Lisboa | Restaurante Patuá volta a fechar portas

Aberto em 2019, encerrado temporariamente em 2024 por causa das rendas elevadas, o restaurante Patuá, de comida macaense, vai fechar portas definitivamente pelo mesmo motivo, em Lisboa. A decisão foi anunciada na mais recente crónica de Ricardo Dias Felner publicada no Expresso, intitulada “O Patuá e a cozinha macaense”

É em Lisboa que o restaurante de comida macaense Patuá, projecto de Francisco Rodrigues e Daniela Silvestre, tem dado a conhecer ao mundo a tradicional comida de Macau, feita da fusão de sabores ocidentais e asiáticos. Com portas abertas em Outubro de 2019, o restaurante não resistiu aos elevados preços das rendas de Lisboa, fechando temporariamente em 2024.

Porém, o mesmo cenário voltou a surgir e os donos vão mesmo encerrar o estabelecimento, conforme foi anunciado na mais recentes crónica do jornalista Ricardo Dias Felner no semanário português Expresso.

“Na verdade, Portugal poderá ficar sem nenhum representante de uma gastronomia original, de que é parte. No final do jantar do Patuá, Daniela Silvestre, companheira de Francisco Rodrigues, a mulher que dirige a sala, contou-me que o restaurante vai fechar, em Setembro”, pode ler-se.

O cronista salienta a elevada pontuação do espaço, com 4,8 na plataforma Google Maps. “No dia em que lá fui, a casa estava cheia. O problema é o mesmo que ditou o primeiro encerramento, em 2024: vão ter de abandonar o sítio onde estão; e a renda que pagariam, noutro lugar, aos preços actuais, inviabilizaria o negócio. Lamentável. Para a restauração de Lisboa. Para a culinária macaense. Para Portugal”, pode ler-se.

Actualmente, o negócio funciona na Rua Angelina Vidal, tendo como chefe de cozinha Francisco Rodrigues, macaense que nunca pôs um pé no território, mas cujas ligações familiares e histórias de Macau nunca o deixaram ficar sem vínculo. Daniela é a sua companheira e formou-se em antropologia, tendo sido sempre fascinada pela cultura oriental, conforme confessou ao HM numa entrevista conjunta realizada em 2021.

Comida de fora

Conforme descreve Ricardo Dias Felner, a comida macaense fica praticamente em extinção em Portugal quando o Patuá encerrar portas. Existe o restaurante “Macau Dim Sum”, em Lisboa e Oeiras, mas como o nome indica, é um espaço que serve mais comida chinesa do que outra coisa.

Actualmente, a Casa de Macau em Portugal disponibiliza, uma vez por semana, um almoço tipicamente macaense preparado por um chef, mas não se trata de um restaurante. A iniciativa está, porém, aberta a sócios e ao público em geral. Na agenda desta entidade consta também um evento, de cariz semanal, onde o minchi é protagonista, juntamente com uma actuação ao vivo.

O Patuá sempre foi conhecido como um restaurante cheio de clientes, com um ambiente de tasca, em que é difícil arranjar mesa. Lá são servidos pratos como o tradicional minchi, bacalhau à macaísta ou peixe à Cantão, e que dificilmente poderão ser provados noutros lugares em Portugal.

“Eu é que trago a bagagem da comunidade macaense do lado da minha mãe”, contou Francisco, em 2021, ao HM. “A minha avó era chinesa, o meu avô de Castelo Branco. A influência macaense sempre foi ecoando nos anos em que trabalhei na cozinha, de forma inconsciente. Assumir o lado macaense foi também para não deixar isto morrer”, rematou.

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