Mais vale ser do que parecer

Todos os anos, a época de exames decorre entre Maio e Julho. Quer seja no ensino privado quer seja no público, trata-se do período em que os estudantes têm oportunidade de demonstrar os seus conhecimentos. Devido às diferenças de aptidões, capacidade de trabalho e antecedentes familiares dos alunos, os resultados que cada um obtém variam entre si. Independentemente disso, as notas têm um peso determinante nesta fase da vida de um estudante.

Se um aluno tiver notas excelentes, pode continuar os estudos sem qualquer problema e o mercado de trabalho dá-lhe prioridade; Alunos com alto desempenho têm uma vantagem inicial. Os alunos com notas baixas precisam de decidir se repetem o ano ou abandonam a escola para procurar trabalho e seguir outro caminho. Qualquer destas possibilidades é válida.

No entanto, o futuro dos estudantes que obtêm boas notas fazendo “batota” é uma questão completamente diferente.

Quando navegamos na internet, não é difícil perceber que, com o crescimento da inteligência artificial (IA) nos últimos anos, as ferramentas que permitem defraudar os exames estão a tornar-se cada vez mais sofisticadas. Os smartglasses e os smartwatches tornaram-se uma das ferramentas mais comuns para este fim. Com os smartglasses, os alunos, se baixarem a cabeça, passam as perguntas para a IA que lhes responde de imediato, permitindo-lhes copiar facilmente as respostas para as folhas de exame e conseguir notas elevadas. Defraudar com os smartwatches funciona basicamente da mesma forma. Um outro método de “batota” mais tradicional é as cábulas. As informações mais importantes são escritas em pedaços de papel que os alunos escondem nos bolsos e depois são consultados e os conteúdos são copiados quando necessário. Comparadas com os smartglasses e os smartwatches, as cábulas ficam muito mais baratas.

Embora os professores apanhem alguns alunos a copiar, na verdade enfrentam várias limitações para manter a seriedade e a justiça nos exames. Uma das maiores dificuldades é a recolha de provas. Quando usam estes dispositivos, os alunos costumam ligar o ecrã, mas um simples toque de botão bloqueia-o instantaneamente, tornando-o preto. Devido a preocupações de privacidade, os professores não podem obrigar os alunos a voltar a ligar os ecrãs. Sem poder aceder-lhes, os professores não têm provas suficientes de que o aluno tenha copiado durante o exame. Embora a maioria das regras estipule que não se pode trazer dispositivos electrónicos para a sala de exame, a medida tem uma eficácia limitada. Isto porque levar um dispositivo electrónico para a sala de exame não é o mesmo que usá-lo. Os alunos podem argumentar que foi involuntário, que se esqueceram de o deixar lá fora e que por isso o trouxeram para a sala de exame. Se não o usarem, não há fraude.

A situação das cábulas é ainda mais complicada. Se um professor perceber que um estudante está a usar uma cábula e não lha conseguir tirar de imediato, o faltoso pode pô-la na boca e engoli-la, eliminando assim a prova do delito. A única coisa que o professor pode fazer é lançar um suspiro de desespero.

As escolas não são tribunais. Ao lidar com estas questões, os professores muitas vezes têm de passar muito tempo a explicar as regras aos alunos. Como as regras lhes são desfavoráveis, têm dificuldades em aceitá-las. Se os pais apoiarem os filhos e considerarem que as regras da escola são irrazoáveis, a regra que proíbe dispositivos electrónicos na sala de exame dificilmente funcionará como pretendido.

“Batoteiro” é um estudante que usa meios ilegais para obter melhores notas. Na essência, este método ilegal demonstra uma vontade de não olhar a meios para alcançar bons resultados, reflectindo a falta de carácter do batoteiro; e as consequências são graves. Se adoecesse, pediria a um médico que fez batota no exame para o tratar? Se precisasse de um advogado para o defender em tribunal, contrataria alguém que copiou nos exames? As respostas são evidentes.

Os estudantes que copiam nos exames são pouco íntegros e tendem a desenvolver uma mentalidade oportunista, o que prejudica a sua conduta pessoal a longo prazo. Devem parar imediatamente estes comportamentos e arrepender-se completamente. Talvez as suas notas não sejam hoje as ideais, mas com os valores certos, podem certamente encontrar uum outro caminho. Bao Zheng (包拯), o famoso juiz da China antiga, não foi um erudito de topo, mas graças aos seus próprios esforços tornou-se um juiz de renome (包青天). Han Yu (韓愈), um dos Oito Grandes Mestres das Dinastias Tang e Song (唐宋八大家), não era um grande estudioso, mas o seu talento literário era reconhecido em todo o país. Pu Songling (蒲松齡), um escritor da Dinastia Qing (清代), reprovou várias vezes nos exames imperiais, mas graças aos seus próprios esforços, escreveu com sucesso o romance clássico e intemporal “Contos Estranhos de um Estúdio Chinês” (聊齋誌異). Estes indivíduos, embora não fossem estudiosos de grande gabarito, alcançaram vidas plenas e fama generalizada ao traçarem os seus próprios caminhos.

A sociedade valoriza muito as notas, a competição feroz pelo ensino superior e um padrão único de avaliação agravam a necessidade de os alunos copiarem nos exames. Estes factores não podem ser resolvidos apenas pelas escolas. Além disso, inúmeras lacunas na monitorização dos exames levam alguns estudantes a subestimar as consequências da fraude e a ignorar as questões morais subjacentes. Estes problemas exigem o esforço conjunto da sociedade, dos pais, das escolas e dos alunos para serem resolvidos.

A sociedade actual é muito mais complexa do que as sociedades antigas, oferecendo aos estudantes mais opções. Em vez de se focarem nas notas dos exames, os alunos devem explorar várias vias. Antes de decidirem um caminho, os estudantes devem experimentar coisas diferentes e não deixar que um único exame determine o seu sucesso. Com os valores certos, há sempre caminhos para trilhar, e cada aluno acabará por encontrar o seu. Esta é a via ideal, muito preferível a tirar boas notas porque se fez batota nos exames e também tornará a vida mais gratificante.

14 Jul 2026