Ai Portugal VozesHá crimes todos os dias André Namora - 1 Set 2026 Acabei de enviar uma missiva ao director nacional da Polícia de Segurança Pública (PSP) perguntando-lhe se ele vive num barco no alto mar ou se trabalha no seu gabinete em Lisboa. Isto, porque a PSP difundiu um resultado sobre a criminalidade sublinhando que a mesma diminuiu no último ano. Não é essa a percepção do povo porque há crimes todos os dias. E alguns, muito violentos e de cariz internacional. Os gangues proliferam em Portugal e, bem organizados, com conexão a outros países da Europa e da América Latina. Tráfico humano para exploração. Venda de armamento e de drogas. Carteiristas por todas as cidades. Assaltos a ourivesarias e casas de penhores, uma panóplia de crimes que na sua maioria obtém êxito e os criminosos conseguem fugir. A semana passada foi pródiga em assaltos semelhantes ao que é normal no Brasil. Os novos ricos e exibicionistas de riqueza – muitos que levaram uma vida entrosada em actos ilícitos de corrupção – vão para as esplanadas dos cafés conversar com os amigos e exibem os relógios que valem mais de 100, 200 e até 300 mil euros. Ora, os gangues estudam esses exibicionistas, seguem-lhes o rasto e se os apanham parados num semáforo, apontam-lhes uma pistola e sacam o relógio de luxo e o que o novo rico mais possuir de valor. Outros meliantes, sempre encapuzados, para que as câmaras de vídeo-vigilância não captem a sua identidade, estudam os hábitos de proprietários e de clientes de ourivesarias e casas de penhor, e com um carro roubado em Espanha ou em França, aproximam-se do local estudado e cá vai disto. Levam todos os valores em ouro, prata ou diamante. O estudo dos gangues sobre as presas potenciais a atacar é de tal forma eficiente que o gangue consegue saber que um indivíduo vai com a sua mochila carregada de ouro no valor de cerca de 100 mil euros para depositar numa casa de penhores, como aconteceu em Lisboa no bairro de Alvalade, aproxima-se da pessoa e roubam-lhe a mochila e todo o ouro. Fogem em menos de um minuto e passados cinco minutos é o espectáculo ridículo: chegada de vários carros da PSP e de investigadores da PJ que se limitam a meter a viola no saco, porque provas nem vê-las. O povo está preocupado. Os crimes aumentam diariamente. Na baixa lisboeta já os assaltos passam das marcas. Dezenas de indivíduos percorrem o Terreiro do Paço, a Rua Augusta e o Rossio a vender drogas falsas e se algum turista se nega a comprar poderá ir parar ao hospital baleado furtivamente ou esfaqueado. Nós próprios, quando estivemos uma semana e meia em Lisboa, fomos abordados na Rua Augusta por cerca de 10 fulanos que pretendiam vender droga. Os agentes policiais sabem bem o que sofrem devido à falta de meios e o seu director nacional devia preocupar-se em sensibilizar os intervenientes da Justiça que um agente policial quando dispara a sua arma não pode ser incriminado como um “criminoso negligente”. Há muito, que as pessoas começaram a ficar preocupadas. Que o digam os vizinhos de jogadores de futebol que pertencem ao Benfica, Futebol Clube do Porto ou Sporting que têm assistido aos mais variados assaltos às suas casas e que ficam sem a totalidade dos valores que tinham em casa. Quase todos os casos não vieram a público, mas o país tomou conhecimento cabal do que aconteceu a dois jogadores do FC Porto. E há casos muito mais graves que as autoridades policiais têm conseguido “abafar” do conhecimento público: carrinhas de transporte de dinheiro para as máquinas ATM ou de um banco para outro, que são assaltadas profissionalmente à bomba, sendo roubados milhões de euros e onde os assaltantes têm um avião a jacto privado, estacionado em Tires, de onde levantam voo para destino desconhecido. A criminalidade está absolutamente associada à falta de segurança e não nos venham dizer que o país é seguro, porque não é verdade. Tivemos o exemplo de Albufeira, onde uma artéria repleta de turistas foi invadida por um carro a grande velocidade por um condutor embriagado e com carta de condução falsa. Na Rua da Oura ficaram prostrados no chão vários feridos e alguns estão hospitalizados em estado grave. Qual a razão da Rua da Oura, famosa já em vários países, pela quantidade diversificada de bares e discotecas, não estar completamente encerrada com barras de cimento ao trânsito rodoviário? Qual a razão de a mesma artéria não ser apenas de uso pedonal? Neste caso, já o presidente da Câmara Municipal, do Chega, não manda palpites de eficiência. Para o edil da extrema direita o mais importante é expulsar de Portugal os “bandidos” dos imigrantes. A criatura, no entanto, não explica quem é que depois trabalhava nos hotéis, restaurantes, bares, hospitais, construção civil e na agricultura. Um conselho aos leitores de Macau que venham de férias a Portugal: não usem a mochila às costas, deve sempre estar pendurada junto ao peito, porque os assaltantes são peritos em abrir as mochilas e roubarem a carteira que normalmente é colocada na divisão mais exterior. É que em Portugal, o crime começou a compensar.