Lisboeta | James Chu, designer e artista, apresenta nova exposição

Um dos mais conhecidos artistas de Macau está de regresso às exposições. “The Practice of Time: Contemporary Art by James Chu” apresenta-se no Lisboeta Macau a partir do dia 18 de Setembro, numa iniciativa da Associação Cultural da Vila da Taipa. Eis o hábito de escrever diariamente transformado em arte nos seus mais diversos formatos e conceitos

“The Practice of Time: Contemporary Art by James Chu” [A Prática do Tempo: Arte Contemporânea por James Chu] é o nome da nova mostra promovida pela Associação Cultural da Vila da Taipa para Setembro. Com inauguração apontada para o dia 18 deste mês, o projecto pode ser visto no empreendimento Lisboeta Macau, no Cotai, revelando novas obras daquele que é um dos mais conhecidos artistas de Macau, já com uma carreira firmada no mundo das artes.

Segundo um comunicado da organização, apresenta-se “um conjunto de obras contemporâneas que são moldadas por sete anos de prática contínua”, e onde se exploram as vertentes da escrita, “repetição, materialidade e transformação”. O público pode, assim, ver, trabalhos com caligrafia, esculturas, instalações e técnicas mistas.

Trata-se de uma mostra que “reflecte sobre a forma como uma prática criativa contínua pode transformar um gesto simples numa experiência física e contemplativa”, descreve João Ó, ligado à associação e também curador da exposição.

Os trabalhos que se apresentam nesta mostra também são reflexo de um hábito de James Chu, nomeadamente o de “escrever textos à mão diariamente durante sete anos”. Com este acto repetitivo, a escrita acabou por se transformar “num registo do tempo”, mas também uma forma de “disciplina e concentração”.

Desta forma, o artista quase que atinge um estado meditativo ao escrever todos os dias, já que se verifica “uma prática rítmica em que a atenção sustentada cria uma sensação de quietude e presença”.

Novas noções de tempo

Nesta mostra, a obra central é uma “escultura tridimensional em papel construída a partir de sete anos de páginas manuscritas”, e que “transforma um texto de apenas 260 caracteres chineses numa ampla estrutura física, convertendo a linguagem em matéria e os gestos individuais numa forma colectiva”, descreve o curador.

Em “A Prática do Tempo” podem também ser vistas “figuras em papel de grande escala e formas de mãos, produzidas através de técnicas artesanais tradicionais classificadas como património cultural imaterial, combinam técnicas históricas com a instalação contemporânea”.

Neste projecto, os textos manuscritos “tornam-se elementos visuais e materiais, enquanto a iluminação integrada revela a relação entre a escrita, a transparência, a sombra e o espaço”.

Mas há também trabalhos com pintura e tijolos reutilizados, “marcados por décadas de exposição às intempéries”, onde o artista explora não apenas a caligrafia como a própria história dos materiais. “O papel frágil, os materiais arquitectónicos envelhecidos, a pedra e a luz tornam-se diferentes suportes do tempo, criando um diálogo entre os vestígios acumulados do passado e a intervenção artística contemporânea”, é referido.

Outro conceito bastante ligado a esta exposição, é o espírito Zen e as ideias de “simplicidade, presença e perseverança”. James Chu, “em vez de apresentar formas históricas de escrita e criação como tradições fixas, aborda-as como linguagens visuais em constante evolução, através das quais convergem a memória, a matéria, o tempo e a contemplação”, explica o curador.

Com este processo, “o acto quotidiano de criar transforma-se numa investigação silenciosa sobre a forma como o tempo pode ser registado, transformado e, em última análise, experienciado através da arte”.

Retrato de vida

Nascido em Macau, James Chu estudou técnicas de gravura no Atelier de Gravura Bartolomeu Cid dos Santos, da Academia de Artes Visuais de Macau, em 1990. No início de 1998 licenciou-se em Design Gráfico na Escola de Artes do então Instituto Politécnico de Macau, hoje Universidade Politécnica de Macau, tendo feito mestrado na área das artes na Universidade de Lingnan, Hong Kong, dez anos depois.

Realizou dez exposições individuais de pintura, fotografia e instalações em Macau e Pequim, tendo participado em mais de uma centena de exposições colectivas em todo o mundo. Enquanto curador, organizou mais de uma centena de exposições de arte e design de Macau em importantes cidades internacionais, incluindo Pequim, Xangai, Shenzhen, Cantão, Zhuhai, Taipé, Hong Kong, Macau, Paris, Roma, Tóquio, Banguecoque, Singapura, Seul, Nova Iorque, Londres, Lisboa, Porto e Melbourne.

As suas obras integram as colecções da Fundação Macau, da Fundação Oriente, do Museu de Arte de Macau, da Fundação Philippe Charriol, do Museu Shanghai Zendai Himalayas, do Hyatt Regency Hong Kong, bem como de mais de 30 coleccionadores privados em todo o mundo.

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