Via do MeioPoemas de Meng Haoran traduzidos Rui Cascais - 10 Abr 2026 Tradução de Rui Cascais 孟浩然 (689-740) (五言古體詩) 示孟郊 蔓草蔽極野 蘭芝結孤根 眾音何其繁 伯牙獨不喧 當時高深意 舉世無能分 鐘期一見知 山水千秋聞 爾其保靜節 薄俗徒云云 MENG HAORAN (689–740) (Pentâmetros ao Estilo Antigo) Para Mostrar a Meng Jiao 1 Heras e ervas infestam tudo pela remota província, Mas o eupatório e o cogumelo crescem a sós. 2 Emaranhadas, as melodias criam igual cacofonia. Porém, a sós, Bo Ya nunca destoa. 3 Quando o seu sentido profundo Ainda não era acessível ao mundo, Zhong Ziqi logo discerniu Mil Outonos de montanhas e rios. Que possas suster a tua sóbria serenidade Entre o zum-zum dos reles e vulgares. NOTAS: A autenticidade/autoria do poema é duvidosa, pois o poeta Meng Jiao (751–814) só nasceria onze anos após a morte de Meng Haoran. O Eupatorium cannabinum e os cogumelos políporos são, curiosamente, uma planta e um tipo de fungos, usados na medicina tradicional pelas suas potentes qualidades purgativas. A sua presença aqui, em comparação à desarmonia, ou cacofonia, das infestantes, serve para exemplificar os aspectos virtuosos de solidão e amargura (ou “melancolia”) em que se pode fundar um encontro salubre e profícuo entre duas pessoas embebidas no remédio da rectidão. Também é interessante que Meng Jao tenha ficado conhecido como um dos poetas “amargos” (juntamente com Li He, apesar deste ser tudo menos sóbrio), o que reforça não só a natureza anacrónica e espúria do poema – um provável acrescento ao cânone de Meng Haoran–, mas também a sua singularidade. Alguém, seguramente apreciador dos dois poetas, terá tentado, assim, estabelecer um elo/diálogo entre eles através do tempo, “gizando” este poema. Bo Ya, o lendário tocador de cítara (qin), e o seu amigo e auditor ideal, Zhong Ziqi (figura lendária do fertilíssimo Período da Primavera e Outono e um simples lenhador conhecido por distinguir as mais finas nuances da musicalidade natural das montanhas e torrentes); o entendimento entre os dois daria origem à expressão 知音 (zhīyīn), “conhecer o tom”, que descreve a mais intima, imediata compreensão entre amigos. (五言古體詩) 遊雲門寺寄越府包戶曹徐起居 我行適諸越 夢寐懷所歡 久負獨往願 今來恣遊盤 台嶺踐嶝石 耶溪溯林湍 捨舟入香界 登閣憩旃檀 晴山秦望近 春水鏡湖寬 遠行佇應接 卑位徒勞安 白雲去久滯 滄海竭來觀 故國眇天末 朋在朝端 遲爾同攜手 何時方挂冠 Visita ao Templo da Porta da Nuvem; Enviado ao Oficial de Finanças Bao e ao Tabelião Xu da Administração Yue1 As minhas viagens trouxeram-me agora a Yue, Onde mesmo a sonhar recordo quem me é querido. Há muito desejava viver a expensas próprias; Hoje posso partir e vaguear à vontade. Numa crista de Tiantai vou pelas pedras marcadas; No Ribeiro de Ruoye subi contra a corrente veloz pelo bosque. Deixando o barco, entrei num reino de incenso; Após subir a um pavilhão, descansei entre volutas de sândalo. Eis os gentis montes, onde a vista de Qin parece já ali, E as águas primaveris, onde o Lago do Espelho se espraia. Nesta viagem longínqua anseio pelo nosso encontro; Apesar de baixa condição, posso entretê-los relativamente bem. As nuvens brancas foram-se, estão há muito presas algures; Ao mar vigiado cheguei por fim para divisar. O meu velho estado natal, demasiado longe para avistar, fica no fim do céu, Mas velhos amigos estão aqui, à beira da manhã. Há muito de devíamos estar já de braço dado, Pendurando os chapéus de oficial quando aprouver. O mosteiro situava-se na Montanha da Porta da Nuvem, algumas léguas a sul de Shaoxing, no Zhejiang.