas a verificar o bem-estar de quem vive sozinho. Uma aplicação chinesa cujo nome pode ser traduzido como “Estás morto?” chegou ao primeiro lugar entre as aplicações pagas no país em Janeiro. O serviço alerta um contacto de emergência caso o utilizador falhe duas verificações diárias consecutivas.

Para Yang, trata-se de “um substituto pago para uma tarefa que, até recentemente, não precisava de um produto”.

O relatório destaca igualmente o crescimento dos serviços de companhia baseados em inteligência artificial (IA), numa altura em que Pequim começou a regulamentar este mercado. Novas regras chinesas para serviços de IA “antropomórfica”, em vigor desde 15 de Julho, proíbem relações românticas virtuais com menores, exigem consentimento dos encarregados de educação para utilizadores com menos de 14 anos e obrigam as empresas a intervir perante sinais de automutilação ou dependência emocional excessiva, segundo o documento.

Yang defende que o crescimento das famílias unipessoais obrigará também os governos a repensar sistemas de saúde e assistência social ainda construídos em torno da existência de cônjuges, filhos ou outros familiares capazes de prestar cuidados. “A economia da solidão é três coisas ao mesmo tempo: um mercado real, um artefacto estatístico e uma perda de eficiência”, resume.

O académico considera a Ásia um “local piloto” para uma transformação que deverá alastrar posteriormente a outras regiões do mundo, à medida que aumenta o número de pessoas que vivem sozinhas.

15 Set 2026

Estudo | Maioria dos consumidores chineses valoriza protecção de marcas

A consciência do consumidor chinês face ao valor dos direitos de propriedade intelectual, tem vindo a aumentar substancialmente nos últimos anos, indica um inquérito da CBNData e da LEGO Group

 

Os consumidores chineses têm um nível relativamente alto de consciência quando se trata de direitos de propriedade intelectual, com a maior parte a valorizar a protecção de marcas, indicou um inquérito industrial, citado pela agência estatal Xinhua.

Cerca de 85 por cento dos consumidores inquiridos disseram prestar atenção às marcas genuínas na compra de produtos, de acordo com um relatório conjunto da empresa nacional de análise de dados comerciais CBNData e da gigante global de brinquedos LEGO Group, citando os resultados de 2.000 questionários online.

O relatório revela que 69 por cento dos consumidores abordados concordam com a importância da protecção das marcas e agirão de acordo com esse princípio durante as suas compras.

Concorrência justa

Os consumidores chineses acreditam que a protecção de marcas registadas ajudará a cultivar um ambiente de concorrência justa, manter a imagem e reputação corporativa e proteger os direitos e interesses dos consumidores, de acordo com o relatório.

Até ao final de junho, a China tinha cerca de 40,55 milhões de marcas registadas efectivas, um aumento de 20,9 por cento em comparação com um ano atrás, indicam os dados da Administração Nacional de Propriedade Intelectual da China.

“Como uma empresa multinacional que tem um compromisso de longo prazo na China, realmente apreciamos os esforços contínuos das autoridades chinesas em criar um ambiente de negócios mais favorável através de todo este trabalho árduo e avanço na área de propriedade intelectual, bem como outros”, disse Robin Smith, vice-presidente e conselheiro geral da China & Ásia Pacífico, LEGO Group.

22 Ago 2022