Casino Lisboa soma 13 anos e “mais de 22 milhões de visitantes”

O Casino Lisboa, que celebra 13 anos no próximo dia 19, recebeu “mais de 22 milhões de visitantes” ao longo deste período, o que corresponde a cerca de dois milhões por ano, divulgou ontem a Estoril Sol, cujo presidente do conselho de administração é Stanley Ho. Os empresários Ambrose So e Pansy Ho, ligados às concessionárias de jogo Sociedade de Jogos de Macau e MGM China, respectivamente, também fazem parte do conselho de administração.

“A elevada afluência de público – uma média diária de cerca de 5.000 entradas – reflecte, de forma inequívoca, o êxito do Casino Lisboa”, que surgiu da reconversão do Pavilhão do Futuro da Expo’98.

As celebrações deste ano são protagonizadas, no dia 19, pelos Orelha Negra, que actuam, com entrada livre, a partir das 22:00, no palco central do Arena Lounge, seguindo-se o DJ João Afonso.
Samuel Mira a.k.a. Sam the Kid, Dj Cruzfader, Francisco Rebelo, João Gomes e Fred, formam a banda Orelha Negra, banda que se deu a conhecer em 2010.

O Auditório dos Oceanos, uma das valências do casino no Parque das Nações, teve em cartaz, ao longo destes 13 anos, 147 espectáculos diferentes, num total de 2.561 sessões, aos quais assistiram “mais de 1,25 milhões de espectadores”.

“STOMP”, “Momix”, “Crazy Horse”, “Os Melhores Sketches dos Monty Python”, “A Verdadeira Treta”, “Apanhados na Rede”, “Slava Snow Show”, “40 e Então?”, “Nome Próprio”, “God”, “Filho da Treta”, “Mais Respeito que Sou Tua Mãe” e “Raul” foram alguns dos espectáculos deste palco, inaugurado em 2006 pela cantora lírica Natalie Choquette.

No ano passado, este palco recebeu sete produções. A peça protagonizada por Maria Rueff, “Zé Manel Taxista”, foi a que mais sessões registou (42). Este ano já subiram ao palco quatro produções, entre as quais “Lusitânia Comedy Club – O Porquê da Coisa”, que lidera o numero de sessões deste ano (11).

O Arena Lounge, o espaço central do Casino Lisboa, foi palco de espectáculos musicais e actuações de novo circo. Acolheu “mais de 650 bandas, além da música ambiente, da rubrica Juke Box” e 180 artistas circenses, de vários países.

A Orquestra Bamba Social & Tiago Nacarato foi a única que este ano esteve em cartaz, no Arena Lounge que, no ano passado, somou dez espectáculos, entre os quais concertos de Sérgio Godinho & Capicua e dos The Gift, que protagonizaram a passagem do ano.

A Galeria de Arte do Casino Lisboa recebeu 125 exposições de arte contemporânea, desde 2006. Foi inaugurada com uma mostra do colombiano Fernando Botero.

No ano passado foram apresentadas sete exposições, entre as quais “Raul”, dedicada ao actor Raul Solnado (1929-2009), concebida por Patrícia Reis, do ateliê 004, e por José Poeira, da produtora de espectáculos UAU.

Este ano já se realizaram as exposições de pintura “Percursos II – Variações”, de José Cardoso, e “Otros Mundos II”, de Sílvia Zang.

10 Abr 2019

Património | Casino Lisboa poderá fazer parte da lista, mas não deve ser o único

A ideia de classificar o Casino Lisboa como património de Macau não causou surpresa e é defendida por arquitectos locais. A necessidade de um estudo independente é defendido pelos profissionais, que sugerem ainda que outros edifícios sejam classificados também

Não está excluída a hipótese de incluir o Casino Lisboa – o primeiro no território – na nova lista de bens imóveis do património de Macau. A ideia foi, de acordo com o jornal Ponto Final, avançada no passado domingo pelo académico e membro do Conselho Internacional de Monumentos e Sítios Michael Turner, e foi ontem reforçada pelo Instituto Cultural (IC) numa resposta ao HM.
O instituto explica que já recebeu opiniões – duas – nesse sentido e que por isso vai proceder “ao estudo e à análise do valor das informações e opiniões”. No dia de ontem, durante o debate levado a cabo pela Rádio Macau sobre os dez anos de classificação do património mundial pela UNESCO, os arquitectos Vizeu Pinheiro, Rui Leão e Maria de José de Freitas concordaram com esta ideia.
“Quando de fora se fala de Macau, o que vem à cabeça das pessoas é a imagem do Lisboa. É incontornável”, afirmou Rui Leão. “O hotel Lisboa não sai do nada. Havia as casas de fan-tan, de jogo tradicional, umas duzentas no Porto Interior e agora só há uma na Rua 5 de Outubro”, defendeu Vizeu Pinheiro, assinalando a necessidade do Governo estar mais atento à questão.
Em declarações ao jornal Ponto Final, o mesmo arquitecto explicou a classificação “faz sentido” mas, partindo do princípio da iniciativa da “narrativa da história dos casinos” é necessário que outros edifícios estejam incluídos na mesma lista. O arquitecto apontou o edifício da farmácia na Avenida 5 de Outubro – devido à sua ligação com o Jogo – como um dos edifícios a acrescentar.

Ícones da cidade

Para Maria José de Freitas o mais antigo casino local “é um dos edifícios mais emblemáticos de Macau”, logo faz sentido estar incluído os imóveis protegidos, mas ainda assim é “importante entender Macau como um todo e olhar também para as zonas de transição”.
Recorde-se que a arquitecta defendeu anteriormente que a classificação é exagerada se tiver como base da escolha “os postais e imagens promocionais” do casino. Maria José de Freitas acredita que é necessário um estudo intensivo “tendo em conta as características culturais do edifício e não só porque a sua imagem é conhecida”.
O mesmo estudo foi ainda defendido por Rui Leão que explicou à publicação local que é necessário que o processo de classificação esteja liberto da ideia de “que não se pode mexer em nada”.
“O hotel transporta a ideia de um edifício em constante transformação. A classificação nunca pode passar pela ideia de cristalizar o edifício porque isso iria ser uma negação da própria estrutura pela maneira como ela existe”, defendeu, sublinhando a importância da classificação “por ser uma representação daquilo que a indústria do Jogo trouxe a Macau”.

Por um novo modelo de gestão

Em declarações à Rádio Macau, durante a participação no debate dos dez anos de património mundial, o arquitecto Vizeu Pinheiro apelou a um novo modelo de gestão do património local, criticando o poder centralizado do IC.
“Isto vai contra o modelo aprovado pela UNESCO, que era a de uma gestão colegial. O património é de todos, não é do IC”, disse, sublinhando a existência de um instituo que possa gerir o património. “[O IC] não deve ser o senhor absoluto, que é o que está a acontecer”. O arquitecto foi mais longe frisando que “a grande pergunta é quem é que fiscaliza o fiscalizador. Quem controla o Instituto Cultural?”

O drama do plano de gestão

Ainda na área da gestão, a arquitecta Maria José Freitas, no mesmo debate, frisou a urgência de um plano de gestão do património, apontando várias falhas à recente Lei do Património. “Estamos a viver com uma lei de 2013 mas que ainda não tem uma lista de edifícios classificados e que, no fim, está a funcionar com a lista de 1992. Parece-me que isto é um pouco dramático. Macau está a passar por uma fase com enormes desafios do ponto de vista do planeamento urbano com os novos aterros e, portanto, a não existência de um plano de gestão resulta numa falta de eficácia”, argumentou durante o debate.

16 Jul 2015